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OSIRIS-REx revela mistérios sobre Bennu e fornece uma "tour" pelo asteroide

Daniele Cavalcante
·4 minutos de leitura

Faltam apenas 11 dias para que a sonda OSIRIS-REx realize a coleta de amostras do asteroide Bennu, após uma série de manobras complexas. Esta é a principal etapa da missão, mas a nave também coletou uma série de dados importantes sobre o objeto durante o tempo em que esteve por lá. Agora, os cientistas publicaram um conjunto de estudos que revelam detalhes interessantes.

São no total seis artigos, todos publicados na última quinta-feira (8) nas revistas Science e Science Advances. Neles, os cientistas da missão exploraram características do material que compõe a superfície do Bennu, bem como as características geológicas e a história da rocha espacial. A expectativa para o retorno da OSIRIS-REx com as amostras é cada vez mais alta, pois os pesquisadores suspeitam que elas possam ser diferente de tudo o que já vimos nos meteoritos que caem aqui na Terra.

Um dos artigos revela que há uma matéria orgânica espalhada pela superfície do asteroide, incluindo o Nightingale — o local onde a OSIRIS-REx fará a coleta de amostras no dia 20 de outubro. Essa matéria orgânica contém carbono, provavelmente em uma forma frequentemente encontrada em compostos associados à biologia. Essas moléculas despertam grande interesse de pesquisadores que buscam respostas sobre a origem da vida na Terra e quase certamente estarão presentes nas amostras que serão coletadas pela sonda, junto de minerais hidratados.

Os autores do artigo, liderados por Amy Simon, do Goddard Space Flight Center da NASA, dizem que os minerais carbonáticos formam algumas das características geológicas do asteroide. Eles costumam estar associados a sistemas hidrotérmicos que contêm água e dióxido de carbono. Hannah Kaplan, também do Goddard, liderou outro estudo, dessa vez focado nos carbonatos do Bennu. Suas descobertas apontam para a possibilidade de que o asteroide teve um passado no qual havia um sistema hidrotérmico extenso, onde a água interagia e alterava a rocha no corpo pai do Bennu.

Estamos falando do “corpo pai do Bennu” porque, de acordo com estudos anteriores, esse asteroide foi formado por destroços de outros objetos rochosos, principalmente do Vesta, considerado um dos maiores asteroides do Sistema Solar. Embora esses corpos originais tenham sido destruídos há muito tempo, os cientistas estão encontrando evidências de como eles eram. Algumas “veias” de carbonato nas rochas que formam o Bennu medem alguns metros de comprimento e vários centímetros de espessura, sugerindo que havia um sistema hidrotérmico de água em algum dos “pais” do Bennu.

Há outras descobertas interessantes, como o fato do regolito presente no Nightingale ter sido exposto ao ambiente espacial apenas no passado recente. Isso é uma ótima notícia, pois significa que o material ficou protegido abaixo da superfície, conservando suas propriedades que podem remontar do início do Sistema Solar — e é sobre essa época que os cientistas buscam pistas no Bennu. O Nightingale é uma cratera jovem, e conserva uma diversidade de características e diferentes materiais herdados dos corpos pais.

Fragmentos do asteroide Vesta encontrados na superfície do Bennu (Imagem: Reprodução/NASA/Goddard/University of Arizona)
Fragmentos do asteroide Vesta encontrados na superfície do Bennu (Imagem: Reprodução/NASA/Goddard/University of Arizona)

Outro artigo da coleção, liderado por DellaGiustina, distingue dois tipos principais de rochas na superfície do Bennu: o tipo mais comum é de rochas escuras e ásperas, enquanto a segunda categoria é de pedras brilhantes e lisas. É possível que esses tipos tenham se formado em profundidades diferentes, além de terem propriedades físicas distintas. Um estudo liderado por Ben Rozitis trabalhou mais nessas características, e mostra que as rochas escuras são mais fracas e porosas, enquanto as brilhantes são mais fortes e menos porosas, além de possuírem carbonatos.

A descoberta do tipo escuro e fraco de rochas é muito animador para os cientistas, pois essa categoria não é capaz de resistir a uma viagem para dentro da atmosfera terrestre. Em outras palavras, se um meteorito dessa natureza caísse por aqui, seria completamente carbonizado antes mesmo de chegar ao solo, então trata-se de um tipo raro de rocha espacial. Quando a OSIRIS-REx chegar na Terra com essas amostras, os pesquisadores terão em mãos uma grande novidade para se analisar nos laboratórios.

Também foi revelado pela coleção de artigos alguns detalhes sobre o campo gravitacional do Bennu. A análise mostra que o interior do objeto não é uniforme, mas existem bolsões de materiais de diferentes densidades dentro do Bennu. Além disso, a protuberância no equador de Bennu, ou seja, a parte mais larga em sua faixa central, parece estar crescendo ainda mais devido à rotação do asteroide e as diferenças do campo gravitacional no interior de seu corpo.

Por fim, a equipe da missão usou os dados coletados pela OSIRIS-REx, mais precisamente por um instrumento da nave chamado Laser Altimeter (OLA). Ele levou algum tempo mapeando o Bennu e os dados permitiram à equipe criar um modelo digital 3D do asteroide, com detalhes sem precedentes, destacando alguns dos locais mais interessantes. A NASA usou esse modelo para nos oferecer uma tour pelo asteroide.

Após realizar a coleta das amostras, a nave OSIRIS-REx deixará o Bennu. Em 2021, ela começará sua viagem de volta à Terra, e deverá chegar por aqui no dia 24 de setembro de 2023.

Fonte: Canaltech

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