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Para combater variante Delta, Pfizer aposta em terceira dose da vacina

·3 minuto de leitura

Responsáveis por uma das primeiras vacinas de mRNA (RNA mensageiro) do mundo, a farmacêutica norte-americana Pfizer e a empresa de biotecnologia alemã BioNTech apostam na necessidade de uma terceira dose do imunizante contra a COVID-19. Segundo as empresas, o reforço seria necessário para intensificar as defesas contra a variante Delta (B.1.671.2) do coronavírus SARS-CoV-2.

No mundo, a variante identificada pela primeira vez na Índia desencadeia um novo aumento de casos da COVID-19, especialmente em países asiáticos e africanos, onde há baixa vacinação. De cordo com as autoridades de saúde dos Estados Unidos, a variante Delta se tornou a predominante no país e isso reflete também em mais infectados. No entanto, as vacinas adotadas ainda controlam a situação.

Pfizer defende necessidade de uma terceira dose da vacina contra a COVID-19 para controlar a variante Delta (Imagem: Reprodução/Rido81/Envato Elements)
Pfizer defende necessidade de uma terceira dose da vacina contra a COVID-19 para controlar a variante Delta (Imagem: Reprodução/Rido81/Envato Elements)

Neste cenário, a Pfizer inciou um experimento para validar a eficácia da terceira dose da fórmula Pfizer/BioNTech e negocia com as agências reguladoras a adoção oficial do reforço contra a COVID-19. Em paralelo, trabalha em uma nova vacina feita especificamente para a variante Delta.

Testes com a terceira dose da Pfizer em Israel

De acordo com um estudo realizado em Israel, que já tem cerca de 60% da população totalmente imunizada, a vacina da Pfizer/BioNTech contra a COVID-19 parece ser menos eficaz em conter a propagação da variante Delta do coronavírus, mas ainda protege contra o desenvolvimento das formas graves da doença.

Em análise preliminar, os pesquisadores observaram que a vacina protegeu 64% das pessoas contra a infecção do coronavírus entre 6 de junho e início de julho. No entanto, nos estudos clínicos de Fase 3, foi possível obter uma eficácia de 95%, quando se contava principalmente com o coronavírus original, sem mutações. Vale observar que, entre os períodos, medidas para conter a transmissão da doença foram flexibilizados e a variante Delta chegou até Israel.

Diante desse cenário, Israel passou a administrar a terceira dose da vacina Pfizer/BioNTech para pacientes de transplante cardíaco e outros com sistemas imunológicos comprometidos, ou seja, em alguns grupos de risco. Essa forma de uso é um teste e deve fornecer dados importantes, como concentração de anticorpos, sobre o real efeito de um reforço do imunizante contra a COVID-19.

Reforço é alvo de debate nos EUA

Na segunda-feira (12), a Pfizer deu início aos diálogos para aprovar uma potencial terceira dose com as agências reguladoras, começando pelos EUA. Após a reunião, as autoridades norte-americanas afirmaram que a empresa precisa levantar mais dados antes de se adotar, em massa, o reforço.

O infectologista e conselheiro da presidência, Anthony Fauci, disse que não há evidências suficientes para apoiar essa política hoje. “Foi um encontro interessante. Eles compartilharam seus dados. Não houve nada parecido com uma decisão”, esclareceu Fauci, durante entrevista para o jornal The New York Times. “Esta é apenas uma peça de um quebra-cabeça muito maior”, completou.

Entra na balança da adoção de uma terceira aplicação o fato de que inúmeros países ainda não vacinaram nem metade da população contra a COVID-19, porque faltam doses disponíveis. O Brasil, por exemplo, vacinou de forma completa — duas doses ou imunizante de dose única — 14,61% da sua população, o que equivale a 30,9 milhões de pessoas.

Fonte: Canaltech

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