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Países que dependem de serviços sofrem mais pela pandemia, diz economista do FMI

(Arquivo) A economista-chefe do FMI, Gita Gopinath

A pandemia da COVID-19 gerou uma crise econômica mundial, mas os países que se sustentam em serviços, como o turismo, sofrem os maiores prejuízos - disse a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, nesta terça-feira (16).

Apesar da magnitude da devastação, os mercados financeiros sobem aparentemente desconectados do que acontece no mundo, escreve Gopinath em um blog.

"Pela primeira vez desde a Grande Depressão, tanto as economias avançadas quanto as emergentes estarão em recessão em 2020", afirmou.

"Crises anteriores, por mais profundas e severas que fossem, estiveram confinadas a menores segmentos do mundo", apontou.

E, enquanto a maioria das crises afeta o setor manufatureiro com a queda nos investimentos, os mercados de economias avançadas e emergentes estão sofrendo um prejuízo maior no setor de serviços, disse.

Na China, primeiro país a sair do confinamento, "a recuperação do setor de serviços está atrás do manufatureiro e de serviços, como hotelaria e viagens, que lutam para recuperar a demanda".

Gopinath considerou que a contenção de gastos dos consumidores poderia levar a uma rápida recuperação. Advertiu, no entanto, que "isso não é garantido em uma crise de saúde, pois os consumidores podem mudar sua política de gastos e minimizar a interação social e a incerteza pode fazer as famílias economizarem mais".

Essa é uma preocupação especial para as economias que dependem do turismo.

A economista também destacou a "chocante divergência dos mercados financeiros com a economia real", possivelmente alimentada pela injeção em massa de liquidez por governos e bancos centrais.

A economista-chefe do FMI alertou, porém, que os mercados podem ter "correções severas", se dados econômicos ruins, ou problemas de saúde, surgirem.

Mesmo em países que começam a emergir da estagnação econômica e do confinamento, "permanece uma profunda incerteza sobre o caminho da recuperação".