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Palestinos cancelam acordo para receber 1 mi de vacinas prestes a vencer de Israel

·6 minuto de leitura

RIBEIRÃO PRETO E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Horas depois de o governo de Israel anunciar, nesta sexta (18), um acordo para enviar mais de 1 milhão de doses de vacinas contra a Covid que estavam prestes a vencer para a Cisjordânia, a Autoridade Palestina desistiu do arranjo porque não teria tempo suficiente para aplicar o imunizante antes que eles expirassem.

A decisão pode aumentar ainda mais as tensões entre os dois lados, em um momento no qual as relações já estão estremecidas devido aos conflitos recentes na região. O cancelamento também gera mais uma crise para o premiê israelense, Naftali Bennett, no cargo há menos de uma semana.

Segundo a ministra da Saúde da Autoridade Palestina, Mai al-Kaila, as primeiras 100 mil doses enviadas por Israel tinham prazo de vencimento mais próximo do que o que havia sido negociado. “Eles tinham nos dito que a data de vencimento era julho e agosto, o que nos daria bastante tempo para aplicá-las. Mas, na verdade, era junho, então não teríamos tempo suficiente. Por isso rejeitamos”, afirmou ela a jornalistas.

O porta-voz da Autoridade Palestina, Ibrahim Milhim, disse que a entidade não iria aceitar doses prestes a expirar e que mandará de volta para Israel as vacinas já enviadas para a Cisjordânia.

O governo israelense ainda não se pronunciou sobre o cancelamento, mas durante o anúncio do acordo já havia afirmado que os imunizantes estavam próximos do vencimento —sem, no entanto, divulgar publicamente qual seria a data exata da validade dos fármacos. De acordo com o comunicado inicial de Israel, o país deveria enviar entre 1 milhão e 1,4 milhão de doses da vacina fabricada pela Pfizer em breve.

O arranjo também previa que os palestinos teriam até o final do ano para devolver o mesmo número de doses, à medida que recebessem seus próprios lotes. Por isso, o pacto tinha sido criticado por muitos palestinos nas redes sociais, que afirmavam que Israel iria enviar um produto de segunda categoria para a Cisjordânia e, depois, receberia as vacinas em melhores condições.

Segundo o anúncio oficial, o envio só era possível porque o estoque de vacinas de Israel é suficiente para atender às necessidades imediatas do país, e os palestinos deveriam retribuir a entrega em setembro ou outubro. “O coronavírus não reconhece fronteiras ou diferenças entre os povos”, escreveu o ministro da Saúde israelense, Nitzan Horowitz, ao confirmar a negociação. “Este importante movimento de troca de vacinas é do interesse de todos. Espero que leve a uma maior cooperação em outras áreas.”

A ministra da Saúde da Autoridade Palestina tinha confirmado o acordo, embora tenha dito que o trato nasceu de uma negociação com a Pfizer, e não com Israel. Segundo ela, os palestinos receberiam ao todo 4 milhões de doses —incluindo as de Israel. Com o cancelamento, não está claro quando os palestinos vão começar a receber o imunizante diretamente da Pfizer.

Durante a negociação, Israel teria exigido que nenhuma vacina fosse enviada à Faixa de Gaza, região controlada pelo Hamas, facção radical que os israelenses consideram terrorista e que coprotagonizou o conflito encerrado com um cessar-fogo há um mês. Embora seja a representante oficial dos palestinos em entidades internacionais, a Autoridade Palestina, na prática, só tem domínio sobre parte da Cisjordânia.

Ainda de acordo com a ministra, Israel também se opôs à ideia de que o contrato fosse assinado pelo Estado da Palestina —o reconhecimento do território como um Estado é uma das questões centrais nos conflitos entre palestinos e israelenses.

A campanha de vacinação em Israel segue em ritmo acelerado, e 59,49% de sua população já recebeu as duas doses do imunizante contra o coronavírus, de acordo com dados do monitor Our World in Data, ligado à Universidade de Oxford.

O país, porém, tem recebido críticas pela suposta falta de esforços para garantir que os palestinos também tenham acesso à proteção —até agora, apenas 4,89% deles estão completamente vacinados. De acordo com o Ministério da Saúde palestino, 436 mil pessoas receberam ao menos uma dose, e 260 mil, as duas. Em Israel, os números absolutos são, respectivamente, 5,49 milhões e 5,15 milhões.

Apesar dos apelos de organizações de direitos humanos, de uma petição apresentada à mais alta instância da Justiça e das recomendações de especialistas para que Israel invista em uma ampla campanha de imunização dos palestinos, as autoridades israelenses alegam que, segundo acordos internacionais, os palestinos são os responsáveis pela vacinação na Cisjordânia.

Para o grupo israelense Physicians for Human Rights, no entanto, o país tem a obrigação moral e legal de garantir a saúde dos habitantes dos territórios sob seu controle. "O fato de que até agora Israel enviou apenas algumas vacinas é uma vergonhosa renúncia de sua responsabilidade."

Mais cedo, antes que o acordo tivesse sido cancelado, a entidade já tinha afirmado que ele era deficitário. Em uma publicação nas redes sociais, afirmou que era "altamente duvidoso" que os palestinos conseguissem utilizar as doses antes do vencimento e pediu que as vacinas também fossem entregues em Gaza, onde o temor de novos conflitos ressurgiu após troca de ataques entre o Exército e o Hamas.

Até agora, a Autoridade Palestina depende principalmente de doações para imunizar a população. A China doou 100 mil doses aos palestinos. A Rússia, 58 mil. Israel também já doou um lote de 5.000 doses do fármaco da Moderna e de 200 doses da Pfizer para profissionais de saúde. O país também vacinou outros 100 mil palestinos que mantêm contato regular com israelenses em seus locais de trabalho.

A Faixa de Gaza, por sua vez, recebeu 50 mil doses do Covax Facility, consórcio criado para distribuir imunizantes a países de renda baixa e média, mais 50 mil doses dos Emirados Árabes Unidos, que retomaram as relações com Israel no ano passado, e mil doses da própria Autoridade Palestina.

Enquanto Israel retirou quase todas as restrições que haviam sido impostas para conter a propagação do coronavírus, os territórios palestinos vivem seu pior momento desde o início da pandemia nos meses de março e abril, quando atingiu picos de mais de 2.800 casos por dia.

Atualmente, a média móvel é de 188 infecções diárias, mas a comparação com Israel considerando os tamanhos das respectivas populações evidencia o contraste entre os cenários epidemiológicos dos dois territórios. Nas regiões palestinas, a média móvel nesta quinta-feira (17) foi de 36,85 novos casos de Covid-19 por milhão de habitantes; o mesmo índice em Israel é de 1,93.

Segundo a imprensa israelense, o acordo anunciado nesta sexta, apesar de não ter avançado antes, teria sido idealizado ainda durante o governo do ex-premiê Binyamin Netanyahu. Bibi, como ele é conhecido, deixou o comando do país no último domingo (13), depois de ser derrotado por uma coalizão formada por oito partidos, que vão da esquerda radical à direita nacionalista.

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