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Pandemia faz captação da poupança bater recorde em 2020, com R$ 166,3 bi

LARISSA GARCIA
·4 minuto de leitura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Com o auxílio emergencial e com a queda do consumo em decorrência do isolamento social, os depósitos em caderneta de poupança superaram os saques em R$ 166,3 bilhões em 2020, maior valor da história. Os dados foram divulgados pelo BC (Banco Central) nesta quinta-feira (7). A captação líquida --diferença entre entradas e saídas-- no ano foi 134% maior que o número mais alto registrado na série histórica do BC, iniciada em janeiro de 1995, de R$ 71 bilhões em 2013. Em relação a 2019 (R$ 13,2 bi), o número foi 12 vezes maior. Benefícios do governo, como saque do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), e o auxílio emergencial, podem explicar a alta nos depósitos durante a pandemia, já que foram pagos por meio de conta-poupança digitais da Caixa Econômica Federal. Além disso, com o fechamento dos comércios nos meses mais críticos da crise sanitária, as pessoas consumiram menos e depositaram mais recursos na modalidade. "Temos agora um cenário de fim do auxílio emergencial em que o nível de pobreza vai atingir o maior patamar desde 2012, então esse dado é um alento, na medida em que mostra que o brasileiro poupou durante a crise", pontua o economista Marcelo Neri, diretor do FGV Social. Houve também um movimento chamado pelo BC de poupança precaucional, no qual os consumidores adiaram compras e guardaram dinheiro preocupados com incertezas quanto ao fim da pandemia e à situação econômica do país. "Tivemos em nove meses de auxílio o equivalente a nove anos de Bolsa Família. Também tivemos em 2020 mais de 12 vezes a captação líquida da poupança em relação a 2019. É importante ponderar que a caderneta é praticamente o único ativo ao qual o pobre tem acesso", disse Neri. Ao todo, os brasileiros depositaram R$ 3,1 trilhões na caderneta em 2020, maior valor da série. Os saques também bateram recorde no ano, com R$ 2,9 trilhões. O plano do governo e do BC é que, com o fim do auxílio emergencial, os recursos depositados na poupança retornem à economia como forma de consumo e que compensem o estímulo exercido pelo benefício na atividade. "A mobilidade ficou prejudicada na pandemia e dificultou que as pessoas saíssem para comprar. Elas pouparam muito e, portanto, vão usar agora esse dinheiro. Isso colaborou para que o governo não levasse adiante a discussão sobre a prorrogação do auxílio emergencial. O alto nível de poupança não deixa de ser uma boa notícia", destacou o economista e professor da USP, Paulo Feldmann. Apenas em dezembro, a captação líquida da poupança foi de R$ R$ 20 bilhões. No mês, os depósitos e os saques bateram novo recorde, com R$ 339,8 bilhões e R$ 319 bilhões, respectivamente. Desde abril, a captação líquida vinha registrando seus maiores níveis, mas voltou aos patamares observados antes da crise sanitária em outubro. Com a flexibilização do isolamento social e a reabertura dos comércios, as pessoas voltaram a consumir e, por isso, sacaram mais recursos da poupança, o que contribuiu para a queda da captação líquida. No último mês do ano, no entanto, é comum que a poupança tenha captação mais elevada com o pagamento do 13º salário aos trabalhadores, o que é considerado um movimento sazonal. A diferença entre depósitos e saques na caderneta foi de R$ 1,4 bilhão em novembro, queda de 80% em relação ao mês anterior, menor valor desde a chegada do novo coronavírus ao Brasil. No ápice da crise, em abril, a captação líquida da poupança bateu recorde, com R$ 30,4 bilhões. O resultado foi superado em maio, com R$ 37,2 bilhões, o maior valor mensal da série histórica até agora. O saldo da poupança fechou acima de R$ 1 trilhão em 2020. O estoque total aplicado na modalidade alcançou a marca pela primeira vez na história em setembro. A poupança rende a Taxa Referencial (TR), hoje zerada, mais 70% da Selic, que está em 2% ao ano. A regra prevê que, quando a taxa básica de juros estiver acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será 0,50% ao mês, mais TR. Caso a taxa Selic esteja menor ou igual a 8,5% ao ano, o investimento é remunerado a 70% da Selic, acrescida da TR.