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Os voos turísticos da Virgin Galactic podem ser chamados de viagens espaciais?

·3 minuto de leitura

No início do mês, a Virgin Galactic, empresa fundada por Richard Branson, anunciou que realizará um novo teste de voo tripulado no dia 11 de julho, que terá o bilionário a bordo — e, se tudo correr conforme o planejado, isso significa que Branson chegará ao espaço antes de Jeff Bezos, da rival Blue Origin. Entretanto, os dois voos vão alcançar diferentes altitudes, que, inclusive, renderam alguns questionamentos sobre se o voo de Branson irá, de fato, ao espaço.

Neste novo teste, Branson irá voar a bordo do avião espacial VSS Unity, que libera o foguete após alcançar a altitude necessária. A nave já alcançou o espaço suborbital três vezes, chegando às altitudes de 82,7, 89,9 e 89,2 km, respectivamente — que, aliás, estão perfeitamente no padrão de 80 km estabelecido pela NASA, Federal Aviation Administration (FAA) e exército dos Estados Unidos, para que os tripulantes possam receber insígnias de asas de astronauta.

Após o fim do voo, a VSS Unity plana de volta à Terra (Imagem: Reprodução/Virgin Galactic)
Após o fim do voo, a VSS Unity plana de volta à Terra (Imagem: Reprodução/Virgin Galactic)

Entretanto, a Blue Origin não considera que estes voos foram realmente espaciais. Bob Smith, CEO da empresa, desejou um ótimo voo a Branson, mas ressaltou que “eles não voam acima da Linha de Kárman, é uma experiência muito diferente”. Smith se referiu a uma linha imaginária proposta pelo físico Theodore von Kárman, que define o limite entre a atmosfera da Terra e o espaço exterior como sendo onde as forças das dinâmicas orbitais vencem as forças aerodinâmicas.

Considera-se que este limite fica a 100 km de altitude, mas este não é um número exato. Cálculos de um estudo feito em 2018 pelo astrofísico Jonathan McDowell, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, mostram que o limite proposto por Kárman ficaria, na verdade, entre 70 km e 90 km de altitude. Portanto, os 80 km adotados pela NASA e FAA são um bom meio-termo, que permite considerar que a Virgin Galactic vem alcançando o espaço em seus voos.

Considerando a Linha de Kárman, a "fronteira" entre o espaço e a atmosfera ficaria a 100 km de altitude (Imagem: Reprodução/NASA Marshall Spaceflight Center)
Considerando a Linha de Kárman, a "fronteira" entre o espaço e a atmosfera ficaria a 100 km de altitude (Imagem: Reprodução/NASA Marshall Spaceflight Center)

Vale destacar que a empresa de Bezos também está na jogada para oferecer voos turísticos espaciais, estes que levarão tripulantes à Linha de Kárman. Eles poderão experienciar cerca de 3 minutos da sensação de ausência de peso — para comparação, quem voar com a Virgin Galactic terá aproximadamente 4 minutos para isso. Branson refutou a fala de Smith, destacando a diferença mínima nesta etapa em ambos os voos, e ressaltou também que a altitude de 80 km é reconhecida pela NASA e FAA.

A Virgin Galactic já declarou que o possível lançamento do próximo fim de semana não é uma tentativa de ofuscar a Blue Origin, e que devem levar a VSS Unity ao espaço simplesmente porque estão prontos para isso. De qualquer forma, resta aguardar estas missões — até porque Bezos não ficará atrás de Branson por muito tempo, já que o teste de voo tripulado do foguete New Shepard deverá acontecer no dia 20 de julho, data que marca 52 anos do pouso lunar da missão Apollo 11.

Fonte: Canaltech

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