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Pandemia ampliou risco de depressão, principalmente em jovens

·4 min de leitura

RIO — Um dos efeitos colaterais da pandemia de Covid-19 foi o impacto que ela causou na saúde mental das pessoas mundo afora. Os brasileiros sofreram bastante com a necessidade de ficar em isolamento, tendo que lidar com o medo de se infectar, perder alguém querido para o vírus e até de ficar desempregado.

Uma pesquisa do Datafolha feita em agosto constatou que 44% dos brasileiros apresentaram sintomas de ansiedade ou depressão no período. E a maioria deles (56%) eram jovens com idades entre 16 e 24 anos. O levantamento foi encomendado pela Abrata (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos) e pela Viatris, empresa global de saúde, para o Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio.

A OMS estima que 280 milhões de pessoas no mundo tenham depressão. E cerca de 5% da população mundial de adultos com mais 20 anos são diagnosticados com o transtorno. A depressão é um problema multifatorial, tendo causas genéticas (predisposição) e bioquímicas (deficiência de neurotransmissores como a dopamina e serotonina), e muitas vezes desencadeada após a vivência de uma situação traumática.

— Temos uma quantidade de fatores estressantes neste um ano e meio de pandemia. Juntando com outros que já existiam, fazem com que as populações, em especial as mais vulneráveis, tenham mais possibilidade de desenvolver ansiedade e depressão. E a maior parte da população jovem se encontra neste grupo de pessoas por uma série de razões. Uma delas é porque algumas das estratégias que usamos para lidar com o estresse nós aprendemos mais tarde — pondera Ilana Pinsky, psicóloga consultora da Organização Mundial da Saúde (OMS) e coautora do livro “Saúde emocional: Como não pirar em tempos instáveis”.

Um relatório produzido pela empresa de análise de dados Bites mostrou que 2021 foi o ano em que os brasileiros mais pesquisaram sobre ansiedade e síndrome do pânico online. Em agosto, a procura no Google por termos relacionados à ansiedade foi quase cinco vezes maior do que o registrado no mesmo mês em 2014. O pico histórico da curiosidade em relação ao tema foi em abril deste ano. As buscas relacionada ao pânico é quase cinco vezes maior do que em janeiro de 2004.

Na avaliação do psiquiatra Wimer Bottura Junior, presidente do comitê de adolescência da Associação Paulista de Medicina, o estilo de vida dos jovens hoje é um estimulante para a depressão.

— Se você tem muitas alternativas, na hora que se escolhe uma, você exclui infinitas outras. E isso gera uma certa angústia, uma insegurança. Questionamentos assim sobrecarregam o cérebro, gerando estresse — afirma.

Outro fator apontado pelo psiquiatra é a superproteção dos pais, que sempre se antecipam às dores dos filhos, não deixando que eles aprendam a lidar com frustrações e angústias.

— Essas pessoas foram criadas como se o mundo as devesse alguma coisa. Elas esperam muito dos outros, que aqueles a sua volta adivinhem e saciem suas expectativas. Portanto, essas pessoas passam mais raiva. E para controlar a raiva se gasta serotonina — explica Bottura Junior, referindo-se ao neutransmissor que em baixa quantidade pode desencadear a depressão.

Segundo a OMS, cerca de 700 mil suicídios ocorrem anualmente no mundo. Trata-se da quarta causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos. E a maioria dos episódios está ligada a alguma questão de saúde mental. Depressão, transtorno bipolar e abuso de álcool e outras drogas são os problemas mais comuns em quem decidiu tirar a própria vida.

A impulsividade da juventude e a falta de bagagem psicológica para lidar com os problemas são algumas das explicações para que o suicídio seja recorrente nessa faixa, alega Pinsky. Porém, idosos e populações vulneráveis, como indígenas, LGBTQIA+, médicos, policiais e membros das forças armadas, também demonstram alta incidência no país.

— É importante ressaltar que quem pensa em suicídio quase sempre dá sinais, mas a maioria das pessoas não está preparada para identificá-los — alerta Alexandrina Meleiro, psiquiatra e membro do Conselho Científico da Abrata.

Muitas vezes a pessoa que pensa em cometer suicídio verbaliza esse desejo, tanto claramente, ao dizer “quero morrer”, por exemplo, como de forma indireta, ao expressar que “não aguenta mais” ou “não quer mais continuar assim”. Outros sinais que podem servir de alerta são relacionados à depressão, como perda do prazer naquilo que antes a pessoa amava fazer. Além disso, o transtorno afeta também o sono (a pessoa dorme demais ou fica com insônia), a alimentação (fica sem comer ou come compulsivamente) e o humor.

Uma das melhores formas de ajudar é chamando a pessoa para conversar. A pesquisa do Datafolha mostrou que 52% das pessoas discordam que falar sobre suicídio deve ser evitado, ou seja, sinal de que o tabu está diminuindo. Mas nem todo mundo é receptivo a essa abordagem. Nesse caso, é melhor não tocar no assunto diretamente, mas questionar como a pessoa está se sentindo, procurar saber se está comendo e dormindo bem e oferecer ajuda em relação às queixas.

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