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‘Para vacinar tem que haver planejamento, o que não houve’, diz ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações

Ana Lucia Azevedo
·4 minuto de leitura
Reprodução

Poucas pessoas no Brasil conhecem tão bem a vacinação em massa quanto a epidemiologista Carla Domingues. Ela esteve à frente do Programa Nacional de Imunizações (PNI) por oito anos (2011-2019). Com o Brasil iniciando a campanha de vacinação contra a Covid-19, ela diz que o maior problema hoje do país é, além da ausência de planejamento e coordenação federal, a falta de doses.

Para Carla, o fundamental é “descobrir onde estão as vacinas prometidas” pois “a organização da campanha o PNI tira de letra".

Quais os maiores desafios hoje para a vacinação contra a Covid-19?

O nosso maior problema é a falta de vacina. As vacinas virão em quantidade muito aquém da necessária para o início da vacinação. Pelas contas do próprio Ministério da Saúde, o número inicial de doses deveria ser de 14 milhões. Não conseguiram. [A Fiocruz planeja importar de 2 milhões de vacinas de Oxford/AstraZeneca da Índia antes de iniciar sua própria produção. O Butantan já possui 11 milhões de doses da CoronaVac.]

E os outros desafios?

O segundo é garantir o registro dos vacinados. Isso nesta vacinação não é trivial e é atribuição dos municípios. Será preciso cadastrar uma ficha com dados como nome, endereço, data para cada pessoa vacinada e garantir que ela tomará a segunda dose no tempo certo e do mesmo imunizante do qual recebeu a primeira. Temos que ainda que estruturar a farmacovigilância. Isso é atribuição do governo federal e tampouco está sendo feito. Se está, não é divulgado, o que é um erro.

Qual o papel da farmacovigilância?

É assegurar que a vacinação esteja transcorrendo conforme o esperado, avaliar êxito e a segurança à medida que mais pessoas são imunizadas. É muito importante garantir que problemas não relacionados sejam atribuídos indevidamente às vacinas. Por exemplo: alguém que sofra um infarto depois de ser vacinado porque é cardíaco seja considerado vítima de efeito colateral sem que isso seja verdade.

O que é mais fundamental neste momento?

Descobrir onde estão as vacinas prometidas. A organização da campanha o PNI tira de letra.

Qual o papel do governo federal na vacinação contra a pandemia?

Por meio do Ministério da Saúde, é planejar quantas doses o país vai precisar, que vacinas vai comprar e o quanto será preciso de cada uma. Também deve comprar e distribuir essas vacinas para os estados. Isso, como ficou evidente, não foi realizado com o devido planejamento. Também é função do Ministério da Saúde definir quais são os grupos-alvo e quantas doses cada estado vai receber para vacinar cada um desses grupos. Outra é decidir quantas doses serão dadas de cada imunizante, o intervalo entre elas. É o ministério que deve estabelecer os detalhes dos grupos e a estratégia de vacinação. Se isso ficar a cargo dos municípios, por exemplo, poderemos ter pessoas se matando para serem vacinadas porque os municípios muitas vezes não têm a qualificação técnica suficiente e também são mais vulneráveis à pressão política de interesses locais. Então, as regras precisam ser as mesmas para todos.

E quando não se tem vacinas suficientes para todos, como é o caso agora?

Aumenta ainda mais a necessidade de planejamento e coordenação nacional. O ministério coordena toda a vacinação e esta é a mais desafiadora de todas as campanhas de imunização porque não temos vacinas suficientes, a doença é nova e será preciso vacinar a maior parte da população do país.

E o papel dos estados?

Os estados são responsáveis pelos insumos e a infraestrutura, coisas como a compra de freezers, de seringas, de algodão. Tudo, menos os próprios imunizantes. Mas é claro que isso em condições de campanhas normais. No caso desta pandemia, é importante a participação do governo federal porque ele tem condições de centralizar e baixar os preços, agilizar as entregas, com mais facilidade do que os estados. Mas para isso tem que haver planejamento, o que não houve. Também é papel dos estados distribuir as vacinas aos municípios.

Foi por isso que alguns governadores se anteciparam e compraram vacinas?

Acredito que sim. Vendo a morosidade e a falta de planejamento federal, decidiram assegurar que teriam seringas, por exemplo.

E o que cabe aos municípios?

A operacionalização e a execução da vacinação propriamente dita. São os municípios que precisam se organizar para saber quantas equipes, quantas salas de vacinação precisarão. Também cabe a eles o registro dos vacinados, controlar as carteiras de vacinação. Em alguns estados existem acordos em que esse papel pode ter auxílio estadual e também há municípios que compram seus insumos. Há variações grandes no Brasil, temos “27 países”. E nesse ponto, para reduzir desigualdades, a capilaridade do SUS é fundamental.

Como as pessoas com comorbidades incluídas nos grupos prioritários deverão proceder, provar que são hipertensas ou diabéticas, por exemplo?

O PNI tem enorme experiência nisso devido a campanhas passadas, como a da gripe. Não será problema, nem haverá necessidade de atestado ou declaração. Basta apresentar qualquer documento, exames, receitas médicas, por exemplo, que comprovem tratamento.