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SOS Pantanal: como as fãs de K-Pop arrecadaram R$ 50 mil reais em tão pouco tempo?

Marcela De Mingo
·5 minutos de leitura
As fãs do grupo BTS conseguiram arrecadar mais de R$ 40 mil reais em menos de três semanas para ajudar no combate aos incêndios no Pantanal (Foto: BTS / Divulgação)
As fãs do grupo BTS conseguiram arrecadar mais de R$ 40 mil reais em menos de três semanas para ajudar no combate aos incêndios no Pantanal (Foto: BTS / Divulgação)

No começo, ninguém entendia muito bem porque sete garotos em uma coreografia bem coordenada no palco faziam tanto sucesso - ainda mais quando se percebia que eles cantavam em uma língua totalmente diferente. Depois, o movimento começou a crescer, e esses grupos ganharam tantos fãs que era impossível passarem despercebidos. Por fim, coisas estranhas começaram a rolar: esses mesmos fãs passaram a se unir em nome da política e, agora, do meio ambiente.

Pois é, muita gente olha para o K-Pop com dúvida. Mas é inegável que grupos como o BTS e o Monsta X deixaram a Coreia para conquistar o mundo - e têm levando os seus fãs junto com eles. O pop sul-coreano, aliás, tem disso: o intuito de cada grupo é criar um laço forte com os fãs, de forma que cada fandom tem, inclusive, o seu próprio nome, e esse senso de comunidade é estimulado de diversas maneiras, principalmente em prol da própria comunidade.

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É por isso que, nos últimos tempos, virou notícia o fato de que muitos fãs se uniram para boicotar um comício de Donald Trump nos Estados Unidos - uma ação conjunta com a parte mais obscura do TikTok. E, agora, é o Pantanal brasileiro que virou alvo dessa influência social e política.

No último mês, o que vimos acontecer na região do Pantanal é o mais puro absurdo - e ainda foi minimizado pelo vice-presidente Hamilton Mourão, que disse "Recordes acontecem, né?" para o número de queimadas impressionantes que têm rolado por lá. As B-Armys, como são chamadas as fãs do BTS no Brasil, não deixaram a situação passar em branco e criaram um projeto, chamado Army Help The Planet, para arrecadar fundos para ajudar no combate às queimadas e manutenção da área de Pantanal.

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A campanha foi desenvolvida em parceria com o Instituto Homem Pantaneiro, que desde 2002 trabalha em função da manutenção e proteção do Pantanal Matogrossense. Desde o dia 16 de setembro desse mês, a ação conjunta rendeu uma campanha de arrecadação em um site de financiamento coletivo e já passa dos R$ 40 mil reais em doações. Engajamento alto que chama?

As Armys não são as únicas. Os fãs brasileiros do girl group Mamamoo já arrecadaram mais de 3 mil reais para o Instituto Arara Azul como uma resposta às queimadas recorrentes e todas as demais ações contra o meio-ambiente que estão acontecendo no Brasil agora. A fanbase brasileira do Super M criou no seu Twitter um evento de incentivo a doações para três diferentes instituições brasileiras que ajudam o Pantanal e, em troca, fará um sorteio no fim do ano entre os doadores.

Música ou engajamento político e social?

Na verdade, são as duas coisas. Esse tipo de movimento pode parecer uma novidade para os ocidentais, mas, definitivamente, não é algo novo no país de origem desses grupos. Por lá, os artistas comumente pedem para que as fãs troquem os presentes pessoais e particulares por boas ações pelas comunidades locais em seus nomes. Essa prática, que começou a se popularizar com o boom dos grupos de K-Pop no fim da década de 1990, são a representação do senso de coletividade que já é tão natural por lá.

Para quem está desacostumado com o senso do coletivo - e se 2020 nos provou qualquer coisa é que o brasileiro está mesmo desacostumado com o senso de coletivo -, esse tipo de engajamento não deveria vir como uma surpresa. Sempre tão dedicados aos fãs, grupos como o BTS desenvolvem laços fortíssimos com os seus fandoms o que gera uma rede de apoio entre os os membros pautado no acolhimento e na identificação.

Aliás, quando se fala do BTS, o maior grupo de K-Pop da atualidade, que já bateu tantos recordes e quebrou tantas barreiras que é difícil mensurar, essa rede de apoio se estende para temas dos mais variados. O B-Armys Acadêmicas, por exemplo, é um projeto voltado para o estímulo e incentivo de projetos acadêmicos e de pesquisa focados no famoso septeto.

Muito se teme pelo futuro, mas logo se vê que a geração que desponta agora é altamente politizada e muito mais preocupada com o todo do que se pensa. Pode parecer estranho para quem vê de fora, o carinho e a dedicação dessas jovens com um grupo de homens sul-coreanos que canta em uma língua diferente do português. Mas o efeito que a união entre essas pessoas têm demonstrado no todo é, no mínimo, impressionante - e nos dá esperança pelo o que vem por aí.