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Pandemia ampliou desigualdades de renda e diminuiu indicador de felicidade no Brasil

·4 minuto de leitura

BRASÍLIA – As desigualdades sociais e de renda foram ampliadas no Brasil durante o primeiro ano da pandemia da Covid-19 no país, e os indicadores de felicidade estão no menor ponto da série histórica. As informações fazem parte de análise da FGV Social divulgada nesta segunda-feira, que apontam que os impactos mais fortes na diminuição de renda e bem-estar foram sentidos pela parcela mais pobre da população.

O trabalho do economista Marcelo Neri, diretor da FGV Social, mostra a escalada da desigualdade a partir da diminuição da renda efetiva obtida com o trabalho e o aumento das percepções negativas.

O índice de Gini, que mensura a concentração de renda, atingiu o nível mais elevado da série histórica, iniciada em 2012, no primeiro trimestre de 2021. Ao mesmo tempo, a renda média encolheu, no geral, 10,89%, mas o recuo foi maior para os 50% mais pobres: esse grupo perdeu 20,81% da renda, quase duas vezes mais do que a média.

Essas reduções são efeitos da perda de ocupação (desemprego e participação trabalhista), principal responsável pela diminuição do poder de compra médio dos brasileiros, que não foi compensado pelas medidas de transferência de renda, como o auxílio emergencial.

— A informalidade caiu e não foi uma boa notícia. Aquele colchão contra a crise, da pessoa que faz um bico quando desempregado, não funcionou. O sujeito que tinha um emprego informal foi jogado na miséria. E tem o lado psicológico: dinheiro não compra tudo. A pessoa que não está trabalhando tem outras perdas, porque desemprego e felicidade caminham em direções opostas – afirma Neri.

Felicidade em queda

Os indicadores de felicidade, ainda que subjetivos, também recuaram no país como um todo, e mais notadamente entre a parcela mais pobre. Para mensurar a felicidade geral, a FGV faz uma pesquisa para avaliar a satisfação com a vida presente. Em 2020, o Brasil encerrou o ano com nota de 6,1, o menor ponto da série histórica iniciada em 2006.

A queda na percepção de felicidade está diretamente relacionada à perda de renda: o levantamento da FGV mostra que toda a queda de felicidade foi concentrada no grupo dos 40% mais pobres, cuja nota passou de 6,3 em 2019 para 5,5 no ano passado. Para os grupos de brasileiros com faixas de renda mais elevada, não houve mudança significativa. Os indicadores para a faixa dos 20% mais ricos variou de 6,8 para 6,9 no período.

Nesse caso, também a desigualdade da felicidade aumentou entre pobres e ricos: a diferença entre os extremos, que era de 7,9% em 2019, subiu para 25,5% durante a pandemia.

— Os 40% mais pobres no Brasil estão em outro mundo, e não era assim antes da pandemia. A comparação entre países também mostra o tamanho do desastre que foi a forma como lidamos com a pandemia, e é uma foram de captar o lado psicológico desses efeitos, que a gente sente no nosso dia a dia – diz o pesquisador.

Neri comparou o desempenho do Brasil a de outros países, a partir de dados do Gallup World Poll. Enquanto a nota da satisfação da vida presente do brasileiro recuou de 6,5 em 2019 para 6,1 em 2020, a nota dos demais países ficou no mesmo patamar de 6 ao longo da pandemia.

O economista ainda aponta que, além da queda da felicidade se relacionar com renda e IDH, as sensações cotidianas que não são características associadas aos brasileiros pioraram mais aqui do que em outros países.

Ao comparar indicadores subjetivos de raiva, estresse, preocupação e tristeza, Neri constatou que, percentualmente, mais brasileiros afirmavam se sentir dessa forma do que moradores de outros países. De outro lado, o indicador de divertimento recuou mais no Brasil do que em outros países, na comparação de períodos antes e durante a pandemia.

— Sempre lidamos mal com problemas coletivos – hiperinflação, violência, desigualdade, problemas urbanos –, são o caos da sociedade brasileira que a gente acostumou a viver. A pandemia é um derradeiro teste de ações coletivas, e os dados sugerem que a gente está falhando, vis a vis com outros países, apesar de o Brasil ter gastado quase 10% do PIB em ações emergenciais – avalia.

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