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Pais de crianças com câncer sonham com a vacina contra a Covid-19: 'A vacinação é um ato de amor'

·4 min de leitura

No dia em que o Rio inicia a campanha de imunização infantil contra a Covid-19, pais e mães de crianças que realizam tratamentos no Instituto Nacional de Câncer (Inca) intensificam a torcida para que seus filhos estejam aptos a receber doses da vacina. É o caso da pequena Giovana Vitória, de 6 anos, que há cinco meses passa por sessões de quimioterapia para combater uma leucemia descoberta no último ano. A queda de imunidade provocada pelo tratamento contra o câncer faz com que seja necessária uma série de exames, além de autorização médica para a aplicação das doses. Mesmo em meio a mais uma internação da filha, a mãe de Giovana, Flávia do Carmo, não perde a esperança de vê-la vacinada em breve.

— Sonho ver a minha filha curada do câncer e imunizada contra a Covid. Mesmo porque, quando ela receber a autorização para a vacina, é sinal de evolução do quadro clínico contra a leucemia. Enquanto eu torço para que minha filha receba a vacina, ainda sem poder, vejo pais e mães que não vão imunizar os seus filhos. Na minha opinião, levar os filhos para a vacinação é uma prova de amor e, em breve, eu estarei levando a minha também — diz.

Além do Rio, outras 11 capitais iniciarão a campanha de vacinação hoje: São Paulo, Curitiba, Maceió, Teresina, Goiânia, Cuiabá, Belém, Manaus, Rio Branco, Macapá e Porto Velho. Na capital fluminense, a vacinação vai acontecer pelo critério de idade, dos meninos e meninas de 11 anos para os mais novos.

"O maior presente"

Moradora de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Giovana inicia hoje uma nova internação no Inca, no Centro do Rio, onde será submetida a mais sessões de quimioterapia. Até o fim do mês, um novo exame pode significar a autorização para que ela receba a vacina. Também no Inca, o pequeno Pedro Rodrigues, de 10 anos, passou por tratamento recente e, diante dos bons resultados dos exames, recebeu a liberação médica para ser vacinado.

— Já fui (vacinado) antes, nem dói. Vários amigos meus já foram e, agora, vou falar para eles que fui. A gente não tem que ter medo de vacina, não — diz Pedro, que também tem leucemia, mas diz ser corajoso para enfrentar a agulha e os tratamentos necessários para a evolução clínica. — O médico fala que eu não tenho medo de nada, o meu pai também sempre diz isso. E eu não tenho mesmo. Quero jogar futebol e lutar judô com os meus amigos de novo, quando estiver curado e sem o coronavírus por aí — completa.

O pai dele, Jorge Rodrigues, conta que a confirmação de que o filho poderia receber e dose contra a Covid-19 veio no dia em que completou 45 anos.

— Foi o maior presente que eu poderia ganhar. Em breve, quero receber a notícia de que o meu filho está curado do câncer. Enquanto isso não acontece, comemoro, sim, a notícia de que a vacina vai ser aplicada e que, em caso de contaminação, qualquer sintoma da Covid-19 vai ser mais brando. Eu sei o tamanho da agonia de não poder vacinar um filho, em meio a uma pandemia. Não percam esta chance e vacinem seus filhos. É tudo o que peço. No bar, no trabalho, na fila do banco, sempre peço para que os pais imunizem seus filhos — diz.

Até 9 de fevereiro, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio planeja imunizar 560 mil crianças entre 5 e 11 anos. A vacina para crianças já é aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 16 de dezembro.

O Brasil recebeu ontem o segundo lote de vacinas da Pfizer para as crianças. A remessa tem 1,248 milhão de doses e chegou às 11h ao Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP). O carregamento foi encaminhado ao centro de distribuição do Ministério da Saúde, em Guarulhos (SP), antes das entregas aos estados. O número de doses é igual ao do primeiro lote de vacinas, que chegou ao Brasil no último dia 13.

Em nota, a Pfizer informou o envio de mais 1,818 milhão de vacinas em 27 de janeiro, o que deve fazer com que o total entregue no mês chegue a 4,314 milhões de doses.

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