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Para inovar é preciso tomar o controle do futuro da sua empresa

Colaborador externo

*Diego Figueredo, CEO da Nexo AI

Quando se debate inovação é comum que haja muitas confusões conceituais. Na maioria das vezes, as leituras apresentadas são imprecisas e, apesar de não corresponderem à realidade, tornam-se verdades de tanto que são replicadas, reflexo direto do ambiente contemporâneo de fake news e pós-verdades que vivemos. Talvez por isso tantas empresas confundam “inovação” com “novidade” ou achem que, por exemplo, a adição de um canal de vendas consista na tão sonhada prática. O caminho, porém, é bem mais complexo.

Ainda que tenham parcela da culpa, os gestores das companhias, ou mesmo o equivocado “setor de inovação”, não devem assumi-la sozinhos. Grande parte das empresas inovam da mesma forma e há tanto tempo que a capacidade de se adaptarem a novas tecnologias ou de enxergarem outras perspectivas do próprio negócio passam a ser tarefas perturbadoras.

O resultado é que empresas acabam construindo novidades achando que isso é inovação. Inovar, porém, não se baseia apenas em melhorar a qualidade do produto, do serviço oferecido ou mesmo de uma nova funcionalidade. Essas práticas são obrigações básicas que provavelmente permanecerão como coadjuvantes da evolução e não transformarão a vida das pessoas ou o rumo da indústria.

Da perspectiva das empresas, o novo modelo de inovação tem como premissas básicas três elementos: previsibilidade de entregáveis, velocidade e baixo custo como premissas básicas. Isso passa, gloriosamente, pela construção de um novo modelo que fuja das tradicionais consultorias, negócios que defendem e fazem uso de modelos antiquados e ineficazes para lucrar.

Mesmo que não seja o objetivo central, a tecnologia é a ferramenta que empodera empresas e pessoas comuns para competirem em um nível global com qualquer negócio. É por meio dela que surgem as startups, as companhias que quebram paradigmas e os sonhadores que vão desafiar o status quo para revolucionar o mundo. O problema aparece quando esses negócios disruptivos crescem e decidem deixar na mão de terceiros o futuro de suas empresas. Enquanto isso, as consultorias de inovação batalham para manter o curso estagnado.

Perceber que as consultorias são obsoletas é o primeiro passo para se criar um caminho alternativo para inovação. Inicia-se, então, a busca por algo que realmente gere valor para as empresas e não apenas cobre caro criando contratos superfaturados para seguir a mesma estrada antiga e esburacada. É imprescindível o aparecimento de uma nova forma de inovar que ofereça segurança para que as empresas possam tomar os riscos necessários e dar o primeiro passo.

Em breve, o conceito de autonomia e controle completo sobre o negócio permitirá que as companhias sejam protagonistas dos seus setores e do próprio futuro. Parece utópico, mas o caminho para isso parte da previsibilidade de custos e dos resultados a serem alcançados. Na prática, a resposta passa pelo compartilhamento de recursos e pela conquista de conhecimento. Sob esses pilares, constrói-se a base para a sociedade evoluir.

Esse modelo de inovação compartilhada, em que um terceiro não é o dono da verdade, permite que o time tenha maior confiança ao explorar algo novo. Isso significa que alguém já assumiu uma parte do risco e você terá acesso aos aprendizados. Saber que algo é possível, pois já foi feito ou tentado por outra empresa, permite que o time responsável pela implementação tenha mais confiança e base para ir além e realmente inovar.

Foi isso que as maiores empresas do mundo fizeram. Não é uma consultoria de inovação que cria negócios disruptivos, mas pessoas que acreditam no propósito da empresa e possuem capacidade de fazerem coisas notáveis. Este modelo é uma oportunidade para que as companhias inovem de forma acelerada e com baixo custo, potencializando o time e conectando-as a empresa a um ecossistema de inovação que lhes permita, de fato, terem o controle e serem protagonistas do próprio futuro.

*Diego Figueredo

Empreendedor desde os 18 anos, o baiano Diego Figueredo, formado em administração pela FGV, iniciou sua carreira com um provedor de internet que, em menos de 1 ano, se tornou um dos maiores da Bahia. Diego seguiu empreendendo no mercado de varejo, logística e franquias. Fundou algumas startups de tecnologia até chegar na Nexo, que em pouco tempo, se tornou um dos principais players de inteligência artificial do país com escritório em São Paulo e Nova York. Hoje atua como CEO da Nexo, colunista da Forbes e mentor de startups.

Fonte: Canaltech

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