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Para Doria, reajuste salarial em MG pressiona os demais governadores

Marcos de Moura e Souza

"A meu ver, é uma decisão que precisa ser revista", disse o governador de São Paulo. "É inviável" O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou nesta segunda-feira decisão do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), de conceder reajuste salarial para policiais e servidores estaduais da área de segurança. Segundo ele, a iniciativa coloca os demais governadores sob pressão.

"A meu ver, é uma decisão que precisa ser revista", disse Doria a jornalistas antes de fazer uma palestra para empresário mineiros em Belo Horizonte, no início da tarde. "Ela não é boa para Minas Gerais. Minas não tem condição fiscal para isso. Não quero interferir nos termos de Minas, mas a minha percepção é que ela não é boa, que ela é inviável".

Valor

Zema propôs aumento de 41,7% dos vencimentos de policiais militares, policiais civis, agentes penitenciários e agentes socioambientais.

O aumento foi fortemente criticado porque o Estado está com as contas no vermelho. Mesmo assim, a Assembleia Legislativa aprovou o reajuste e ainda aproveitou para aumentar os salários de outras 13 categorias de servidores. Agora cabe ao governador sancionar ou vetar esses aumentos.

Além de apoiar Zema em Minas, o PSDB é responsável pela liderança do governo na Assembleia Legislativa.

Doria reiterou que não quer interferir em questões de Minas, mas afirmou que conversou com deputados estaduais e federais do PSDB sobre o aumento de salários no Estado, reforçando que, se for sancionado por Zema, ele terá reflexos nos demais Estados.

"Não é uma medida que afeta apenas Minas Gerais, afeta o país. Somos 27 Estados e a medida de Minas Gerais, se adotada for, ela coloca sob pressão todos os demais governadores", disse Doria.

Para o governador paulista, a medida poderá criar, entre os agentes de segurança, um discurso de que, se Minas, com dificuldades financeiras, foi capaz de conceder o reajuste, outros Estados também teriam condições de oferecê-lo.

Além da questão salarial, Doria afirmou que é preciso considerar também situações de "miliciamento" da Polícia Militar, como se deu, segundo ele, no Ceará. Depois do encontro com empresários, Doria terá uma reunião com Zema na sede do governo mineiro.