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Para guitarrista do Metallica, batalha contra o Napster foi perda de tempo

Felipe Demartini

A batalha do Metallica contra o Napster, um dos primeiros serviços de download de arquivos a se tornarem populares em todo o mundo, marcou a história da tecnologia. Na visão do guitarrista Kirk Hammett, também foi uma grande perda de tempo. Ele acredita que a banda não fez a menor diferença ao tentar frear uma onda que era maior do que ela mesma ou qualquer outro músico e acabou por “afundar a indústria da música”.

Por mais que tenha se rendido ao mundo digital, ainda que com certo atraso, o integrante do Metallica não vê o estado atual do setor como positivo. Para ele, a pirataria e os serviços de streaming levaram os músicos “de volta à era dos menestréis”, onde a única fonte de renda dos músicos são as performances ao vivo e eles precisam, pasmem, tocar para ganharem dinheiro.

É uma mudança que, segundo Hammett, começou pelo Napster, quando as pessoas perceberam que era mais conveniente baixar música do que pagar por ela, e essa é uma tendência que mudou a carreira de artistas e o consumo das faixas. Ainda hoje, com serviços gratuitos e programas de mensalidade, a ideia é que se está pagando por uma plataforma, e não necessariamente pela produção de um músico.

O guitarrista volta a criticar o estado atual da música, afirmando que, com essa necessidade de tocar sem parar, muita gente está recorrendo ao playback para garantir o dinheiro no final do mês. Isso, segundo ele, não vale para o Metallica, que ainda é uma banda que precisa se apresentar e ser um conjunto para “continuar sobrevivendo”.

Ele espera, por outro lado, que as coisas mudem, apesar de não se mostrar muito esperançoso com isso. Da mesma forma que o mercado se voltou de repente para o digital, ele acredita que, um belo dia, uma nova mudança possa acontecer, de volta para os CDs ou algum novo formato que ainda está para surgir, repetindo o movimento rápido que já aconteceu tantas vezes no passado.

A briga entre o Metallica e o Napster começou em 2000, com a banda processando o serviço de compartilhamento de arquivos pela possibilidade de download de faixas da banda, incluindo o, na época, recém-lançado I Disappear. Enquanto todos chegaram a um acordo fora dos tribunais, centenas de milhares de usuários da plataforma P2P foram banidos por terem baixado ou compartilhado músicas da banda.

O grupo, apesar de estar lutando em prol dos direitos autorais, o que é justo, ficou reconhecido como um inimigo da distribuição digital e foi duramente criticado por conta da atitude antiquada que, como o próprio Hammett deixa claro, não freou o trem das mudanças. O Metallica apenas se dobraria em 2012, liberando toda sua discografia, incluindo apresentações ao vivo e gravações raras, em todos os serviços de streaming, mantendo lançamentos constantes nas plataformas desde então.

Fonte: Canaltech

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