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‘Pacificador’ ou ‘office-boy’ de Bolsonaro: Gestão de Alcolumbre no Senado divide opiniões

Ana Paula Ramos
·3 minuto de leitura
BRASILIA, BRAZIL - SEPTEMBER 01: Davi Alcolumbre, President of the Brazil Senate, and Jair Bolsonaro, President of Brazil, gesture during launch of the Programa Norte Conectado (North Connected program) amidst the coronavirus (COVID-19) pandemic at the Planalto Palace on September 01, 2020 in Brasilia. Brazil has over 3.950,000 confirmed positive cases of Coronavirus and has over 122,596 deaths. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
Davi Alcolumbre foi considerado um "conciliador" e "pacificador" durante sua presidência no Senado (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)

Davi Alcolumbre (DEM-AP) deixou na segunda-feira a presidência do Senado como vitorioso. Graças ao seu poder de articulação, conseguiu eleger seu candidato, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) como presidente da Casa para os próximos dois anos (2021-2022). O senador mineiro conseguiu também o apoio do presidente Jair Bolsonaro, que ofereceu cargos e liberação de emendas em troca de votos para seus candidatos nas eleições do Congresso.

Prova disso é que negociou um arco de alianças em torno da candidatura de seu apadrinhado com 10 partidos, DEM, PT, PP, PL, PSD, PSC, PDT, Pros, Rede e Republicanos.

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Eleito em fevereiro de 2019, o recém-senador vinha do baixo clero da Câmara dos Deputados e venceu a disputa pela presidência da Casa contra Renan Calheiros (MDB-AL), que queria se tornar presidente pela quinta vez. A eleição, então, tornou-se um embate entre a nova e a velha política.

A gestão de Alcolumbre foi marcada pela “conciliação”. Enquanto presidente do Senado, ele evitou criticar o presidente Jair Bolsonaro e adotar medidas que desagradasse ao Executivo ou ao Judiciário.

Em seu discurso de despedida, Davi Alcolumbre destacou sua “atuação conciliadora” em relação aos demais representantes dos Poderes da República. Segundo ele, houve um esforço para assegurar a continuidade das relações institucionais em um “ambiente saudável e democrático”.

“Nos conflitos mais acirrados, trabalhei para evitar que crescessem as posições mais radicais. Eu me coloquei como uma ponte de consenso, buscando conciliar, recuando e avançando para evitar o confronto entre as instituições, fortalecendo o diálogo e a democracia”, declarou.

A senadora Kátia Abreu (PP-TO), antigo desafeto, concorda e elogiou Alcolumbre por “manter a paz” e viabilizar os trabalhos da Casa.

“Se tivéssemos falhado com o país e aberto CPIs, o Congresso iria paralisar. Não teríamos feito nem 10% [do que fizemos]. Temos que mostrar à população que há coisas mais importantes”, defendeu.

Se, por um lado, essa atitude de “pacificação” foi elogiada, por outro, foi vista como submissão ao Palácio do Planalto.

Em discurso no plenário, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) chamou Alcolumbre de “office boy” do presidente da República.

"E o que o senhor foi nesses dois anos, me desculpe a sinceridade, foi literalmente ser um office boy do presidente Jair Bolsonaro. E eu imagino que o candidato de Davi vai ser boy de luxo, não será independente e será também subserviente. O senhor não teve coragem, nas entrevistas e nas declarações, de falar o que a nação brasileira espera de um presidente do Senado, e esperou nesses dois anos, como a [abertura] de CPIs, pedidos de impeachment e projetos corajosos, todos engavetados", disse o senador.

Além de não abrir nenhuma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), em outro gesto ‘afável’ ao Planalto, Davi Alcolumbre blindou o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no Conselho de Ética por conta da acusação de “rachadinhas”.

O filho 01 de Bolsonaro é acusado de se apropriar de parte do salário de assessores quando era deputado na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Também não deu andamento ao processo de cassação do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), vice-líder do governo flagrado pela Polícia Federal com dinheiro escondido na cueca. O senador inclusive reassume o mandato no próximo dia 18 de fevereiro.

Além disso, no último mês de sua gestão, Alcolumbre arquivou 38 petições para impeachment de autoridades do Judiciário, a maior parte delas de ministros do STF.

O senador agora tem duas opções: assumir a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa ou tornar-se ministro do governo Bolsonaro. Entre os possíveis ministérios na mira do ex-chefe do Legislativo estão Desenvolvimento Regional e Secretaria de Governo.