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Páscoa traz chance de abocanhar renda extra com produção de ovos artesanais

Ana Clara Veloso
·7 minuto de leitura

Aos 38 anos, Josi Domingues deixou o trabalho de promotora de vendas há um mês para realizar seu sonho de empreender na confeitaria. Nesta Páscoa, ela pretende vender cem ovos de colher, que já começou a anunciar e entregará a partir da sexta-feira da Semana Santa. A época também traz uma boa chance para quem busca apenas obter uma renda extra na cozinha.

— No Natal, eu dei um pontapé, vendendo caixas para presente contendo quatro brownies recheados. E a Páscoa está chegando para ser um divisor de águas e fazer o meu negócio acontecer — conta Josi, que fez o curso de confeiteira no Senac RJ.

Ela aceita encomendas até 27 de março, de ovos que pesam aproximadamente 550g e custam para os consumidores R$ 45. O preço é considerado baixo em comparação aos produtos industrializados vendidos nos mercados — um dos atrativos dos produtos artesanais, aliás. E o consultor de varejo Marco Quintarelli acrescenta:

— A qualidade é diferenciada muitas vezes, com alto teor de cacau. São também produtos customizados, com decoração e recheios escolhidos pelo cliente — diz o consultor, que vê os itens suprindo também uma falta nos mercados: — Os estabelecimentos estão diminuindo a oferta de ovos de Páscoa pois os grandes players da indústria estão oferecendo menos ovos e mais chocolates em barra e bombom. Pelo nosso radar, nós acreditamos que tanto as boutiques de chocolate quanto os artesanais vão ter um incremento de vendas por isso.

Faltando pouco menos de um mês para a Páscoa, ainda dá tempo de se organizar para vender os doces. O primeiro passo deve ser fazer uma pesquisa de mercado e ver quais produtos estarão em alta e quais se adequam melhor ao seu público-alvo. Depois, é preciso fazer testes dos sabores e preparar uma ficha técnica de cada produto para facilitar na precificação. E aí é hora de divulgar os produtos, aponta Laís Almeida, instrutora do Senac RJ em cursos como Bases de Confeitaria, Cake Design, Doces Finos, entre outros.

— Para facilitar a divulgação, é legal fazer alguns sorteios. Atrai clientes e ajuda a fechar vendas antecipadas. Isso sempre deu muito certo para mim — sugere Laís: — Sempre no ato da reserva, eu peço ao cliente 50% do valor da encomenda, assim compro os insumos.

Como definir um mix de produtos

Para o primeiro passo, que é definir o mix de produtos a ser oferecido, a instrutora Laís Almeida tem dicas:

— Se é a primeira Páscoa, eu acho que o vendedor precisa ir no básico: bombons, ovos de Páscoa, barrinhas de chocolate recheadas e doces variados que podem ir em uma caixinha e compor um presente. Esses doces variados podem ser brownies, pão de mel, alfajor, que podem atrair todos os públicos. Se for alguém que já vende e tem clientela, ai precisa inovar e incrementar o portfólio.

Conhecer o público é fundamental para garantir que as apostas estejam de acordo com a capacidade financeira e o desejo dos clientes. A chef Carolina Sales, que dá cursos para quem quer aprender a fazer doces, exemplifica:

—Se vamos atuar para um público-alvo classe A-B que gosta de doces e entende um produto de alta qualidade, não terá aceitação um ovo de Páscoa a base de cobertura de chocolate com recheio de brigadeiro, sem uma embalagem realmente bonita. Não vai ter venda expressiva.

Produção barata e lucro de 200%

A troca de chocolates deve requerer um desembolso maior este ano. Bombons e chocolates ficaram 10,7% mais caros nos últimos meses, segundo acompanhamento do FGV Ibre. Um dos impactos vêm das embalagens, André Braz explica:

— Para os ovos de Páscoa, a indústria usa folhas, papel laminado, copo de plástico... Com a desvalorização da moeda nacional, os insumos ficaram mais caros e isso tem sido repassado nos preços finais dos produtos. Os ovos vão ter que embutir este custo e ficarão menos acessíveis para os menos favorecidos. Um ícone da Páscoa para poucos — lamenta.

Ainda assim, os produtos artesanais têm fama de custarem pouco aos empreendedores e aos consumidores, garantindo uma boa margem de lucro. Em média, o ganho é de 200% em relação aos gastos. E para começar a trabalhar não é difícil.

— Basta ter força de vontade, dedicação, chocolate, recipiente para derretê-lo, espátula, fogão ou microondas e forminhas de acetato. Esse é o kit básico que já dá para ter lucro — resume a também instrutora do Senac Vanessa Magalhães.

É possível também ir além dos doces nas cozinhas para empreender. De acordo com Quintarelli, a procura por refeições prontas deve crescer neste ano, já que mais famílias — isoladas por conta da pandemia — precisarão providenciar o almoço de sexta ou de domingo completos.

- Cinco passos para vender chocolates

Como regularizar o negócio

Faça consulta prévia - Em primeiro lugar, é preciso saber se o endereço de sua casa ou do ponto onde ocorrerá a produção permite a concessão do alvará para o negócio. Acesse: http://prefeitura.rio/web/riomaisfacilnegocios/principal.

Registro de Microempreendedor Individual - Sabendo que é possível, faça seu registro no endereço www.portaldoempreendedor.gov.br. Depois de obter o CNPJ, volte ao site da prefeitura e formalize o pedido do alvará de funcionamento. O MEI é uma figura jurídica que permite o cadastro de cozinheiros, doceiros ou fornecedores e vendedores de produtos alimentícios. Os impostos ficam em torno de R$ 50 por mês, e garante direitos previdenciários.

Licenciamento sanitário - O licenciamento sanitário também pode ser solicitado pelo site da prefeitura.

As tendências desta Páscoa

Segundo Laís Almeida, devem fazer sucesso: ovos planos, como se fossem uma barra em formato de ovo, ovos com casca de Brownie, ovos com confeitos na casca como chocolates, biscoitos e confetes. E, para o público infantil, kits de mini confeiteiros para montar seu próprio ovo.

A chef Carolina Sales acrescenta: "Ovos meia casca não saem de moda. Investimento certeiro".

Como precificar os produtos

Vanessa Magalhães ensina que para precificar, é importante saber seus custos fixos (luz, água, gás), custos variáveis (propaganda e embalagem específica por exemplo), sua mão-de-obra, e colocar uma margem de lucro. Mas uma dica rápida e prática é fazer a pesquisa de concorrência. Principalmente, dos concorrentes próximos, já que provavelmente o público é o mesmo que o seu.

Veja exemplos da chef Carolina Sales

Ovo ‘fit’ sem lactose (270g) - Custos: chocolate (R$4), brigadeiro sem lactose (R$5) e embalagem (R$20) Tempo de produção: cinco ovos em duas horas, aproximadamente. Preço sugerido para venda: R$ 98.

Ovo tradicional recheado com brigadeiro (270g) - Custos: chocolate (R$4), brigadeiro (R$4) e embalagem (R$20) Tempo de produção: cinco ovos em duas horas, aproximadamente. Preço sugerido para venda: R$98.

Bombom maciço - Custos: bombom (R$0,30), caixa para seis bombons (R$2 a R$6). Tempo de produção: 100 bombons em duas horas. Preço sugerido: o kit com seis pode variar entre R$11- R$20.

Novas formas de entrega

Principalmente em tempos de pandemia, o delivery é valorizado por quem não quer ir às ruas para fazer compras. Por isso, defina sua área de serviço e estude as opções mais rápidas e seguras para manter a qualidade do produto. Uma boa estratégia pode ser separar um dia da semana para fazer entregas em bairros próximos, se tiver carro. Neste caso, calcule quanto de combustível será gasto e estabeleça um frete que seja economicamente saudável. Sugerir o transporte em carro por aplicativo, às custas do cliente, também é uma opção.

Como divulgar o serviço

Laís Almeida recomenda apostar nos diferentes canais do online: "No Facebook, utilizo os grupos de vendas da localidade para atrair os clientes da região e também faço tráfego pago para direcionar meus produtos para quem está procurando por eles. O Instagram é nosso portfólio online, nosso cartão de visita e eu utilizo bastante foto dos meus produtos para chamar atenção. É legal que o vendedor crie fotos bonitas e que chamem a atenção do consumidor. Uma foto desfocada e com um fundo ruim prejudica nas vendas".