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Para FBI, FaceApp traz possível ameaça à segurança dos usuários

Felipe Demartini

Para o FBI, o FaceApp representa uma ameaça em potencial à segurança de seus usuários. A constatação aparece em uma investigação preliminar conduzida pela agência a pedido do senador americano Chuck Schumer em julho, época em que o aplicativo de envelhecimento, rejuvenescimento e mudança de gênero estava bombando nos downloads. As relações com a Rússia, para os investigadores, são o principal problema.

Por mais que os desenvolvedores da aplicação já tenham negado mais de uma vez qualquer tipo de relação com o Kremlin, para o FBI qualquer solução que tenha sido desenvolvida na Rússia pode ser considerada uma ameaça em potencial. Isso se torna particularmente verdade com uma análise dos termos de uso e privacidade do FaceApp, assim como os dados coletados por ele para aplicação dos filtros que encantaram os usuários em meados deste ano.

O principal ponto de fricção aqui é o armazenamento das fotos tiradas pelos usuários para aplicação do efeito. Ao mesmo tempo em que é claro quanto ao fato de não possuir qualquer ligação com o governo russo, o FaceApp também é pouco preciso, afirmando que todo o processamento de imagens acontece na nuvem e que as selfies produzidas pelos utilizadores “podem” ser armazenadas no mesmo sistema para fins de pesquisa e melhoria da solução.

É aqui que entra o problema para o FBI, que associa essa coleta ao uso cada vez mais ostensivo de biometria facial pelo governo da Rússia. Por lá, essa solução é utilizada principalmente para controle de fronteiras, mas também pode ser usada vigilância e espionagem. A recomendação das autoridades é que o FaceApp, bem como outros aplicativos da mesma categoria, seja apagado pelos utilizadores.

O relatório não entra em detalhes sobre que tipo de exploração estaria sendo realizada com os dados dos usuários, afirmando apenas que a Rússia mantém uma ostensiva operação de vigilância e citou leis do país, que não exigem autorização para que o governo acesse dados das empresas de telefonia e desenvolvedores de apps. O FBI vai além, afirmando que os usuários devem pensar duas vezes antes de baixar qualquer solução que tenha sido desenvolvida em países considerados como hostis.

A equipe do FaceApp não se pronunciou sobre o assunto. No passado, os desenvolvedores já negaram veementemente qualquer relação com o governo da Rússia, enquanto afirmaram que os dados dos usuários estavam seguros e eram usados apenas para fins de aprimoramento da própria inteligência artificial que aplica os efeitos, sem compartilhamento para fins de vigilância, publicidade ou qualquer outro tipo de ação.

Fonte: Canaltech

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