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Pandemia de Covid-19 diminui atendimentos oftalmológicos e reflete na saúde ocular do brasileiro

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Pandemia de Covid-19 diminui atendimentos oftalmológicos e reflete na saúde ocular do brasileiro
Pandemia de Covid-19 diminui atendimentos oftalmológicos e reflete na saúde ocular do brasileiro

Neste sábado (10), é celebrado o Dia da Saúde Ocular. Assim como em 2020, neste ano, a data é negativamente marcada pela pandemia de Covid-19. Dados do DataSUS mostram queda no atendimento das duas principais causas de deficiência visual no país: falta de óculos e catarata.

As prescrições de óculos pelo SUS, que hoje atende 77% da população, diminuíram 61% entre janeiro e abril deste ano em relação ao mesmo período de 2019. Nos mesmos intervalos, a queda das cirurgias de catarata foi de 49%.

exame oftalmológico
Os atendimentos oftalmológicos, bem como as prescrições de óculos e cirurgias de catarata, apresentaram queda em 2020 e 2021, em razão da pandemia. Imagem: Olena Yakobchuk – Shutterstock

Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, o medo da Covid-19 e a lotação dos hospitais justificam esse declínio. O especialista afirma que a catarata, que opacifica o cristalino (lente interna do olho), responde por 49% dos casos de perda da visão entre brasileiros, conforme pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), contra o índice global de 35%.

Entre os quase 1,6 milhões de brasileiros que não enxergam, a catarata atinge 769 mil deles, deixando o Brasil em primeiro lugar em cegueira por essa patologia. “O país é o primeiro no ranking de cegueira por catarata porque a doença surge a partir dos 60 anos, e, em 10 anos, a população nessa faixa etária passou de 11,5 milhões para 29,4 milhões”, explica Queiroz.

De acordo com o médico, até 2025, devemos ser 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, “mas as cirurgias oferecidas pelo SUS não devem acompanhar este crescimento”, estima.

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O gargalo criado pela pandemia fez a catarata progredir e dificultar atividades corriqueiras de muitas pessoas que perderam o plano de saúde e buscaram pela cirurgia parcelada. Queiroz diz que não tem como prevenir a doença, mas usar óculos com proteção ultravioleta e evitar o excesso de sal, que cria depósitos no cristalino, pode adiar o desenvolvimento.

Saúde ocular de crianças piorou com excesso de computador na pandemia

Recente estudo apresentado à The Lancet, feito com 115 crianças argentinas de setembro a dezembro de 2020, aponta aumento de 30% a 40% na miopia dos participantes durante a pandemia.

Substituição das aulas presenciais pelo aprendizado online pode induzir à dificuldade de enxergar à distância, afirma especialista. Imagem: Dollydoll29 – Shutterstock
Substituição das aulas presenciais pelo aprendizado online pode induzir à dificuldade de enxergar à distância, afirma especialista. Imagem: Dollydoll29 – Shutterstock

Queiroz afirma que, de fato, a substituição das aulas presenciais pelo aprendizado online pode induzir à dificuldade de enxergar à distância. Uma pesquisa que coordenou com 360 crianças que passavam horas no computador apontou miopia em 21% contra a prevalência de 12%. “Isso acontece porque os músculos ciliares entram em espasmo e os olhos passam a ter dificuldade de enxergar de longe”, explica.

E não é apenas a exposição às telas de computadores e tablets que interferem na saúde dos olhos. O especialista diz que o confinamento na pandemia também pode contribuir. Afinal, as crianças passaram a ficar menos tempo em contato direto com a luz do Sol, e a radiação UV, segundo Queiroz, estimula a produção da dopamina, hormônio que controla o alongamento do olho, maior no míope.

De acordo com o oftalmologista, o Sol também enrijece a esclera e, por isso, evita que a córnea se torne mais curva, outra característica dos olhos míopes.

Ele diz que a última novidade para controlar a miopia é uma lente de contato que diminui em 60 a progressão da doença, por meio de uma engenharia que controla o alongamento do olho.

“Os responsáveis devem ficar atentos a sinais que indicam dificuldade de enxergar nas crianças, como, por exemplo, apertar os olhos, se aproximar muito das telas, cair com facilidade e evitar atividades em grupo”, recomenda Queiroz.

Um levantamento feito com professores e pais de 36 mil alunos de escolas públicas que participaram de um programa social promovido pelo Instituto Penido Burnier mostra que, depois de um ano usando óculos, 51% das crianças tiveram melhora no rendimento escolar. Além disso, 57% passaram a se concentrar mais, 36% ficaram menos agitadas e todas elas deixaram de sentir dor de cabeça.

Para manter a saúde ocular, é recomendável passar por exames periódicos, independentemente da idade, “porque todas as gerações estão ficando muito tempo online e isso pode alterar a prescrição dos óculos”, diz o médico.

“Nem todas as doenças oculares são percebidas no início e muitas podem levar à perda definitiva da visão. Por isso, as consultas periódicas podem evitar um mal maior”, conclui.

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