Mercado fechado

S&P 500 supera projeções de estrategistas com diferença recorde

Lu Wang

(Bloomberg) -- Para outro exemplo do poder do rali das bolsas nos Estados Unidos, basta observar o nível atual do mercado acionário em relação às previsões das melhores e mais brilhantes mentes de Wall Street.

Após três semanas de ganhos que estão prestes a apagar as perdas no ano, o S&P 500 está perto de 3.200 pontos, ou 9% acima da projeção de 2.933, o nível médio em que estrategistas esperam que o índice termine 2020. Essa é a maior diferença registrada em dados da Bloomberg desde 1999.

Assim como uma série de analistas buy-side, estrategistas foram muito cautelosos ao estimar a velocidade da recuperação. O S&P 500 acumula alta de mais de 40% em relação à mínima de março em meio a estímulos do banco central e dados econômicos melhores do que o esperado, desafiando alertas sobre valuations elevados e colapso dos lucros. Na semana passada, o Nasdaq 100 subiu para máxima histórica, recuperando totalmente as perdas do mercado baixista deste ano.

Todos esses ganhos colocam pressão sobre analistas profissionais, que começaram o ano com uma visão cautelosa e se tornaram ainda mais pessimistas durante a paralisação da atividade causada pelo coronavírus. Alguns como Tobias Levkovich, estrategista-chefe de renda variável do Citigroup nos EUA, dizem que o ceticismo ainda é necessário.

O S&P 500 é negociado a 21 vezes o lucro projetado de US$ 150 por ação no próximo ano, um múltiplo que Levkovich considera alto. Ele mantém o preço-alvo de 2.700, dizendo que investidores ignoram riscos como uma segunda onda da Covid-19 e as próximas eleições presidenciais nos EUA.

No fechamento de sexta-feira, aos 3.193,93, o S&P 500 superou as metas para o fim do ano de todos estrategistas, com exceção de quatro, com base em pesquisa realizada com 18 analistas de Wall Street no mês passado. O mais pessimista, Maneesh Deshpande, do Barclays, espera que o S&P 500 encerre dezembro em 2.500 pontos, uma baixa de 22%.

“As expectativas de consenso são de uma recuperação dos lucros em forma de V, que achamos otimista demais”, disse Deshpande. “Além do crescente risco geopolítico em torno das tensões EUA-China, observamos que a atividade social ainda precisa aumentar e esperamos que o investimento seja reduzido, pois os riscos de uma segunda onda de infecções são altos.”

For more articles like this, please visit us at bloomberg.com

Subscribe now to stay ahead with the most trusted business news source.

©2020 Bloomberg L.P.