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Países ricos limpam estoques e deixam pobres sem vacina; 9 de cada 10 pessoas dessas nações poderão não acessar imunizante

Redação Notícias
·5 minuto de leitura
Volunteers wait to be checked at a vaccine trial facility for AstraZeneca at Soweto's Chris Sani Baragwanath Hospital outside Johannesburg, South Africa, Monday Nov. 30, 2020. With Americans, Britons and Canadians now rolling up their sleeves to receive coronavirus vaccines, the route out of the pandemic now seems clear to many in the West, even if the rollout will take many months. But for poorer countries, the road will be far longer and rougher. (AP Photo/Jerome Delay)
Até o momento, o consórcio Covax assegurou 700 milhões de doses das principais vacinas em desenvolvimento, a serem distribuídas entre 92 países que participam do consórcio (Foto: AP Photo/Jerome Delay)

A chega das vacinas contra a Covid-19 trouxe esperança e euforia para as pessoas no Brasil e no mundo. Mas nem todos serão beneficiados com o imunizante. Isso porque a maior parte das doses produzidas foram compradas pelos países mais ricos, deixando boa parte da população global no final da fila.

Os países ricos já garantiram até agora mais da metade das doses das vacinas que estão em testes clínicos e chegarão ao mercado até o fim do ano que vem. A diferença na corrida pela imunização fará com que algumas nações mais pobres só consigam vacinar 20% da sua população, enquanto as mais ricas teriam estoque suficiente para vacinar seus habitantes várias vezes.

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Enquanto os países mais ricos, que representam 14% da população global, já garantiram 53% de todas as vacinas mais promissoras até agora — suficiente para vacinar até três vezes suas populações —, 67 países em desenvolvimento, sendo alguns figurando entre os mais pobres do mundo, só terão vacinas suficientes para imunizar uma em cada 10 pessoas em 2021.

Para se ter ideia, se todas as doses que esses países reivindicaram forem administradas, teriam condições de vacinar seus cidadãos duas veze no Reino Unido; os EUA poderiam fazê-lo quatro vezes; o Canadá seis vezes, de acordo com análise do New York Times feita com base em contratos coletados pela Universidade Duke, Unicef e Airfinity, uma empresa de análise científica.

Desigualdade das vacinas

Esse é o cenário atual, segundo análise feita pela Oxfam, juntamente com outras organizações, como Anistia Internacional e Justiça Global, dos acordos entre os países e oito fabricantes de vacinas.

“Não bastasse a compra da maior parte das vacinas pelos países mais ricos, no Brasil ainda enfrentaremos a falta de planejamento do governo federal e disputas políticas que podem afetar diretamente a proteção da população”, afirma Maitê Gauto, gerente de programas e incidência da Oxfam Brasil.

A vacina da Pfizer/BioNTech já recebeu aprovação na Grã-Bretanha e a vacinação já foi iniciada. Outras duas vacinas, da Moderna e Oxford/AstraZeneca, aguardam aprovação. A vacina russa Sputnik apresentou resultados positivos nas últimas testagens e outras quatro vacinas estão na fase clínica 3.

Até o momento, todas as doses da vacina da empresa Moderna e 96% do produto da Pfizer/BioNTech foram adquiridas pelos países mais ricos. Por outro lado, 64% das doses da vacina Oxford/AstraZeneca estará disponível para populações de países em desenvolvimento. No entanto, isso só garantirá a vacinação de cerca de 18% da população global em 2021.

Os acordos com a Oxford/AstraZeneca foram feitos em sua maioria com países como China e Índia, o que significa que a maioria dos países mais pobres não fizeram ainda acordos para obter a vacina.

Além disso, a Oxfam destaca que há imenso financiamento público no desenvolvimento dessas vacinas. Os produtos da Oxford/AstraZeneca, Moderna e Pfizer/BioNTech por exemplo receberam mais de US$ 5 bilhões em financiamento público. “Por isso essas empresas devem agir no interesse público global”, afirma a organização.

Alternativas para lidar com desigualdade

De acordo com a Oxfam, para ampliar a vacinação em todo o mundo — e tentar reduzir as desigualdades das vacinas — garantindo a segurança da população global, as empresas farmacêuticas que estão produzindo a vacina contra a Covid-19 têm que compartilhar suas tecnologias e abrir mão da propriedade intelectual em favor do consórcio Covax da Organização Mundial de Saúde (OMS), criado para produzir doses suficientes para todos. O consórcio já conta com adesões de peso, como a China, mas ainda não tem capacidade suficiente para atender a demanda da maioria dos países.

A organização também defende que os imunizantes sejam considerados bens públicos globais, sendo assim gratuitos à população, distribuídos de maneira justa, com base na necessidade das pessoas e priorizando aquelas que estão em situação de maior vulnerabilidade.

Um primeiro passo para que a vacina contra a covid-19 esteja disponível a um maior número de pessoas possível seria apoiar a proposta feita pela África do Sul e Índia na Organização Mundial de Comércio (OMC) para que os direitos de propriedade intelectual para vacinas, testes e tratamentos sejam suspensos até que todos e todas estejam protegidos.

De acordo com o jornal The New York Times, alguns especialistas preveem que demorará até 2024 para que haja doses para todos. Outros, pensam que quanto mais pessoas adoecerem e conquistarem imunidade natural, a necessidade diminuirá e o fornecimento já seria adequado no final de 2022.

Como se chegou ao resultado

Todos os dados são baseados no fato de que são necessárias duas doses para a vacinação, exceto a vacina da Johnson & Johnson, que requer apenas uma dose. Os cálculos foram feitos com base nos dados da Airfinity, em novembro de 2020.

A estatística “9 em 10 pessoas não terão vacinas em 67 países” tem como base o fato de que 30 países de baixa renda e 37 países com renda média só terão acesso a vacinas pelo consórcio mundial Covax, da OMS.

Nesses 67 países não estão incluídos Brasil, Indonésia e Vietnã, que fecharam acordos bilaterais com fabricantes de vacinas. Até o momento, o consórcio Covax assegurou 700 milhões de doses das principais vacinas em desenvolvimento, a serem distribuídas entre 92 países que participam do consórcio.

Para o cálculo, essas 700 milhões de doses foram divididas pelas populações dos 92 países integrantes do consórcio (3,6 bilhões de pessoas) e pela dosagem dupla da vacina que é necessária para cada pessoa.