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Para Fitch, Brasil precisa de crescimento sustentável para melhorar nota de crédito

Rodrigo Carro, Juliana Schincariol e Rodrigo Polito

O diretor-executivo da agência de classificação de risco frisou que o país vem apresentando uma série de sinais favoráveis no front econômico O diretor-executivo da agência de classificação de risco Fitch Ratings, Rafael Guedes, disse nesta sexta-feira que as projeções da nota de crédito incluíam uma arrecadação de R$ 106,5 bilhões para o leilão da cessão onerosa, licitação que ocorreu na última quarta-feira. No entanto, Guedes destacou que a frustração de receita — a arrecadação foi de R$ 69,9 bilhões — não terá qualquer efeito na nota de crédito do país.

Matt Lloyd/Bloomberg

“Contávamos com R$ 106 bilhões. Não é que tenha decepcionado, mas nos nossos modelos tínhamos R$ 106 bilhões entrando”, disse ele, após o seminário promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV). “R$ 36 bilhões [volume que a Petrobras vai pagar à União como parte do bônus de assinatura do leilão de excedentes da cessão onerosa] representam 0,6% do PIB brasileiro. Também não é isso que vai mudar a trajetória do endividamento brasileiro para melhor ou para pior”, acrescentou.

Na avaliação do executivo da Fitch Ratings, a aprovação da reforma da Previdência no Congresso Nacional é necessária para estabilizar a trajetória da dívida pública, mas não é por si só um fator que leve à melhoria da nota de crédito do país.

Perguntado sobre o que poderia levar a uma alteração no rating ou da perspectiva de mudança da nota, Guedes respondeu que ainda falta a economia crescer de forma sustentável. “Uma perspectiva de crescimento sustentável no longo prazo, que ainda não temos. Temos a perspectiva de uma recuperação cíclica: estamos falando de 2% no ano que vem, de 2,5% em 2021”, disse, em relação às expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB). “Há um certo crescimento, mas ele ainda não é suficiente para fazer uma inflexão nesse endividamento de longo prazo que levasse a uma alteração da nota ou da perspectiva neste momento”, explicou.

Ele frisou que o país vem apresentando uma série de sinais favoráveis no front econômico. “Os sinais que estamos vendo são muito positivos: reforma da Previdência aprovada bastante robusta; taxas de juros jamais sonhadas para o Brasil; inflação completamente ancorada”, listou.