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Ouça a "música magnética" da Terra gravada durante uma tempestade solar

Daniele Cavalcante

Dados da missão Cluster, da ESA, que consiste em quatro naves na órbita terrestre para investigar o magnetismo do nosso planeta, permitiram a gravação da "canção" que a Terra emite quando é atingida por uma tempestade solar. Na verdade, a "música" é resultado de ondas geradas no campo magnético, que foram convertidas em áudio e, assim, forneceram sons bastante curiosos.

A tempestade solar é a erupção de partículas eletricamente carregadas e arremessadas da atmosfera do Sol. Essas ondas atingem nosso planeta, que, por sua vez, é protegido por um “escudo” — o campo magnético da Terra. Durante condições calmas na nossa órbita, a “canção” magnética também é calma, mas, quando há uma tempestade solar, o som atinge outras frequências.

Uma equipe liderada por Lucile Turc, ex-pesquisadora da ESA que agora está na Universidade de Helsinque, na Finlândia, analisou os dados do Cluster Science Archive, que fornece acesso a tudo o que a missão Cluster já coletou durante quase duas décadas de operação. Em suas viagens na órbita terrestre, as sondas passam repetidamente pelo foreshock — a primeira região que as partículas solares encontram quando uma tempestade solar atinge o nosso planeta.

O estudo descobriu que, no início da missão, entre 2001 a 2005, a sonda passou por seis dessas colisões de partículas, e registrou as ondas que foram geradas. A análise da equipe mostra que, durante essas colisões, o foreshock é acionado para liberar ondas magnéticas muito mais complexas do que se pensava. "Nosso estudo revela que as tempestades solares modificam profundamente a região", diz Lucile.

Quando as frequências dessas ondas magnéticas complexas são transformadas em sinais sonoros, elas dão origem a uma “música” estranha, que até se parece com efeitos sonoros de um filme de ficção científica.

Para comparar, ouça primeiro o áudio gerado pelas ondas magnéticas em condições tranquilas, quando nenhuma tempestade solar atinge a Terra. A “música” tem um tom mais baixo e menos complexo, com uma única frequência dominante.

Agora, confira o áudio das ondas magnéticas liberadas durante uma tempestade solar. A frequência da onda parece duplicada; as ondas resultantes dependem da força do campo magnético na tempestade. "É como se a tempestade estivesse mudando o ajuste do foreshock", explica Lucile.

Não apenas a frequência da onda muda, como também se torna muito mais complicada do que a frequência detectada quando tudo está calmo. Quando a tempestade atinge o foreshock, a onda entra em uma complexa rede de diferentes frequências mais altas. Simulações do foreshock foram feitas em computadores e demonstraram o intrincado padrão de ondas que aparece durante tempestades solares.

As mudanças no foreshock têm o poder de afetar a maneira como a tempestade solar é propagada até a superfície da Terra. Embora ainda não se saiba exatamente como esse processo funciona, a energia gerada pelas ondas no foreshock não pode escapar para espaço, pois elas são empurradas em direção à Terra pela tempestade solar.

Compreender o clima espacial é cada vez mais importante porque as tempestades solares podem causar danos significativos em sistemas eletrônicos e tecnologias no espaço, impactando também a superfície. E a missão Orbiter Solar da ESA, programada para lançamento em fevereiro de 2020, contribuirá bastante para essas pesquisas.

Fonte: Canaltech

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