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Oscar à vista: Chadwick Boseman brilha em 'A Voz Suprema do Blues'

Thiago Romariz
·2 minuto de leitura
(Foto: David Lee/NETFLIX)
(Foto: David Lee/NETFLIX)

À primeira vista, 'A Voz Suprema do Blues’ soa como um musical sobre blues e uma de suas grandes vozes: Ma Rainey. A poderosa cantora interpretada por Viola Davis é o centro das atenções no novo original da Netflix. Porém, ele divide os holofotes com uma das performances mais fortes de 2020: Chadwick Boseman como Levee, trompetista abusado que guia a narrativa do filme de George C. Wolfe.

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Adicionado ao serviço de streaming neste final de ano, o longa abraça a estética de teatro deliberadamente para relembrar a obra Ma Rainey's Black Bottom, famosa peça que deu origem ao filme. Pouquíssimos cenários, ambientes apertados, diálogos longos e detalhados sobre a vida de cada um dos personagens. Não existem grandes números musicais, nem um deslumbramento com o mundo artístico, muito menos com a vida de Ma, em teoria a grande estrela do roteiro. Os artistas ali são porta-vozes das lutas da comunidade preta nos EUA, ao mesmo tempo que pincelam a importância do blues nesta eterna luta racial.

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E pela opção estética de Wolfe não havia outra forma do filme brilhar se não pelo elenco. Viola Davis exala a potência de Ma em todas as cenas. Brilhando de suor e brigando a o calor do estúdio, a personagem encabeça a luta racial com monólogos sobre talento e submissão. O olhar impactante da atriz combina perfeitamente com o design de produção simples, mas bem acabado, que constrói um ambiente claustrofóbico e urgente para as questões discutidas entre banda e gravadora.

A excelência, porém, chega na pele de Boseman, aqui no melhor e derradeiro papel da carreira. Levee é o clássico rebelde talentoso e questionador, aquele personagem que vive para indagar as súplicas dos iguais e fazer o jogo do opressor como se estivesse acima de qualquer problema e fosse dono da razão - não por acaso a emoção acaba por vencer. Chadwick desaparece como Levee, não lembra em nada o Rei T'Challa de Pantera Negra, ainda que prenda o espectador com o olhar penetrante e sincero com as dores de quem sofreu preconceito por toda a vida.

Ainda que o filme não envolva pela simplicidade dos cenários e fotografia, a interpretação de Boseman faz tudo parecer mais à flor da pele, próximo, doloroso - assim como saber que tal talento parou ali. Um último trabalho que o credencia com alguma vantagem para abocanhar estatuetas ao longo da temporada de premiações, culminando no Oscar. Além de merecido, será o reconhecimento de um cara que além de emanar talento, abraçou causas, vozes e vidas que importam.

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*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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