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Para Maia, atrasos em projetos podem desanimar investidores

Marcelo Ribeiro e Raphael Di Cunto

Entre os projetos estão as reformas administrativas e a tributária O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta quarta-feira que todos os atrasos de tramitação de projetos refletem no comportamento daqueles que querem investir no país. O governo já adiou algumas vezes o envio da reforma administrativa e das sugestões para a reforma tributária. A declaração de Maia foi feita durante café com jornalistas em seu gabinete na Câmara.

“A tributária, a gente está tocando, e tocando com diálogo com o governo. A reforma administrativa do Executivo eu tenho dificuldade de avançar sem saber qual é o formato que o governo pensa para este tema. O problema todo é que, quando atrasa, você tira a expectativa daqueles que têm interesse em investir no Brasil”, disse Maia.

Indagado sobre as PECs do pacote econômico, em tramitação no Senado, Maia evitou falar de calendário, alegando que os textos ainda estão sob os cuidados dos comandados de Davi Alcolumbre (DEM-AP). Mesmo sem responder, ele disse que não acredita que o avanço neste ano seja inviável.

Sobre relacionamento com os auxiliares do presidente Jair Bolsonaro, Maia elogiou a maioria dos ministros. “Basicamente tudo o que combinei com o ministro Paulo Guedes, com o ministro [Luiz Eduardo] Ramos, aconteceu”, disse.

Ele aproveitou para alfinetar o ministro da Educação, Abraham Weintraub: “Ele pode não se dar bem com ninguém, eu me dou bem com todo mundo. Pelo menos eu tento, e você sabe que eu tenho, paciência”.

Rodrigo Maia

Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Reforma administrativa

Maia afirmou que está disposto a esperar “mais algumas semanas” para que o governo envie sua proposta de reforma administrativa e que, se o governo demorar, avançará com a reforma administrativa interna [da Casa].

“A equipe econômica está ajudando. Estamos com a reforma tributária, vamos fazer a administrativa da Câmara. Se o governo demorar muito, a gente vai começar a fazer a da Câmara. Acho que a Câmara deve e vai dar sua contribuição na reforma administrativa. Se puder ser junto com o governo, bom”, disse.

“Vamos esperar [a administrativa do governo] mais algumas semanas. A questão é que a nossa está andando. Quando a nossa tiver pronta e tiver o apoio dos líderes, vamos encaminhá-la para votação”, acrescentou.

Mesmo reconhecendo que a reforma administrativa da Câmara é uma reforma “menor”, ele destacou que a economia pode ser alta e que as pessoas estão demandando que o Congresso faça a sua parte. “Acho que a Câmara precisa, mesmo sendo um valor pequeno em relação ao gasto do governo federal, organizar suas despesas na questão dos servidores na mesma forma que o governo está pensando. Vamos fazer uma reforma pensando nos novos servidores”, explicou.

Reforma tributária

Maia reforçou que acredita que a reforma tributária será aprovada na Câmara e no Senado até o recesso parlamentar, no meio do ano. Na avaliação dele, o debate sobre a PEC em uma comissão mista acelerará a tramitação do texto nas duas Casas.

“Dá sim [para aprovar no primeiro semestre]. Com certeza. Com a comissão mista, se sair organizado o trabalho, facilita muito para que na Câmara caminhe rápido e no Senado também, porque o trabalho foi feito nas duas Casas”, explicou Maia.

Ele afirmou não ter nenhum problema com manifestações ao ser indagado sobre o ato de 15 de março, que tem o Congresso como um dos alvos. “A manifestação é legítima. Não tenho nenhum tipo de problema com manifestação”.