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Paes critica ação policial no Jacarezinho e diz que política de segurança pública é 'inexistente e falha'

·2 minuto de leitura

RIO — O prefeito Eduardo Paes voltou a criticar, nesta sexta-feira, a operação da Polícia Civil do Rio na Favela do Jacarezinho, na Zona Norte da cidade, que deixou 25 pessoas mortas. Para ele, a situação é resultado de uma política de segurança pública "inexistente e falha". Paes destacou que "isso submete policiais a risco e permite que o crime se alastre". O prefeito disse que conversará com o governador Cláudio Castro sobre a ação policial:

— A Cidade da Polícia, que reúne toda a inteligência da polícia, fica em frente ao Jacarezinho. Como está dominado pelo poder paralelo? Devíamos ter saído com 25 pessoas presas. Essa é a oportunidade grande de fazer uma ocupação permanente no Jacarezinho. A reação à ação de ontem não pode ser tão radical no sentido inverso, de permitir que o crime lá se alastre. Mas também não podemos dar voz a esses loucos que acham que se pode invadir a casa de um cidadão comum e promover violência. É preciso um ponto de equilíbrio nessa história. O monopólio da força precisa ser do estado. Vou conversar hoje com Cláudio Castro que precisamos restabelecer isso. Ninguém tem que andar com fuzis ou outras armas, como a que vitimou um agente do estado ontem, por lá.

Paes informou que escolas tiveram que ser fechadas no Jacarezinho por causa do confronto que começou no início da manhã e continuou até a tarde.

— Entendam por que a porcaria da escola tem que abrir (desculpem o "porcaria"). Dezoito escolas fecharam ontem no Jacarezinho por causa da operação. Precisamos educar nossas crianças — disse.

O prefeito citou ainda outra região da cidade que tem a rotina ditada pela violência: a Vila Aliança, na Zona Oeste. Ele contou que teve que cancelar uma visita à região no último sábado por questões de segurança:

— Isso é normal? É normal uma decisão da Suprema Corte que impede todas as ações policiais num local? Por outro lado, é normal uma ação que, em contraponto, invade a comunidade e promove violência? Precisamos de um meio-termo.

Para Paes, é preciso que o acesso de policiais às comunidades seja liberado e as ações que foram alvos de denúncias de abusos, investigadas.

— Faço aqui um apelo ao STF (Supremo Tribunal Federal): se há uma intervenção a ser feita, não é tirando o bode da sala. Se há uma irregularidade, precisa ser investigada e punida. Mas que decisão é essa que diz que a polícia não pode entrar no local? Se não pode entrar porque mata, é porque o estado é assassino. Se é assassino, que seja punido — afirmou.