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Pandemia se agrava nos EUA e Brasil; balanço mundial supera 65 milhões de casos

Redações da AFP
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Médico examina paciente de covid-19 em hospital de campanha em Belém (Pará), em 3 de dezembro de 2020

A pandemia de coronavírus provocou mais de 1,5 milhão de mortes no mundo, infectou 65 milhões de pessoas e está acelerando nos Estados Unidos e no Brasil, que superou a barreira de 175.000 mortes, enquanto vários países preparam os planos para uma vacinação em larga escala.

Desde que a pandemia foi detectada na China em dezembro de 2019, o planeta registra 65.202.960 casos e 1.507.480 mortes, de acordo com o balanço atualizado pela AFP nesta sexta-feira (4), com base em números oficiais dos países.

E, desde 24 de novembro, a média mundial supera 10.000 mortes por dia (12.658 na quinta-feira), um nível que nunca havia sido registrado.

País mais afetado com 276.401 óbitos provocados pela covid-19, os Estados Unidos registraram na quinta-feira mais de 210.000 contágios em 24 horas, o recorde absoluto desde o início da pandemia, apontam dados da Universidade Johns Hopkins.

Na Califórnia, as internações aumentaram 86% nos últimos 14 dias, informou o governador Gavin Newsom, que anunciou a proibição de reuniões e de atividades não essenciais para evitar o colapso dos hospitais.

As autoridades de saúde dos Estados Unidos advertiram que as viagens de milhões de americanos pelo Dia de Ação de Graças na semana passada poderiam provocar um aumento expressivo de casos - um "novo surto além do surto atual", como afirmou o imunologista Anthony Fauci.

Fauci, membro da unidade de crise de coronavírus da Casa Branca, mas alvo de ataques do presidente Donald Trump, foi convidado pelo presidente eleito Joe Biden para trabalhar com sua equipe de combate ao novo coronavírus.

- Dezembro complicado no Brasil -

Na quinta-feira, o Brasil registrou mais de 700 mortes em um dia pela primeira vez desde meados de novembro e superou a barreira de 175.000 vítimas fatais, de acordo com os números oficiais.

"Muito provavelmente esse aumento (em casos e mortes) deve continuar e se intensificar durante os feriados de Natal e Ano Novo. Teremos um dezembro complicado, mas janeiro tende a ser nitidamente pior", declarou à AFP o infectologista Julio Croda, da Universidade de Mato Grosso do Sul (UFMS).

O estado de São Paulo reverteu seu processo de flexibilização na semana passada, e um comitê científico recomendou nesta semana que o Rio de Janeiro feche todas as escolas e proíba a permanência das pessoas nas praias, entre outras medidas.

O México registra mais de 108.000 mortes. E as internações permanecem em alta na capital. O Panamá (171.219 casos e 3.141 mortos) registrou na quarta-feira 2.028 novos contágios, um recorde em um país de pouco mais de quatro milhões de habitantes.

- Vacinação a ponto de começar -

O Reino Unido, país mais afetado da Europa com 60.113 mortes, anunciou o início da vacinação na próxima semana para os residentes e funcionários de casas de repouso. Na quarta-feira, o país foi o primeiro no mundo a aprovar o uso da vacina desenvolvida pelos laboratórios Pfizer e BioNTech.

A agência reguladora de medicamentos britânica se defendeu nesta sexta-feira das críticas a sua rápida aprovação da vacina Pfizer/BioNTech.

"Nenhuma vacina seria autorizada no Reino Unido se não cumprisse as normas de segurança, qualidade e eficácia", afirmou a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA, na sigla em inglês) em um comunicado.

"Todas as vacinas são submetidas a testes clínicos sólidos que atendem às normas internacionais", acrescenta a nota.

Ontem, o imunologista americano Anthony Fauci disse que a MHRA "precipitou a aprovação". Mais tarde, porém, pediu desculpas: "Tenho grande confiança no que o Reino Unido está fazendo, tanto cientificamente quanto em termos de regulamentação", declarou à rede BBC.

Tanto Pfizer/BioNTech quanto Moderna - que prevê disponibilizar entre 100 milhões e 125 milhões de doses de sua vacina contra a covid-19 no primeiro trimestre de 2021, a grande maioria para os Estados Unidos - solicitaram a aprovação da Agência de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) americana.

Em caso de autorização, as duas vacinas poderão estar disponíveis no país antes do fim do ano.

Biden e os ex-presidentes americanos Barack Obama, George W. Bush e Bill Clinton anunciaram que estão dispostos a tomar a vacina em público para estimular seus compatriotas a fazerem o mesmo.

Na Rússia, o presidente Vladimir Putin pediu que a vacinação gratuita em larga escala comece no fim da próxima semana.

Desenvolvida pelo centro de pesquisas Gamaleya de Moscou, a vacina Sputnik V está na terceira e última fase de testes clínicos, com a participação de 40.000 voluntários.

Os cientistas que desenvolveram a vacina russa afirmam que tem 95% de eficácia, assim como a da Pfizer/BioNTech.

O Cazaquistão, que também está desenvolvendo sua própria vacina, anunciou que começará a produzir a Sputnik V em 22 de dezembro e iniciará a vacinação em 2021.

- Polêmica na Grécia -

Na Europa, há situações díspares. A Itália registrou o recorde de quase 1.000 mortes em 24 horas, e o governo anunciou medidas mais rígidas para os deslocamentos durante as festas de fim de ano.

Na França (326 mortes na quinta-feira, 54.140 no total), a vacinação será gratuita para todos, anunciou o primeiro-ministro Jean Castex.

Na Bélgica, o governo também anunciou a intenção de começar a vacinar os mais vulneráveis em janeiro.

Na República Tcheca, lojas, restaurantes e museus reabriram na quinta-feira. A Grécia decidiu prolongar o confinamento por mais uma semana, depois que o governo considerou as taxas de infecção ainda elevadas.

Por este motivo, viralizou e criou polêmica a foto do primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis, posando sem máscara ao lado de cinco ciclistas, que conheceu durante um passeio um passeio de mountain bike a mais de uma hora de carro de Atenas, em pleno confinamento.

Na Suécia, que decidiu fechar as escolas do ensino médio por um mês, a segunda onda da epidemia está no ponto máximo, depois que o país aplicou, de início, uma estratégia essencialmente não coercitiva.

Nesta sexta-feira, o comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio, adiados por 12 meses devido à pandemia do novo coronavírus e previstos para julho de 2021, anunciou que o evento terá um custo adicional de 267 bilhões de ienes (US$ 2,4 bilhões).

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