Mercado fechado

País gera mais de 313 mil vagas com carteira assinada em setembro

THIAGO RESENDE
·3 minuto de leitura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Foram criadas 313.564 vagas com carteira assinada no país em setembro. Esse, segundo o ministro Paulo Guedes (Economia), foi o melhor resultado da história para os meses de setembro. "É o maior ritmo de criação de empregos já registrado em qualquer setembro. Todos os setores, todas as regiões do Brasil criando novos empregos, o que configura o fenômeno na volta em 'V' da economia brasileira", afirmou Guedes, após a divulgação dos dados. A série histórica do levantamento começou em 1992. A recuperação em "V" é citada por ele no discurso de que, após o tombo no auge da crise econômica da Covid-19, a atividade no país irá avançar rapidamente. Apesar da recente retomada da geração de postos de trabalho, no acumulado de janeiro a setembro, o saldo ainda é negativo, com o desligamento de 558.597 trabalhadores. No mesmo período do ano anterior, foram gerados 761.776 novos empregos com carteira assinada. Guedes, no entanto, destacou que, em outros anos de queda do PIB (Produto Interno Bruto), o resultado foi pior. Em 2015, houve fechamento de 657.761 até setembro, e em 2016, 683.597 vagas foram cortadas no mesmo período. Na avaliação do secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, o desempenho de 2020, diante da pandemia, teve efeito do programa emergencial de preservação do emprego. Esse programa permite a redução de jornada do trabalhador, com corte proporcional no salário, e a suspensão temporária de contratos de trabalho. Isso, segundo o governo, evitou a demissão de aproximadamente 10 milhões de trabalhadores diante da crise econômica provocada pelo novo coronavírus. O custo desse programa, atualmente, está estimado em R$ 31,4 bilhões. "Mantivemos empregos e empresas. Isso significa que a nossa retomada fica mais simples, menos custosa, pela manutenção desses pilares fundamentais da economia", afirmou Bianco. Em 2020, o mercado de trabalho brasileiro apresenta, desde julho, uma recuperação após o fechamento de vagas no começo da crise do coronavírus —1,2 milhão de vagas desapareceram nos seis primeiros meses deste ano. Setembro foi o terceiro mês consecutivo de saldo positivo. Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), apresentados nesta quinta-feira (29) pelo Ministério da Economia, mostram que, em setembro, o país teve 1,379 milhão de contratações formais e 1,065 milhão desligamentos. Todos os setores da economia brasileira registraram criação de vagas em setembro. O resultado foi puxado pela indústria, com a abertura de 110.868 vagas. Em seguida, figuram serviços (80.481), comércio (69.239), construção (45.249) e agricultura (7.751). As cinco regiões do país registraram saldo positivo. Das 313,5 mil vagas abertas em setembro, a maior fatia foi registrada no Sudeste (128.094), seguida por Nordeste (85.336), Sul (60.319), Norte (20.640) e Centro-Oeste (19.194). Tradicionalmente, o período entre agosto e outubro concentra a maior parte de contratações de temporários nas fábricas para produzir as demandas das festas de fim de ano. Depois, principalmente em dezembro, o resultado costuma ser negativo por causa da dispensa desses trabalhadores. O governo espera que, apesar da crise da Covid-19, essa tendência continue em 2020. O Ministério da Economia, porém, não faz projeções para o desempenho do mercado de trabalho. Neste ano, o pior mês registrado pelo Caged foi abril, logo no início da pandemia. Em janeiro, foram gerados 114 mil empregos formais. Influenciado pela crise, o mercado de trabalho variou no ano: fevereiro (com saldo positivo de 224 mil), março (-268 mil), abril (-940 mil), maio (-362 mil), junho (-24 mil), julho (geração de 140 mil) e agosto (com saldo positivo de 244 mil).