Mercado fechado

Papel higiênico, pilhas e cerveja ganham destaque e se esgotam

PAULA SOPRANA E ARHTUR CAGLIARI
SÃO PAULO, SP, 29.11.2019: BLACK-FRIDAY-SP - Consumidores aproveitam promoções da Black Friday no Extra da Ricardo Jafet, na zona sul de São Paulo, nesta sexta-feira. (Foto: Cris Faga/Folhapress)

Os setores de alimentos e bebidas, de higiene e de produtos de limpeza desempenharam um papel de destaque no varejo na Black Friday deste ano.

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Embora os balanços de associações supermercadistas não estivessem fechados até o fim desta sexta (29) - muitas empresas irão contabilizar a CyberMonday na segunda (2) -, indicativos reforçam as projeções de que esses produtos tiveram boa saída.

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Além de empurra-empurra e tumulto nas Lojas Americanas do Shopping Interlagos, na zona sul da capital paulista, onde pessoas chegaram a brigar na disputa por produtos, itens como papel higiênico, xampu, tintura de cabelo, além de alimentos e bebidas alcoólicas, formaram grandes filas e até acabaram com estoques em alguns pontos.

A Magazine Luiza, por exemplo, vendeu 40 mil pacotes de papel higiênico, 400 mil pilhas e 50 mil kits de cerveja na sexta. Já no Extra, do Grupo Pão de Açúcar, categorias como perfumaria e mercearia básica (como arroz, feijão e açúcar) cresceram mais de 30% na relação com a data comercial do ano passado.

Produtos de higiene e de limpeza são considerados de alto valor agregado e de uso contínuo pelos consumidores. Para analistas, uma das estratégias das marcas foi atrair a atenção para esses itens no contexto econômico, que, do lado do cliente, inclui liberação de FGTS e primeira parcela do 13º salário. Já do lado das empresas, há necessidade de reaquecer as vendas sem arriscar perder lucratividade.

"Fizemos um forte planejamento para alcançar vendas recordes. Além disso, podemos contar com a consolidação da data no varejo e com aspectos macroeconômicos", diz Christiane Citrângulo, diretora de marketing do Extra.

Segundo ela, telefonia, vídeo e bebidas sempre foram categorias com boa saída de produtos, mas a ênfase deste ano será a evolução de setores de preços mais baixos.

A expectativa, de acordo com o grupo, é que a venda no ecommerce alimentar mais que dobre neste ano. Até a noite desta sexta-feira, mais de 1 milhão de cervejas e 100 mil garrafas de vinhos haviam sido comercializadas na internet pelo GPA, que inclui as marcas Pão de Açúcar e Extra.

Outros dois fatores que contribuem para que a Black Friday tenha alta de até 18% no comércio podem ser a proximidade do Natal (seis dias a menos em relação à data de 2018) e a tradição de a última semana de novembro já ser considerada quente no varejo.

Nas lojas físicas de grandes redes no centro de São Paulo, foi comum ver concentração de pessoas em seções de celulares. Chamaram a atenção, no entanto, as filas de consumidores carregando produtos mais simples. Alguns faziam estoque de pasta de dente a R$ 0,99. Outros aproveitaram xampus a R$ 12 --quando antes custavam cerca de R$ 18 nas Lojas Americanas.

Para Marcelo Silva, presidente do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo), é precipitado avaliar os padrões deste ano no setor supermercadista, porque de sábado a segunda o movimento deve continuar forte, em especial no comércio eletrônico.

"O Brasil já criou a Black Week, daqui a pouco teremos a [Black] do mês", diz. "Apesar de cada empresa e supermercado ter um desempenho diferente, o denominador comum é que houve crescimento se levarmos em conta online e offline", afirma.

Ele acrescenta que as pessoas estavam esperando pela data para fazer compras. "Além disso, já há um cenário positivo de inflação e juros mais baixos", pondera.

Apesar de sinais levemente positivos, ainda há mais de 12 milhões de desempregados, inadimplência alta e empregos precários, lembra Olegário Araújo, consultor de varejo do Inteligência 360. Tais fatores, para ele, ainda pode representar receio de gastar.

"Nessa lógica, o supermercado reduziu preço em produto essencial para gerar resultado. O contexto limita renda para compras grandes e, do outro lado, o varejo precisa aumentar sua movimentação porque a concorrência está acirradíssima", diz.

Na edição de 2018, o setor supermercadista arrecadou R$ 2,6 bilhões, segundo a Apas (Associação Paulista de Supermercados). Para este ano, a projeção é de alta de 4%, puxada por alimentos e bebidas.