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Ouro tem outro dia de alta e anota nova máxima histórica de fechamento

Victor Rezende
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Aumento da tensão entre EUA e China elevou demanda por ativos considerados seguros; taxas de juros reais baixas e dólar mais fraco favorecem metal O contrato futuro de ouro encerrou os negócios desta sexta-feira em alta, apoiado pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e China, que elevou a demanda por ativos considerados mais seguros. O recuo dos rendimentos dos Treasuries e dos juros reais também contribuiu positivamente com o metal precioso, que ultrapassou a marca de US$ 1,9 mil durante a manhã e renovou máxima histórica de fechamento. Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato de ouro para entrega em agosto fechou em alta de 0,40%, negociado a US$ 1.897,50 por onça-troy. Na máxima do dia, o ouro tocou a marca de US$ 1.904,60. Ouro ultrapassa US$ 1.900 e Mobius recomenda ‘comprar agora’ Durante a madrugada, o governo chinês ordenou o fechamento do consulado americano em Chengdu, em retaliação à decisão da Casa Branca de fechar o consulado chinês em Houston, Texas. Pequim deu 72 horas para que os EUA executem a ordem e alegou que o corpo diplomático americano estava interferindo em assuntos internos do país asiático. As tensões entre as duas maiores economias do globo ajudaram a elevar a demanda por ativos seguros, como o ouro, e fizeram com que os juros dos Treasuries caíssem ainda mais. O recente aumento nas tensões sino-americanas dá algum apoio aos preços do ouro, mas o fator principal continua a ser a expectativa de aumento da inflação e os juros reais nas mínimas históricas, diz Carsten Fritsch, analista do Commerzbank. Ele nota que alguns investidores especulativos de curto prazo têm buscado participar do rali do ouro, o que pode ser um risco para o metal. “Se os preços continuarem aumentando no ritmo atual, haverá um risco claro de que a movimentação de preços pode se tornar desordenada.” Os analistas do Bank of America notam que os preços do ouro se movimentam em função, principalmente, das taxas de juros reais e do dólar. Com os dois em queda, o metal precioso tem se favorecido. O BofA acredita que o ouro terminará o ano em US$ 1,8 mil, mas projeta uma recuperação dos preços em 2021. “À medida que os mercados financeiros chegarem a um acordo com a perspectiva de estagnação do PIB dos EUA e o dólar estiver em declínio, os juros reais poderão afundar ainda mais. Essa combinação deve apoiar a recuperação do preço do ouro em um curso mais sustentável”, dizem. O BofA espera que o ouro termine 2021 em US$ 3 mil. Paul Taggart/Bloomberg