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Oscar 2021 | Quem deve ganhar o Melhor Roteiro Original?

Sihan Felix
·6 minuto de leitura

Desde o início da temporada de festivais (talvez até antes), surgem as discussões sobre o próximo Oscar. Apostas, bolões, debates intermináveis sobre quais são os melhores entre os indicados, quais são os injustiçados e esnobados e, claro, as teorias sobre as indicações daqueles filmes que se acreditam como sendo superestimados.

A verdade é que as qualidades existem, mas premiações são políticas — especialmente quando estamos falando da mais cara delas. Transmitir o Oscar só não é tão caro quanto transmitir o Super Bowl. São cifras hiperbólicas. Milhares e milhares de dólares por cada hora de transmissão. E se há muito dinheiro envolvido, é mais do que óbvio que há política. Nem falo de políticos, mas da política em si.

A qualidade pode até estar em um suposto primeiro plano, mas, no final das contas, vencem (ou são indicados) aqueles filmes que tiverem mais fôlego: é panfletagem, propaganda, criação de hype, momento histórico-político-social... E existe toda uma estrutura de votação até a lista final de indicados ser divulgada. É uma lógica um tanto complexa que discorremos em uma matéria especial à parte.

Mas vamos ao Oscar 2021, especificamente à categoria que consagrará o Melhor Roteiro Original. Qual é o seu preferido? E a sua aposta? Consegue separar esses dois conceitos?

Apesar da temporada bem complicada (no mínimo), tivemos um bom ano no que diz respeito às indicações. A lista abaixo está em ordem de probabilidade de vitória de acordo com o Canaltech, do menos provável ao filme que, se não tivermos surpresas, vencerá.

5. Judas e o Messias Negro

A Academia gosta de inovar, de mostrar que está evoluindo. Isso é ótimo e rende premiações como a do ano passado, que consagrou Parasita (de Bong Joon Ho). Mas, ao mesmo tempo, dificilmente os votantes abraçam um enredo polêmico.

Apesar da chance enorme que tem na categoria de ator coadjuvante com Daniel Kaluuya — e com LaKeith Stanfield correndo por fora — o filme de Shaka King expõe a guerra suja que o FBI e a polícia em sua totalidade travam contra qualquer tipo de ascensão da comunidade negra. Aliás, Judas e o Messias Negra traz a batalha infindável que não parte da linha de frente policial, mas de um sistema que pouco ou em nada abre espaço para o progresso do diferente.

Talvez ainda seja muito para os votantes. Mas uma zebra dessa seria bem-vinda.

4. O Som do Silêncio

O filme de Darius Marder tem passado sem fazer barulho algum quanto ao seu roteiro — que é excelente. É uma obra que se encaixa bem no conceito de contrastes, este que diz, em síntese, que para uma situação ter um valor bem estabelecido é preciso que existam contrapontos. Heróis só são valorosos para uma narrativa quando existem vilões, por exemplo. Na verdade, tudo o que observamos, na prática, é fruto de comparações, mesmo que involuntárias ou inconscientes: só temos a dimensão do que é felicidade porque já vivenciamos a tristeza. É nessa percepção que O Som do Silêncio (Sound of Metal no original) procura se segurar.

Apesar de ser um filme muito bem-visto pela crítica e que conquistou uma legião de fãs, suas categorias mais fortes são a atuação e o som. Inclusive, e infelizmente, edição e mixagem de som foram unificadas em uma única, o que talvez possa tirar uma estatueta do filme — que seria fortíssimo em mixagem.

3. Minari

Minari foi lançado e logo chamou a atenção, sendo premiado no Festival Sundance de Cinema e passando relativamente bem pela temporada de premiações. Acontece, porém, que precisaria de mais espaço, mais lobby, para alcançar a estatueta nessa categoria.

O roteiro do próprio diretor Lee Isaac Chung vai ao encontro da realidade. A avó, que inicialmente confunde e transtorna David — "Você não parece com uma avó." — é quem parece mais à vontade com as questões culturais. É um contraste interessante (como o de O Som do SIlêncio), promovido pelo próprio Chung, dado que os mais jovens são vistos como mais adaptáveis. Mas Minari, apesar de todo o seu grau de realismo, não está disposto a facilidades narrativas.

O filme tem chances excepcionais na categoria de Atriz Coadjuvante, com Yuh-Jung Youn (que interpretou Soonja – a avó) sendo uma das favoritas.

2. Os 7 de Chicago

Escrito por Aaron Sorkin, um dos roteiristas mais reverenciados da atualidade, não existem dúvidas de que a Academia o olha com outros olhos. E não é comum um roteirista alcançar o status de autor praticamente ao nível da direção.

No cinema, o roteiro pode até ser o princípio, mas a visão sobre o texto pode transformar praticamente tudo. A direção acaba por ser o meio e o fim. Acontece que Os 7 de Chicago conta com a direção do próprio roteirista (como outros da lista), o que, aqui, dá ainda mais visibilidade a um roteiro que já seria visto sob olhares diferentes.

Aliás, existe algo que pode marcar de fato um bom roteiro: os diálogos. Nesse caso, Sorkin talvez ultrapasse até mesmo a linha da excelência. Por essa perspectiva, os filmes escritos por ele geralmente são guiados, justamente, pelas palavras ditas. Cria-se, logo, quase que um paradoxo sobre o poder das imagens, sobre os diálogos serem necessários apenas quando o visual não puder falar, algo expresso até mesmo por Alfred Hithcock.

1. Bela Vingança

Mais do que atual, o filme passou a temporada sendo indicado na categoria, colecionou prêmios e chega na reta final com toda força, tendo levado recentemente o BAFTA. Além disso, também está indicado nas categorias de Melhor Atriz, Melhor Direção e Melhor Filme — aquelas que são consideradas as mais prestigiadas. E, com a exceção de atriz (que é Carey Mulligan — uma das favoritas), as outras indicações são para Emerald Fennell, visto que ela é roteirista, diretora e coprodutora de Bela Vingança.

Atenção! O trecho abaixo contém spoilers sobre o filme!

Aqui, todo o conceito se assemelha a uma montanha-russa quase imparável que segue em uma só direção. Isso, de todo modo, é somente um ponto do que escreveu Fennell (que já foi premiada pela série Killing Eve: Dupla Obsessão). Bela Vingança aborda a revolta contra o sistema patriarcal com Cassandra (Mulligan) em busca de uma catarse que ela nunca encontrará. Mesmo assim, a intensidade do texto guia a obra para um ato final intenso com um desfecho simbólico: muitas mulheres já pagaram e pagam com vidas e traumas um sistema de privilégio masculino, então, uma vida a mais para salvar tantas outras acaba por ser um ato de coragem heroico.

O cinema precisa desse poder de apequenar machos predadores enquanto engrandece mulheres fortes. Se tiver que ser pela chama da vingança... que seja.

E então? Qual é o seu filme favorito para Melhor Roteiro Original? Qual você acredita que irá vencer? Por quê? Vamos debatendo porque, apesar de ser uma premiação bem política, movimenta o cinema, o que a torna essencialmente válida.

Fonte: Canaltech

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