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Para amenizar impactos do coronavírus, BC americano corta juro para próximo de zero

JÚLIA MOURA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Banco Central (BC) americano (Fed) cortou, de forma extraordinária, a taxa de juros dos Estados Unidos para a faixa de 0 a 0,25% neste domingo (15). Antes, as taxas mínima e máxima eram de 1% e 1,25%, respectivamente.

Esse é o maior incentivo monetário desde a crise econômica de 2008. Em dezembro daquele ano, o Fed também cortou juros em um ponto percentual.

Em comunicado, o banco afirma que a redução visa amenizar os impactos econômicos do coronavírus em curto prazo.

“Esperamos manter a taxa nesse nível até estarmos confiantes com a economia”, disse Powell em teleconferência com jornalistas neste domingo para comentar as medidas. Geralmente, a entrevista é presencial após as decisões do Fed, mas, com a pandemia de coronavírus, a coletiva presencial foi evitada.

"O surto de coronavírus prejudicou comunidades e interrompeu a atividade econômica em muitos países, incluindo os Estados Unidos. As condições financeiras globais também foram significativamente afetadas", diz o Fed.

No início do mês, o BC americano, surpreendeu o mercado ao cortar a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,50 ponto percentual em resposta aos riscos econômicos que a epidemia de coronavírus representa.

Na ocasião, o presidente do banco, Jerome Powell, afirmou que o coronvaírus mudou o cenário para a economia americana neste ano, trazendo novos desafios e riscos. "Os riscos para a perspectiva americana mudaram de forma concreta", disse.

Naquele dia, as Bolsas americanas tiveram queda de cerca de 3%. Neste domingo, os índices futuros de Nova York caem cerca de 6%.Investidores estão céticos quanto aos efeitos positivos de um corte de juros na economia e temem que o risco do coronavírus seja maior do que precificam. Segundo analistas, reduções de impostos teriam efeitos mais significativos. A medida, defendida pelo presidente Donald Trump, depende da Câmara americana.

O corte de juros é uma medida de incentivo monetário à economia. Com juros baixos, fica mais barato tomar crédito e empreender e menos vantajoso manter o dinheiro em aplicações de renda fixa, tornando o mercado acionário mais atrativo. Como as ações são maneiras de se investir em empresas, a ida de investidores para a Bolsa também pode contribuir para uma aceleração da atividade econômica.

Após o novo corte neste domingo, Trump comemorou e disse que está "muito feliz".

O Fed também anunciou injeção de US$ 700 bilhões na economia via compra de títulos do Tesouro e de hipotecas nos próximos meses.

"O Federal Reserve está preparado para usar toda a sua gama de ferramentas para apoiar o fluxo de crédito para famílias e empresas e, assim, promover suas metas máximas de emprego e estabilidade de preços", diz o comunicado.

O banco também ressaltou que continuará monitorando novas informações e seus impactos para as perspectivas econômicas e para saúde pública e que "usará suas ferramentas e atuará conforme apropriado para apoiar a economia".

O Fed também fez um acordo com os bancos centrais de Canadá, Inglaterra, Japão, Suíça e BCE (Banco Central Europeu) para aumentar a liquidez dos mercados via redução do juro das operações de swap.

Nesse tipo de contrato, cada uma das pontas que o negociam se compromete a pagar a oscilação de uma taxa ou um ativo (no caso do contrato cambial, as mudanças no dólar).