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Para afetar protestos, governo da Índia corta a internet de mais dois estados

Felipe Ribeiro

O governo da Índia segue com o corte de internet nos estados de Assam e Meghalaya. A atitude da administração local visa conter os protestos dos cidadãos, que são contra um projeto de lei aprovado pelo parlamento local, que facilita o ganho da cidadania indiana para não-muçulmanos de três países vizinhos: Afeganistão, Paquistão e Bangladesh.

O motivo principal destes protestos, porém, não está somente nesta liberação para os vizinhos. Isso também está acontecendo porque os não-muçulmanos, que são minoria na Índia, não gozam da mesma facilidade que essa lei lhes dará.

As populações de Assam e Meghalaya, somadas, chegam a 32 milhões de pessoas e o mercado de internet indiano é o segundo maior do mundo, com 650 milhões de usuários conectados.

Assam, na Índia/ Imagem: Getty Images

O desligamento da Internet em Assam e Meghalaya, locais com mais de 32 milhões de pessoas, é o exemplo mais recente de uma tendência mundial preocupante empregada por vários governos: impedir que as pessoas se comuniquem na Web e acessem informações. E a Índia continua a exercer essa medida mais do que qualquer outro país.

O que dizem as autoridades?

Segundo alguns funcionários do estado de Assam, a medida visa evitar que boatos e informações falsas que provoquem as pessoas sejam espalhados. “Plataformas de mídia social como Facebook, WhatsApp, Twitter e YouTube provavelmente serão usadas para espalhar boatos e também para transmitir informações como fotos, vídeos e texto com potencial para inflamar paixões que exacerbam a situação da lei e da ordem”, disse o governo, em comunicado.

Logo após a aprovação do projeto de lei, os protestos se multiplicaram nas ruas de Assam e Meghalaya, onde os moradores se preocupam com a imigração dos habitantes dos países mencionados. Em Meghalaya, os serviços de mensagens de texto também foram suspensos.

Para conter a situação, o governo indiano enviou tropas e fechou a internet - uma medida que a Organização das Nações Unidas (ONU) condenou no passado, chamando de violação dos direitos humanos.

Padrão de comportamento

O Access Now, um grupo ativista de direitos digitais, informou, no início deste ano, que 134 dos 196 cortes de sinal de internet documentados em 2018 vieram da Índia. De acordo com o Internet Shutdowns, um serviço operado pelo grupo de advocacia digital Software Law and Freedom Center, de Nova Déli, houve mais de 90 casos documentados de paralisações da Internet na Índia somente este ano.

Em Jammu e Caxemira, o governo indiano cortou a Internet por 133 dias depois de retirar dos muçulmanos - maioria na região - a autonomia dos estados.


Fonte: Canaltech

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