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Os pedidos de associações de empresas a Lula incluem crédito, isenção de imposto e secretaria especial

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP - Retrato de José Carlos Martins, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção). (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP - Retrato de José Carlos Martins, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção). (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mais espaço no Orçamento, diminuição de impostos, acesso fácil a crédito e até uma nova secretaria vinculada diretamente à Presidência da República. Ainda faltam dois meses para o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumir o comando do país, mas a lista de pedidos das associações empresariais já começou.

Setores como o de bares e restaurantes, supermercados, bancos, telecomunicações e até o agronegócio dão boas-vindas ao novo presidente, eleito neste domingo (30). Mas a lista de pedidos já está pronta.

"A solução de problemas sociais e econômicos passa pela indústria da construção civil", diz José Carlos Martins, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), para quem o setor precisa receber mais espaço no Orçamento federal. Segundo ele, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) gerou mais de 500 mil novos empregos no setor.

"Mas faltou moradia para a população mais pobre, que está na base do programa Casa Verde Amarela", diz Martins.

Na opinião de Paulo Solmucci Jr., presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), é urgente simplificar o acesso às linhas de crédito para o setor, mas sem criar uma dependência.

"O excesso regulatório acaba nos tornando dependentes de um apoio que a gente quer que seja transitório", afirmou. "A ajuda deve ser pontual, não assistencialista, para ajudar a criar uma classe média robusta, formada não só por empreendedores, mas por quem trabalha no pequeno negócio."

Em nota, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirmou que "está à disposição para colaborar com o novo governo."

O texto diz que, nos últimos meses, a Febraban promoveu encontros com candidatos e suas equipes para debater temas envolvendo o "crescimento sustentável da economia, maior justiça social e a melhoria do ambiente de negócios."

"Tratamos de controle da inflação, responsabilidade fiscal, manutenção da autonomia do Banco Central, priorização das reformas tributária e administrativa, atração de investimentos e medidas voltadas à redução do custo de crédito para os consumidores", informa a nota.

Já a Abras (Associação Brasileira de Supermercados) afirma ter a expectativa de fortalecer a parceria com o governo federal e defendeu a "livre economia de mercado."

"O setor supermercadista deseja muito sucesso a toda equipe que será formada e espera que esses próximos quatro anos sejam frutíferos, de melhora nas condições de vida da nossa população, de fortalecimento da economia e de paz para nossa sociedade, em toda sua abrangência social", diz o texto.

Marcos Ferrari, presidente executivo da Conexis Brasil Digital, reforça que o setor precisa de ações que incentivem os investimentos privados e "ajudem a ampliar o acesso da população aos serviços de telecom".

Entre as propostas estão "a criação de um programa para conectar famílias de baixa renda à internet via isenção tributária e subsídio direto à população; a necessidade de uma tributação mais justa; a isenção de PIS/Cofins de toda cadeia de infraestrutura e serviços do 5G; a simplificação regulatória e isonomia frente ao novo equilíbrio do ecossistema digital com o incentivo à autorregulação do setor; e a criação de uma Secretaria Especial de Transformação Digital, vinculada à Presidência da República", diz a nota.

Agronegócio espera uma gestão "sem sobressaltos" Fábio de Salles Meirelles, presidente do sistema Faesp/Senar-SP (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) afirmou, em nota, que respeita a democracia "acima de tudo".

Em relação ao presidente eleito, espera que "continue realizando ações contínuas e um trabalho permanente pela prosperidade dos produtores rurais". Meirelles destacou ainda o papel do vice de Lula, Geraldo Alckmin (PSB), para permitir que o setor avance "mais ainda, sem qualquer retrocesso."

"O respeito legítimo de ir e vir, o direito à propriedade privada, a garantia da segurança alimentar, o desenvolvimento sustentável, o protagonismo reconhecido em nosso país e no mundo, além da inovação tecnológica não são mais pautas, mas realidades e avanços consolidados", diz a nota. "Que sigamos sem sobressaltos."

A Feninfra (Federação Nacional de Call Center, Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e de Informática) diz esperar que Lula continue incentivando o desenvolvimento do setor de telecomunicações, "em especial na implantação da tecnologia 5G, como ocorreu na atual gestão", segundo a nota assinada por Vivien Mello Suruagy, presidente da entidade.

A executiva destaca que são necessários pesados investimentos em infraestrutura para que a conectividade digital aconteça, inclusive nas regiões mais vulneráveis, o que deve exigir uma redução da carga tributária do setor.

O desembargador Artur Marques, presidente da AFPESP (Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo), destacou, em nota, que a eleição deste domingo confirmou a absoluta lisura do processo eleitoral, "desabonando de modo definitivo os ataques diários sofridos nesses últimos anos, que pareciam soar como preparação para uma arruaça sem nome e sem fim."

O magistrado destacou a atuação do ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), na condução do processo eleitoral. "O aval popular ao sistema contou com a presteza, firmeza e coragem de ministros do Supremo Tribunal Federal, que ocupam temporariamente as cadeiras do Tribunal Superior Eleitoral."