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Países ricos iniciam corrida para novo comando da OCDE

William Horobin
·2 minuto de leitura

(Bloomberg) -- A corrida para preencher uma vaga no centro da formulação da política econômica mundial se transforma em um novo campo de batalha para o futuro da globalização.

Angel Gurria se aposenta no próximo ano como secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, com sede em Paris, e o governo de Washington quer indicar Christopher Liddell, vice-chefe de gabinete do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como sucessor.

A OCDE atua como auditora da globalização, definindo políticas e estabelecendo padrões em áreas como tributação, comércio e educação. Atualmente conduz negociações contenciosas sobre impostos digitais que estão à beira de implodir em uma guerra comercial transatlântica. Liddell enfrenta a concorrência de candidatos europeus do outro lado da questão, como a ex-comissária de comércio da UE, Cecilia Malmstrom.

Os países membros têm até 1º de novembro para apresentar um candidato. Na quarta-feira, a Suíça indicou Philipp Hildebrand, da BlackRock, ex-presidente do banco central do país.

“Esta é a organização multilateral mais importante da qual a maioria das pessoas nunca ouviu falar”, disse Daniel F. Runde, vice-presidente sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

A organização foi formalmente fundada em 1961, quando os EUA e o Canadá se juntaram ao que era originalmente um grupo europeu que conduzia o Plano Marshall após a Segunda Guerra Mundial. Embora ainda seja majoritariamente europeu, cresceu até se tornar um fórum global.

Sob a gestão de 15 anos de Gurria, a OCDE se expandiu ainda mais e assumiu um papel mais proativo, principalmente liderando o controle sobre paraísos fiscais após a crise financeira e trabalhando mais estreitamente com grandes países que não são membros, como China e Índia.

“Gurria tem sido o artesão de desenvolvimento da OCDE”, disse Françoise Nicolas, pesquisadora sênior do instituto francês de relações internacionais. “Quando chegou, não tinha a mesma aura; era um lugar misterioso e sufocante.”

John Llewelyn, que trabalhou em vários postos na OCDE por quase 20 anos, diz que a chave para a função é um equilíbrio cuidadoso entre pressionar os estados membros e preservar a neutralidade analítica da organização.

“Não é um posto fácil de preencher porque você realmente quer ser um líder intelectual até certo ponto, mas a secretaria tem que ser como o peixe-piloto com a baleia: na frente, mas não muito na frente”, disse Llewelyn.

O substituto de Gurria terá um assento na mesa principal das negociações de política global do G-20, apoiado por uma equipe de mais de 3 mil economistas, advogados e cientistas que operam no Chateau de la Muette, no oeste de Paris.

A decisão final sobre os candidatos será tomada até 1º de março, após entrevistas a portas fechadas e “consultas confidenciais” entre embaixadores junto à OCDE.

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©2020 Bloomberg L.P.