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Pandemia afetou negativamente 62,4% das empresas até o fim de junho, diz IBGE

Gabriel Vasconcelos e Alessandra Saraiva

Até o fim do mês passado, o Brasil possuía 2,77 milhões de empresas em funcionamento

Rovena Rosa/Agência Brasil

Entre as empresas que resistiam à crise e permaneciam abertas até o fim de junho, 62,4% — 1,72 milhões de negócios — tiveram suas atividades afetadas negativamente pela pandemia. Para 22,5% delas os efeitos foram pequenos ou inexistentes e 15,1% relatou avanços. Até o fim do mês passado, segundo o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística (IBGE), o Brasil possuía 2,77 milhões de empresas em funcionamento.

Os dados são da segunda edição da pesquisa Pulso Empresa, do IBGE, que tenta mensurar os impactos da crise sanitária em empresas não financeiras. As empresas do setor de serviços foram as que relataram maiores prejuízos, 65% delas. Nesse universo, o destaque vai para o segmento de serviços prestados às famílias (86,7%).

No comércio, 64,1% relataram efeitos negativos, enquanto na construção, 53,6%, e, na indústria, 48,7%. Do total de empresas, pouco mais da metade, ou 50,7% das empresas, relataram queda nas vendas da segunda quinzena de junho. Parcela próxima (52,9%) disse ter tido dificuldades em realizar pagamentos no mesmo período e 43,9% adiaram pagamentos de impostos.

Entre as empresas que permaneciam abertas até o fim da segunda quinzena de junho, 411 mil, ou 14,8% de 2,77 milhões, promoveram demissões. Dessas empresas, 61,8% diminuíram em até 25% seu pessoal, faixa de corte predominante independentemente do porte das empresas pesquisadas.

78,6% (2,2 milhões) das empresas em funcionamento mantiveram o número de funcionários na segunda quinzena de junho em relação à quinzena anterior e 6,3% aumentaram o número de empregados. Entre as medidas adotadas para atenuar a crise, 12,4% das empresas conseguiram linha de crédito emergencial para pagar a folha de funcionários.

Apoio do governo durante a crise

Entre as empresas que adotaram medidas para conter os prejuízos causados pela pandemia, 60,8% ou 1,68 milhão não receberam nenhum apoio do governo, enquanto 39,2%, receberam alguma ajuda.

A percepção do auxílio estatal é maior conforme aumenta o porte das empresas. Entre os negócios com até 50 funcionários, 39% disseram ter recebido ajuda. Essa parcela aumenta para 49,6% entre empresas de médio porte (de 50 a 499 empregados) e para 51,6% entre as de grande porte, com mais de 500 funcionários.

O rol de medidas pesquisadas pelo IBGE inclui 10 iniciativas possíveis. As mais relatadas são: campanhas de informação e prevenção empreendidas por 86,1% das empresas; adiamento de impostos (43,9%); adoção de trabalho domiciliar (42,5%); mudança na venda e entrega de serviços, incluindo serviços online; antecipação de férias (28%); lançamento de novos serviços ou produtos (13,5%) e obtenção de linha de crédito emergencial para pagamento da folha salarial.

Um total de 1,21 milhão de empresas recorreram ao adiamento de impostos. Desse universo, 70,4% teriam contado com ajuda do governo para este fim. Já com relação à obtenção de crédito emergencial para pagamento da folha, conseguido por 344,9 mil empresas, essa proporção vai a 76,4%. Em ambos os casos, o percentual de ajudados é maior entre empresas de grande porte (77,4% e 85,7%), enquanto empresas de médio e pequeno porte vêm abaixo com percentuais mais parelhos entre si.

Entre os setores da economia, o de serviços foi o que relatou a maior intensidade de ajuda estatal na pandemia, com 43,4% de suas empresas tendo recebido algum apoio do governo na segunda quinzena de junho. Nesse sentido, se destaca o segmento de serviços prestados às famílias (70,4%), transportes (43,8%) e serviços de comunicação e informação (42,6%).

Entre os empresários prestadores de serviços às famílias, 87,7% conseguiram adiar impostos com o aval do governo e 74,6% recorreram à linhas de crédito emergenciais para pagar funcionários.

O crédito para folha de pagamento, entretanto, foi mais frequente em outros segmentos, como Comércio de veículos, peças e motocicletas (100%) e comércio por atacado (92,1%). Mesmo no setor de serviços, essas linhas de crédito foram mais usadas por transportes (97,7%), serviços profissionais e administrativos (85,6%) e serviços de informação e comunicação (83,5%).

No comércio, 38,5% das empresas receberam alguma ajuda do Estado, percentual próximo do verificado na indústria (39,0%). Na construção, essa parcela é de somente 11,7% das empresas.

Regionalmente, a presença do Estado no socorro foi mais sentida no Sudeste, onde 41% das empresas relataram ajuda. Em seguida, aparece a região Sul (39%), seguida do Nordeste (38%) e Norte (36%). No Centro-Oeste, o percentual dos empresários que receberam algum auxílio estatal cai para 29%.