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Pandemia levou desemprego a recorde em 19 estados e no DF, diz IBGE

NICOLA PAMPLONA
·3 minuto de leitura

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A pandemia do novo coronavírus levou a taxa de desemprego a recordes em 19 estados e no Distrito Federal, informou nesta quarta (10) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). As maiores taxas foram verificadas em estados do Nordeste e as menores, no Sul. Os dados do IBGE confirmam também que mulheres e negros foram mais penalizados pela crise no mercado de trabalho. Jovens e brasileiros com menor escolaridade também tiveram taxa de desemprego superior à média nacional. No ano, a taxa de desemprego ficou em 13,5%, a maior desde 1993, segundo levantamento da consultoria iDados. No quarto trimestre, a taxa de desemprego no país foi de 13,9%, a maior para o período de toda a série histórica do IBGE, iniciada em 2002. Em termos absolutos, o número de brasileiros em busca de uma vaga chegou à média de 13,4 milhões em 2020, 840 mil a mais do que o observado em 2019 e a maior marca da série histórica da Pnad. No ano, 7,3 milhões de pessoas perderam o emprego no país, com a população ocupada chegando a 86,1 milhões, o menor número da série. Pela primeira vez, menos da metade da população em idade para trabalhar estava ocupada no país. Segundo o IBGE, as maiores taxas de desemprego em 2020 foram verificadas na Bahia (19,8%), Alagoas (18,6%), Sergipe (18,4%) e Rio de Janeiro (17,4%), enquanto as menores com Santa Catarina (6,1%), Rio Grande do Sul (9,1%) e Paraná (9,4%). Em São Paulo, a taxa foi de 13,9%, também recorde para o estado, mas bem mais próxima da média do país. O nível de ocupação ficou abaixo de 50% em 15 estados, incluindo todos da região Nordeste. Em Alagoas, apenas 35,9% das pessoas em idade para trabalhar estavam ocupadas em 2020. No Rio de Janeiro, apenas 45,4% tinham um trabalho. A redução da ocupação foi bastante impactada pela queda do trabalho informal, mais afetado pelas medidas de distanciamento social. A taxa média de informalidade no país ficou em 38,7% em 2020, 2,4 pontos percentuais abaixo do registrado em 2019. Ao todo, 39,9 milhões de brasileiros estavam ocupados em trabalhos informais no ano. O grupo inclui trabalhadores sem carteira assinada, trabalhadores domésticos sem carteira, empregador sem CNPJ, trabalhador por conta própria sem CNPJ e trabalhador familiar auxiliar. “A queda da informalidade não está relacionada a mais trabalhadores formais no mercado. Está relacionada ao fato de trabalhadores informais terem perdido sua ocupação ao longo do ano", disse a gerente da pesquisa do IBGE, Adriana Beringuy. Os dados do último trimestre reforçaram a desigualdade nos impactos da pandemia no mercado de trabalho. Enquanto a taxa de desemprego entre os homens foi de 11,9%, entre as mulheres foi de 16,4%. A diferença entre a taxa dos dois casos se ampliou em relação aos trimestres anteriores. Já entre as pessoas pretas, a taxa foi de 17,2%, enquanto a dos pardos foi de 15,8%, ambas acima da média nacional. Já a taxa dos brancos (11,5%) ficou abaixo da média, disse o instituto. Entre os grupos etários, os jovens foram os mais afetados pelo desemprego no quarto trimestre. No grupo das pessoas de 18 a 24 anos, por exemplo, a taxa de desemprego ficou em 29,8%. Brasileiros com ensino médio incompleto também tiveram desemprego maior do que a média, com 23,7%. Na outra ponta, a taxa do grupo de pessoas com nível superior completo foi de apenas 6,9%. O quarto trimestre de 2020 foi o último em que houve liberação do auxílio emergencial. Desde setembro, porém, o valor foi reduzido para R$ 300, ante os R$ 600 pagos nos meses anteriores. Com a redução, a taxa de desemprego passou a sofrer maior pressão, com mais gente em busca de uma vaga. No quarto trimestre, o rendimento médio real dos brasileiros foi de R$ 2.507, queda de 4,2% em relação ao trimestre imediatamente anterior (R$ 2.616) e aumento de 2,8% em relação ao mesmo trimestre de 2020 (R$ 2.240).