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Papa condena aborto, mas pede enfoque 'pastoral' à Igreja

·2 minuto de leitura
O papa Francisco conversa com os journalistas a bordo do avião que o levou da Eslováquia de volta para Roma em 15 de setembro de 2021 (AFP/Tiziana FABI)

O papa Francisco reiterou nesta quarta-feira (15) que "o aborto é um homicídio", mas instou os sacerdotes da Igreja Católica a abordarem o tema como pastores e não como políticos, em declarações a bordo do avião que retornava a Roma após sua visita à Eslováquia.

"Nunca me recusei a oferecer a eucaristia a alguém", afirmou o líder religioso, ao ser perguntado sobre a proposta de alguns bispos dos EUA de negar a comunhão aos políticos católicos que apoiam leis favoráveis ao aborto.

"A comunhão não é um prêmio para os perfeitos", assegurou o pontífice, após afirmar que o "aborto é mais que um problema, é um homicídio". "Quem aborta mata, é assim", disse Francisco.

Contudo, o papa advertiu que "quando a Igreja, para defender um princípio, não se comporta como um pastor, acaba se tornando um partido político".

"Sempre foi assim, é só lembrarmos da história", acrescentou o líder católico, ao mencionar o caso de Joana d'Arc e Savonarola, que foram queimados na fogueira durante a Inquisição por heresia.

"O que um pastor deve fazer? Ser pastor, e não andar por aí condenando", frisou Francisco.

"Ser pastor dos excomungados? Sim. O pastor deve estar com eles. Ser pastor com o estilo de Deus. E o estilo de Deus é empatia, compaixão e ternura", explicou.

Atualmente, o tema da legalização do aborto tem sido recorrente em diversos países. No início do mês, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, criticou a negativa da Suprema Corte do país de bloquear uma lei do Texas que proíbe a interrupção após seis semanas de gestação.

Além disso, no fim de 2020, a Argentina, terra natal do papa Francisco, se juntou ao pequeno grupo de países da América Latina em que a interrupção voluntária da gravidez nas primeiras semanas de gestação não é criminalizada.

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