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A pandemia transformou o setor farmacêutico? Nem tanto, afirmam os analistas

·3 min de leitura
Vacina da Pfizer/BioNTech contra a covid-19 (AFP/Nhac NGUYEN)

A covid-19, que abalou o planeta e criou novas necessidades na área de saúde, mudou totalmente o setor farmacêutico? Embora alguns laboratórios tenham vencido, a pandemia não alterou tanto o panorama.

Certamente existe um "antes e depois" da covid na indústria farmacêutica, afirmam os analistas do setor.

"Há 18 meses se criou um mercado que representa 60 bilhões de dólares. E o bolo é dividido principalmente entre três atores", explica Loïc Plantevin, analista em saúde da consultoria Bain & Company.

Entre os três pilares figura a americana Pfizer, que no ano passado era o oitavo laboratório do mundo em termos de receita, de acordo com o site Fierce Pharma.

Com 42 bilhões de dólares, a empresa estava longe da líder, a também americana Johnson & Johnson (US$ 82 bilhões, entre as atividades exclusivamente farmacêuticas e as marcas gerais, como os curativos) ou da suíça Roche (US$ 62 bilhões).

Mas o coronavírus provocou uma disparada nas vendas do grupo. A Pfizer prevê que a vacina com tecnologia de RNA mensageiro desenvolvida em parceria com a alemã BioNTech permitirá alcançar 36 bilhões de dólares de receitas este ano.

"Há muitos anos não era registrado um crescimento assim de um laboratório farmacêutico consolidado", comenta Sel Hardy, analista do centro de pesquisas CFRA.

Como a BioNTech, o laboratório americano Moderna mudou totalmente de categoria: nunca havia comercializado nenhum produto e agora pode ter uma receita de entre 15 e 18 bilhões de dólares em 2021 graças a sua vacina de RNA mensageiro.

A nível global, a covid alterou o setor das vacinas, que até agora era dominado por quatro gigantes: as americanas Pfizer e Merck Sharp & Dohme (MSD), a britânica GSK e a francesa Sanofi, que antes da pandemia concentravam 90% do mercado em valor, de acordo com a EvaluatePharma.

Mas com a covid-19 emergiram pequenos laboratórios, como Moderna, BioNTech, além de Novavax ou Valneva.

Para os tratamentos, no entanto, nenhuma destas empresas menores conseguiu uma boa posição. Mas para quem conseguir desenvolver um produto, a receita pode ser astronômica.

A MSD prevê até o fim de 2022 um faturamento de até 7 bilhões de dólares em vendas de seu comprimido antiviral, o molnupiravir. Outro grupo americano, Gilead Science, registrou no terceiro trimestre vendas de quase 2 bilhões de dólares do antiviral remdesivir.

- Pressão nos preços -

Novamente, nem Sanofi ou Novartis figuram entre os mais adiantados. Isto quer dizer que o panorama mudou? "Embora algumas empresas como Roche, Novartis, Sanofi e GSK não estejam na linha de frente das vacinas ou dos tratamentos contra a covid-19, é difícil dizer que perderam", afirma Mikaela Franceschina, analista da Third Bridge.

Ela explica que os grandes laboratórios "concentraram os recursos em outros âmbitos, nos quais podem criar valor. Cada um destes atores encontrou seu espaço e triunfou em várias doenças".

A respeito da covid, ainda é muito cedo para determinar se campanhas anuais de vacinação serão necessárias, como a gripe.

Loïc Plantevin afirma que "no mercado dos tratamentos, as coisas não mudaram tanto: por exemplo, os hipertensos sempre precisam de medicamentos".

Na Europa, as receitas das empresas farmacêuticas "permanecem relativamente estáveis em comparação ao ano passado", afirma a agência de análise de mercados Scope Ratings em um relatório.

Também é necessário observar se a tecnologia de RNA mensageiro, que se estava sendo desenvolvida há anos sem grande sucesso, servirá para outras aplicações.

BioNTech e Moderna "têm a chance de entrar para o clube das 'big pharma' caso invistam o dinheiro em outras especialidades médicas, como a oncologia, a imunologia...", afirma a Scope Ratings.

E outro elemento que poderia impactar as receitas dos grupos farmacêuticos, segundo Loïc Plantevin, é que o "custo de saúde representado pela covid terá que ser absorvido de uma forma ou outra".

"Isto criará uma forte pressão das autoridades de saúde sobre os preços dos tratamentos menos inovadores", prevê.

lem-jum/soe/eb/es/dbh/fp

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