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Para testar vacina contra o "amarelão", cientista se contamina com 50 vermes

Fidel Forato
·5 minuto de leitura

Até onde você iria — ou quanto se arriscaria — para contribuir com a ciência? Em estudo clínico para o desenvolvimento de uma vacina experimental contra o "amarelão", uma verminose causada pelo ancilostomídeo Necator americanus, um pesquisador norte-americano foi contaminado com 50 larvas do verme. Durante um ano, essas larvas se desenvolveram, cresceram e se espalharam pelo seu corpo.

Em prol da ciência, Jimmy Bernot, pesquisador no departamento de zoologia do Museu Nacional de História Natural, em Washington, nos Estados Unidos, foi um dos voluntários do estudo clínico com duplo-cego. Dessa forma, nem ele e nem os responsáveis pelo estudo sabiam, se foi aplicado um placebo ou o imunizante.

Nos EUA, pesquisador é contaminado por 50 vermes em estudo de vacina contra verminose conhecida por amarelão (Imagem: Reprodução/ JimmyBernot/ Twitter)
Nos EUA, pesquisador é contaminado por 50 vermes em estudo de vacina contra verminose conhecida por amarelão (Imagem: Reprodução/ JimmyBernot/ Twitter)

Para contar todos os detalhes dessa experiência, Bernot compartilhou nas redes sociais algumas etapas da doença e dos estudos clínicos, como os exames rotineiros de sangue e a coleta de fezes.

Vacina contra o amarelão

"Ofereci-me para ser vacinado com um imunizante experimental contra a ancilostomíase (também fui pago). Após a vacinação, a vacina (ou placebo) foi testada, me infectando com 50 ancilostomídeos (Necator americanus) que penetraram na minha pele, a partir de um pedaço de gaze que usei no pulso durante 1h", explicou o pesquisador Bernot, através de um fio no Twitter.

No mundo, cerca de 500 milhões de pessoas são infectadas com ancilóstomos, principalmente em áreas mais tropicais como o sul dos Estados Unidos e o Brasil, por exemplo. Entre esses quadros, está a ancilostomíase, a doença que o voluntário contraiu durante a pesquisa. "Os vermes são pequenos nematoides, de cor branca, forma cilíndrica, com cerca de 1 cm de comprimento, sendo os machos menores com extremidade posterior expandida para formar a bolsa copuladora, e as fêmeas maiores com extremidade posterior afilada", detalha o Atlas de Parasitologia Clínica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Em grande número, esses vermes podem causar uma série de sintomas, começando pela coceira no lugar da invasão no hospedeiro. Além disso, em casos sintomáticos, a pessoa pode sentir dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, flatulência, anorexia, fraqueza e, até mesmo, perda de peso.

Normalmente, a doença é facilmente controlada, quando é tratada com os medicamentos corretos. No entanto, pode afetar mulheres grávidas e levar a problemas de desenvolvimento famílias de baixa renda, com as sucessivas contaminações em áreas sem saneamento básico adequado, por exemplo. Por essas características, no Brasil, a ancilostomíase também é conhecida como a doença do Jeca Tatu, personagem criado pelo Monteiro Lobato.

Como foi a infecção pelos parasitas?

"Em poucos minutos, senti uma sensação de formigamento sob o adesivo [local da contaminação pelos vermes no pulso]. Os pequenos vermes estavam penetrando na minha pele", conta o pesquisador sobre as primeiras sensações do experimento. "Segundos depois, meu pulso começou a coçar muito. Eu tenho que lutar seriamente contra a vontade de coçar, pois a coceira continuou por cerca de 30 minutos antes de desaparecer", relata.

Durante toda pesquisa, Bernot não teve receio de se expor aos 50 vermes, já que conhecia a biologia dos parasitas e sabia que não impactariam a sua saúde de forma negativa. Além disso, os cientistas envolvidos no estudo acompanhavam, de perto, as oscilações do seu organismo. Por exemplo, semanalmente, eles realizavam exames de sangue.

Após 10 dias do início do experimento, a erupção causada pelos parasitas retornou. Depois, além das amostras de sangue, os pesquisadores passaram a examinar suas vezes a partir de exames quinzenais. A ideia era entender se os parasitas estavam se reproduzindo (ou não) em seu organismo. Infelizmente, no caso de Bernot, eles estavam em processo de reprodução. Durante a avaliação, as fezes chegaram a conter 16 ovos por grama.

Após seis meses com vermes se reproduzindo em seu organismo, a participação de Bernot no estudo clínico começava a ser finalizada. Dessa forma, foi medicado para eliminar os vermes, mas continua a ser acompanhado por quase um ano. "Ainda não sei se fiz parte do grupo da vacina ou do placebo, mas irei acompanhar os pesquisadores para descobrir", explica. Como os parasitas conseguiram se reproduzir em seu corpo, é provável que tenha recebido um placebo ou a vacina não foi eficaz.

Vermes podem ser fofos?

Mesmo após essa longa experiência com os vermes, Bernot continua com uma opinião sobre eles. “Penso que o equívoco mais comum sobre os parasitas é que todos eles são ruins”, comentou para a IFL Science. “É verdade que os parasitas têm efeitos negativos sobre seus hospedeiros. Alguns parasitas causam doenças em humanos e devemos tratá-los e preveni-los. Dito isso, a maioria das pessoas ficaria surpresa ao descobrir que os parasitas também são uma parte natural e importante de ecossistemas saudáveis", avisa.

“Os parasitas desempenham muitos papéis nos ecossistemas e vários estudos mostraram que os parasitas beneficiam as cadeias alimentares naturais e são indicadores positivos da saúde do ecossistema. Assim, como os predadores ajudam a regular as populações de presas, os parasitas ajudam a regular as populações de hospedeiros e sua presença é um sinal de um ecossistema saudável e bem conectado”, completa.

Fonte: Canaltech

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