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Pânico no mercado: o que fazer após o Ibovespa cair 12% em um dia

Patricia Valle

O mercado de ações entrou em pânico na última segunda-feira (9) reagindo a queda de 24% no preço do barril do petróleo tipo Brent e ao avanço do Coronavírus na Europa. O índice Ibovespa fechou em queda de 12% e assustou muitos investidores.

A leitura do mercado financeiro é que a volatilidade deve continuar nos próximos dias, tendo espaço inclusive para novas quedas. Por isso, a recomendação é esperar a turbulência passar e ter paciência.

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Os analistas acreditam que o mercado deve continuar em oscilação nos próximos dias, já que ainda não se sabe o quanto pode durar a guerra de preços dos produtores de petróleo e a expansão do Coronavírus e seus efeitos. Mas dentro dessa conjuntura de pânico global, a recomendação é esperar uma sinalização mais clara do futuro.

“O momento é muito incerto para se tomar uma decisão. Estamos recomendando cautela. Vemos mais espaço para queda, não é o momento de vender e realizar a perda, nem de comprar”, afirma Henrique Esteter, analista da corretora Guide.

Momentos como esse já ocorreram outras vezes, esse foi o sexto circuit breaker da história da bolsa brasileira, e faz parte da volatilidade dos mercados.

“Esse momento é atípico, não vai durar para sempre. No longo prazo, nossa visão com bolsa é otimista. Já tivemos outros circuit breaker, e depois da queda, ela voltou a subir. Não será diferente. Mas, é difícil saber quando isso vai acontecer” afirma Rafael Panonko, chefe de análise da Toro Investimentos.

Com a queda na taxa de juros ao longo de 2019, chegando a 4,25% ao ano, muitos investidores foram se arriscar no mercado de ações para ter mais retorno. Mas, nem todos estavam preparados para esse risco e estão sentindo a volatilidade do mercado.

O alerta para os novos tomadores de risco e não entrarem no “efeito manada” comprando quando a bolsa está em alta e vendendo quando está em baixa tendo sempre prejuízo no mercado de ações.

“Penso que que a maneira mais adequada de se evitar o efeito manada, é saber que ele existe, como funciona, saber que somos falíveis. Seguimos colegas em pânico porque nos sentimos mais seguros errando com o grupo do que acertando sozinhos, mesmo que isso não nos pareça muito racional”, analisa Paula Sauer, planejadora financeira especialista em finanças comportamentais.

“O excesso de notícias negativas também leva as pessoas ao stress, ao medo, e mesmo sem entender bem o que está acontecendo, o investidor é levado por fatores emocionais, muitas vezes desconsiderando probabilidades e dados.”

É preciso ficar atento também se o nível de risco na carteira está confortável para o investidor. Os assessores financeiros pontuam que as pessoas que estão muito apavoradas com a queda nos seus investimentos provavelmente estão tomando mais riscos do que deviam pelo seu perfil. Esse é o momento de analisar o percentual de risco que se deseja ter na carteira.

“Tomar mais risco não quer dizer ganhar mais dinheiro automaticamente, como alguns investidores foram levados a crer. Quem está exposto a renda variável está tomando risco de ter dias como este. É importante ter uma posição em renda variável do tamanho do seu estômago”, afirma Arnaldo Curvello, sócio-diretor da Ativa Investimentos.

A primeira recomendação é não investir diretamente em ações, e sim, via fundos. Gestores profissionais conseguem lidar melhor com essas quedas do mercado e ver onde estão as oportunidades. E para quem deseja sair do risco tem outras opções no mercado, sem tantas oscilações. Aplicadores conservadores devem ter uma exposição limitada a renda variável, de cerca de 10%. 

“Se o cliente não está confortável não adianta segurá-lo em uma posição desconfortável. É melhor sair e ter consciência que vai realizar um prejuízo e investir em opções menos arriscadas. Como um fundo multimercado ou fundos imobiliários, que também são renda variável, mas tem menos volatilidade”, afirma Rodrigo Franchini, sócio e chefe de produtos da Monte Bravo.

E para quem provou e não gostou das emoções do mercado, o melhor pode ser ficar na renda fixa. Nesse caso, o crédito privado corporativo e papéis bancários isentos de imposto de renda (LCI/LCA) são as melhores opções.

As ações da petroleira Petrobras acumularam queda de 29,7% com a queda de 24% do preço do barril do petróleo tipo Brent. A análise do mercado é que a queda do preço leva diretamente a queda nos lucros da companhia.

Segundo o Banco do Brasil, em relatório, “para cada variação de US$ 5 nos preços do petróleo, a Petrobras seja afetada em US$ 3 bilhões em receitas”. O banco acredita que se os preços do petróleo persistirem abaixo de US$ 40/barril pode afetar os projetos da empresa e está revisando o preço da ação no momento, que estava em R$ 24. 

Para alguns analistas, essa pode ser uma oportunidade de compra.

“Os fundamentos da empresa estão bons. Ela reduziu endividamento e está produtiva. É um momento de captura de oportunidades. Mesmo que as ações continuem caindo, é interessante ir comprando nesse momento de baixa”, afirma Rafael Panonko, chefe de análise da Toro Investimentos.

Já as ações da mineradora Vale caíram 15,2%. Na avaliação dos analistas, a empresa está sentindo a expansão do Coronavírus, com a diminuição da demanda por minério com a paralisação da economia chinesa e global, o que é mais incerto como pode se desenvolver.

No entanto, nenhum setor ficou de fora do risco, com todas as ações da bolsa fechando em baixa nesta segunda-feira. E a volatilidade deve continuar.

“Não temos um risco estrutural na economia como teve em 2008. A expectativa agora é quais as medidas que devem ser tomadas pelos governos pelo mundo para conter o vírus e se a OPEP vai manter a guerra de preços. Enquanto isso, o mercado pode continuar em baixa”, diz Victor Hasegawa, gestor de ações da Infinity Asset.

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