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Os maiores mitos sobre a COVID-19 em 2020

Fidel Forato
·10 minuto de leitura

Desde o surgimento do novo coronavírus (SARS-CoV-2), mitos e fake news foram compartilhados nas redes sobre os seus supostos efeitos e, até mesmo, tratamentos milagrosos. Em um cenário de informações ainda pouco precisas sobre um novo agente infeccioso, o medo causado pelo desconhecido e uma série de indivíduos negacionistas, os cientistas e os profissionais da saúde precisaram combater tanto o vírus da COVID-19 quanto as maiores teorias da conspiração sobre o tema. Passado mais de um ano, já temos algumas respostas de como enfrentar essa doença.

A seguir, confira uma lista com os dez maiores mitos sobre as infecções causadas pelo novo coronavírus que foram compartilhados em 2020, mas não checadas e muito menos verificadas.

Desde o surgimento do coronavírus, mitos e boatos são espalhados sobre a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Fernando Zhiminaicela/ Pixabay )
Desde o surgimento do coronavírus, mitos e boatos são espalhados sobre a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Fernando Zhiminaicela/ Pixabay )

Coronavírus morre no calor?

Muitas pessoas apostaram que a COVID-19 fosse uma doença que prevalecesse, apenas, nos meses mais frios do ano, como no inverno e no outono. Entretanto, o comportamento do coronavírus tem demonstrado que este agente infeccioso não deve ser sazonal, como a gripe. Um dos argumentos desse argumento é que, atualmente, o Brasil enfrenta uma segunda onda da infecção e há uma tendência de piora nos números da infecção após o período de festas do final do ano, mesmo que o verão já tenha começado.

Outro tema que viralizou nas redes é de que o coronavírus seria inativado em temperaturas que fossem superiores a 36°C, mas isso se trata de mais uma notícia falsa sobre a pandemia. Contra essa ideia, há um exemplo bastante claro, o organismo humano, que tem temperatura média de 37°C. No entanto, o coronavírus consegue infectar as células humanas e se reproduzir, sem ser afetada por esta temperatura. Além disso, o doente costuma apresentar febre e sua temperatura pode subir mais 3ºC ou 4ºC, sendo que o vírus continuará ativo.

Máscaras não protegem contra a COVID-19?

Mesmo com mais de dez meses de pandemia da COVID-19, muita gente ainda dúvida da eficácia da máscaras — tanto profissionais quanto caseiras — para barrar a transmissão do agente infeccioso. No entanto, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) defende que o seu uso, em larga escala, tem como base a proteção coletiva, já que muitas pessoas estão infectadas e ainda não apresentaram sintomas da doença. Para entender qual a melhor máscara para se utilizar me cada situação, cientistas norte-americanos ranquearam eficácia de cada tipo.

Máscaras são aliadas no combate da COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Engin Akyurt / Unsplash)
Máscaras são aliadas no combate da COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Engin Akyurt / Unsplash)

Independente do seu grau de eficácia, as pessoas devem adotar as outras medidas de proteção contra o coronavírus, como lavar as mãos. "É importante ressaltar que o uso de máscaras caseiras pela população em geral pode causar uma falsa sensação de proteção. A Fiocruz recomenda, portanto, que as pessoas façam o uso correto da máscara caseira, não a compartilhando com familiares, não tocando o rosto depois de colocá-la e fazendo a sua limpeza conforme orientação do MS [Ministério da Saúde], e reforça a necessidade de manutenção do isolamento social e das medidas de higiene para o combate à COVID-19", esclarece a fundação, em nota.

Isolamento social não funciona?

Se as máscaras são questionadas, as medidas de isolamento socialmente também são, principalmente a mais extrema, conhecida como lockdown. Entretanto, uma série de estudos científicos apontam que medidas de distanciamento social são, sim, eficazes na redução do número de infectados e de óbitos e, consequentemente, por reduzir as internações hospitalares. Afinal, quanto menos pessoas circulam, mais devagar a doença se espalha e a taxa de transmissão — também conhecido como Rt ou taxa R — cai, por sua vez.

Vale lembrar que esse índice representa o potencial de transmissão de um vírus através do indivíduos doentes. Em outras palavras, quando o Rt é superior a 1, cada infectado transmite a infecção para mais de uma pessoa e a COVID-19 avança. Por exemplo, um Rt de 1,01 significa que cada 100 pessoas infectadas pelo coronavírus transmitem a doença para outras 101 pessoas. Esse movimento sucessivo só é quebrado com o isolamento dos pacientes contaminados (caso haja testes para todos) ou com a redução geral da circulação de pessoas, já que os caso assintomáticos também transmitem a doença.

Termômetros infravermelhos fazem mal

Termômetros são alvo de desinformação na pandemia do coronavírus (Imagem: Reprodução/ Kelly Sikkema/Unsplash)
Termômetros são alvo de desinformação na pandemia do coronavírus (Imagem: Reprodução/ Kelly Sikkema/Unsplash)

Outro boato recorrente é de que termômetros infravermelhos não deveriam ser apontados para a cabeça das pessoas, porque isso poderia afetar a glândula pineal. Esta glândula está localizada no centro do cérebro, protegida pelas estruturas de tecido e osso, e integra o sistema endócrino, sendo responsável pela produção de hormônios. No entanto, a glândula pineal é profunda e está bastante protegida — pela pele, por tecidos subcutâneos, pela caixa craniana e ainda tem todo o córtex cerebral. Dessa forma, médicos afirmam que essa fake news não tem fundamento. Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também desmentiu o boato de que o equipamento poderia fazer mal o corpo humano.

Existem remédios para prevenção?

Segundo a plataforma da Universidade Johns Hopkins, são mais de 80 milhões de casos da COVID-19 diagnosticados em todo o mundo. Nesse cenário, um remédio que impedisse e brecasse o avanço da infecção, após o contágio, seria um grande alívio contra a pandemia. Entretanto, ainda não há nenhuma fórmula comprovada para este objetivo e alternativas ainda estão em desenvolvimento. "A OMS não recomenda a automedicação com quaisquer medicamentos, incluindo antibióticos, como prevenção ou cura para COVID-19", esclarece a Organização Mundial da Saúde, em seu site.

"O tratamento de suporte ideal inclui oxigênio para pacientes gravemente enfermos e aqueles que estão em risco de doença grave", informa a OMS sobre alternativas para o tratamento. Além disso, é recomendado o uso de respiradores e ventilação mecânica para alguns quadros. Entre os remédios, a dexametasona é um anti-inflamatório que "pode ajudar a reduzir o tempo de uso do ventilador e salvar vidas de pacientes com doenças graves e críticas", quando ocorre o fenômeno chamado de tempestade de citocinas.

Através da iniciativa Solidarity, que vem coordenando testes para o tratamento ideal em diversos países, a OMS concluiu que "os regimes de remdesivir, hidroxicloroquina, lopinavir/ ritonavir e interferon parecem ter pouco ou nenhum efeito na mortalidade em 28 dias ou no curso intra-hospitalar de COVID-19 entre pacientes hospitalizados". Dessa forma, a melhor prevenção são as medidas de higiene e, futuramente, as vacinas.

Testes de anticorpos mostram quem está doente?

Exames de anticorpos revelam só quem já teve infecção (Imagem: Reprodução/ Fernando Zhiminaicela/ Pixabay)
Exames de anticorpos revelam só quem já teve infecção (Imagem: Reprodução/ Fernando Zhiminaicela/ Pixabay)

Para saber se estava (ou não) com a COVID-19, algumas pessoas já realizaram, de forma equivocada, o teste rápido sorológico para coronavírus. Isso porque esse exame, disponível em muitas farmácias, só detecta a presença de alguns anticorpos para o coronavírus, no sangue do paciente. "Os testes de anticorpos podem nos dizer se alguém teve uma infecção no passado, mesmo que não tenha sintomas", explica a OMS. Além destes de farmácia, é possível realizar exames sorológicos, em laboratórios, com análises mais completas dos anticorpos.

"Na maioria das pessoas, os anticorpos começam a se desenvolver após alguns dias ou semanas e podem indicar se uma pessoa já teve uma infecção anterior. Os testes de anticorpos não podem ser usados para diagnosticar COVID-19 nos estágios iniciais da infecção ou doença, mas podem indicar se alguém teve ou não a doença no passado", ressalta a organização. No caso do individuo que procura saber se carrega uma infecção ativa do coronavírus, será necessário realizar um exame do tipo PCR, alguns dias após a exposição.

Pensamentos suicidas e câncer

Após um de suicídio com um voluntário do estudo clínico da CoronaVac — o imunizante desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac com o Instituto Butantan, em São Paulo —, começaram a circular informações nas redes sociais de que a vacina contra a COVID-19 causasse "10 tipos de câncer e pensamentos suicidas". No entanto, isso é uma fake news. Nenhum dos relatórios de resultados menciona algum caso de câncer ou de distúrbios.

Em nota, o Instituto Butantan comentou que essa suposta afirmação é "completamente inverídica". Segundo o instituto, na fase III do estudo da CoronaVac, ainda não divulgado oficialmente, "não foi registrado qualquer efeito adverso grave entre os participantes e os resultados até aqui já comprovaram que a vacina é segura". Divulgadas de forma preliminar, as principais reações teriam sido dor no local da aplicação, dor de cabeça e fadiga.

Série de boatos questionam a eficácia de vacinas contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Daniel Schludi/ Unsplash)
Série de boatos questionam a eficácia de vacinas contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Daniel Schludi/ Unsplash)

Vacinas danificam o DNA humano

Em posts nas redes sociais, usuários apontam que vacinas de RNA mensageiro (mRNA), como o imunizante da Pfizer e da Moderna — ambos já aprovados nos EUA —, poderiam causar danos irreversíveis ao DNA humano. No entanto, não há nenhuma evidência para tal afirmação, segundo especialistas, já que o mRNA é apenas estrutura para comunicar uma mensagem, que é produzir determinada proteína.

Nesse tipo de vacina, uma sequência de mRNA é introduzida na pessoa, pela vacina, e faz com que as células do organismo construam uma proteína específica do vírus. Uma vez produzida no corpo, o sistema imunológico pode reconhecê-la como um antígeno e criar imunidade contra o verdadeiro coronavírus. Dessa forma, quando o vírus entrar no organismo, a pessoa já terá anticorpos prontos.

Vacinas com microchips do Bill Gates

Uma das (falsas) associações mais populares é entre a COVID-19 e Bill Gates, atual filantropo e fundador da Microsoft. Através da Fundação Bill e Melinda Gates, ele estaria envolvido em um plano que originou a pandemia da COVID-19 e essa tragédia seria aproveitada para implantar microchips na população mundial. Além disso, cada microchip permitiria o controle externo de pessoas através de antenas 5G. Esses boatos começaram ainda em março, quando o Gates afirmou que "teremos alguns certificados digitais", como um passaporte, ​​para mostrar quem já se recuperou da infecção, foi testado ou recebeu a vacina, sem nenhuma menção a microchips e a tecnologia 5G.

Vacinas não carregam microchips e nem sinal 5G (Imagem: Reprodução/ Maksim Goncharenok/ Pexels)
Vacinas não carregam microchips e nem sinal 5G (Imagem: Reprodução/ Maksim Goncharenok/ Pexels)

Junto dessas "afirmações", as fake news resgataram um projeto da Fundação que planejava utilizar uma "tinta invisível", que poderia ser aplicada na pele, e que funcionaria como um registro de vacinação em países pobres. No entanto, a tecnologia dessa espécie de "tatuagem" não permitiria o rastreamento de pessoas e nem inclusão de informações em banco de dados para vigilância. Em outras palavras, ocorreram uma série de distorções em falas e projeto de Gates para atingir a popularidade das vacinas entre as pessoas.

Origem do coronavírus

Se muitas perguntas já foram respondidas sobre o coronavírus, sua origem ainda é investigada, inclusive pela OMS. A família dos coronavírus são comuns na natureza, principalmente nos morcegos. Por exemplo, tanto a SARS quanto a MERS se originaram a partir do contato entre morcegos, outros animais e humanos. No caso da COVID-19, a principal teoria é que, através de mutações sucessivas do coronavírus SARS-CoV-2, uma delas se aperfeiçoou para infectar humanos e teria sido o início da pandemia, a partir da relação entre as espécies.

Quanto a este contato inicial, os pesquisadores ainda buscam o paciente zero, mas se sabe que os primeiros casos da infecção foram relatados em um mercado na cidade Wuhan, na China, no dia 31 de dezembro de 2019. Provavelmente, o panorama completa das suas origens deve ser mais uma das respostas que o ano de 2021 nos trará.

Fonte: Canaltech

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