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Para executivo do Waze, no futuro os carros estarão cheios de gente

Stephanie Kohn
Para fomentar a cultura de caronas no Brasil, empresa quer criar "faixas de caronas" nas cidades, fechar parcerias com show, jogos esportivos e eventos, além de incluir novas funcionalidades que garantam a segurança dos usuários

Em agosto deste ano, o Waze, app de trânsito e navegação, lançou seu novo serviço, o Carpool, um app que conecta pessoas dispostas a dar e receber caronas. A novidade foi testada inicialmente em Israel, cidade em que a empresa nasceu, mas o Brasil foi o primeiro país a receber oficialmente o aplicativo. O motivo? São Paulo é a maior cidade do Waze no mundo, com mais de 4 milhões de usuários mensais.

O lançamento do serviço foi estratégico, segundo Douglas Tokuno, chefe do Waze Carpool para o Brasil. Se antes a missão da startup era superar o trânsito, hoje é acabar com o trânsito. “Entendemos que superar não era mais suficiente como missão e fomos além. A taxa média de ocupação em um carro é 1,4 pessoas. Ou seja, a maioria está sozinha no carro. Para sanar isso, nada melhor do que a velha e boa carona”, comentou o executivo durante entrevista exclusiva na Futurecom 2018.

Como o serviço é recente, ainda não dá para ter ideia se o brasileiro está aderindo às caronas. Até o momento, não há números oficiais de quantidade de usuários cadastrados ou caronas oferecidas. Douglas apenas compartilha que o deslocamento casa-trabalho é o mais popular e Recife já figura entre a cidade com o maior número de trajetos compartilhados.

O Waze ainda espera fortalecer a cultura de caronas de outras formas, fazendo parcerias com universidades e empresas, e incentivando caronas para shows, jogos esportivos e eventos. A criação de mais funcionalidades de segurança também está no radar.

O chefe do Carpool lembra que muitas pessoas ainda não se sentem tranquilos em oferecer ou dar carona para estranhos. Mas o app já possui ferramentas que ajudam nesse tópico, como filtros por gênero e a validação de email corporativo para comprovação de que a pessoa trabalha no mesmo lugar. Há ainda uma funcionalidade que cria grupos com pessoas conhecidas e um chat para conversas.

Outra carta na manga são as “faixas de caronas”, já aderida por Vitória (ES). Na capital capixaba, a Linha Verde, na Avenida Dante Micheline, é voltada exclusivamente para carros transportando três ou mais pessoas. O trajeto restrito não se aplica apenas a caronas, mas ônibus, táxis, vans e motoristas de aplicativo. Para garantir que as regras sejam cumpridas, a avenida é monitorada.

“Temos conversado com as prefeituras de diversas cidades para encontrar soluções ainda melhores. A faixa de carona agiliza muito o trajeto”, comentou Douglas sem mencionar quais municípios foram procurados.

Futuro

A criação do novo app foi unicamente pensada para resolver os problemas de mobilidade urbana e, por isso, a empresa ainda não sabe como monetizar o serviço. O que está claro para o Waze, no entanto, é que os aplicativos de carros privados, como Uber, ou até mesmo os taxis, não são concorrentes, mas complementares.

“Nossos concorrentes são os assentos vazios. O público que usa o Carpool não é o mesmo que usa Uber ou similares. A carona até então nunca foi opção em escala e com esta comodidade. Entendemos que com o app, a cultura de compartilhamento de carros pode se fortalecer”, explicou.

Ele ainda ressalta que, em um futuro com carros autônomos e até carros voadores, o compartilhamento é fundamental. “Se não houver essa cultura, não faz sentido. Não podemos ter milhares de carros autônomos levando apenas uma pessoa”, finalizou.

Fonte: Canaltech