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Os impactos da impressora 3D na medicina

·4 minuto de leitura
Os impactos da impressora 3D na medicina
Os impactos da impressora 3D na medicina

Já pensou imprimir um coração, um rim ou até mesmo um pulmão e salvar muitas vidas? Parecem cenas de filmes de ficção científica, mas a questão é que isso já tem avançado na realidade também.

É claro que o assunto ainda causa espanto. Afinal, como é possível imprimir um órgão? Primeiro, precisamos entender que a tecnologia nos permite isso. A impressora 3D consegue criar objetos em formato tridimensional. Com ela, é possível desenhar qualquer tipo de item em programas de computador e fazer a impressão.

Essa tecnologia já avançou em diversos setores, como no automobilístico, e está dando alguns passos também na medicina. Um estudo realizado pela Transparent Marketing Research prevê crescimento médio anual de 17,7% no mercado de dispositivos 3D até 2025. Não tão longe, essa tecnologia se tornará algo comum e aplicada em diversas áreas médicas no Brasil e no mundo.

Inclusive, durante o enfrentamento da pandemia de coronavírus, a impressora 3D tem sido utilizada para minimizar os efeitos devastadores na saúde e salvar vidas. Sua utilização possibilita criar válvula e bomba de oxigênio, protótipos de máscaras e viseiras protetoras.

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No entanto, essa tecnologia não foi só testada por conta da pandemia. Pelo contrário, ela já é uma ferramenta de estudo para diversos cientistas. Em 2019, na Universidade de Tel Aviv, em Jerusalém (Israel), foi apresentado um coração vivo feito a partir de tecido humano com uma impressora 3D. Foi a primeira vez que alguém conseguiu projetar e imprimir um coração inteiro, repleto de células, vasos sanguíneos, ventrículos e câmaras.

Já os pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) usaram células sanguíneas humanas para desenvolver “minifígados”. Eles fazem as mesmas funções que um fígado normal: sintetizam proteínas, armazenam e secretam substâncias exclusivas do órgão, como a albumina.

As duas experiências abrem caminho para a realização de transplantes sem as longas filas de espera e minimizando o risco de rejeição, já que os órgãos são feitos com células do próprio paciente. Mas estes são só alguns itens das possibilidades que a impressora 3D pode proporcionar para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Uma publicação da Racounter mostra uma menina que perdeu as mãos ainda bebê por causa da meningite. Quase dez anos depois, o primeiro teste clínico na Inglaterra de um novo modelo de próteses desenvolveu novos membros. Detalhe: o processo levou apenas um dia e o custo foi muito menor do que uma prótese com dedos controláveis.

Engenheiro demonstra o coração impresso em uma impressora 3D
Engenheiro demonstra o coração impresso em uma impressora 3D. Créditos: Shutterstock

Na Irlanda do Norte também aconteceu outro caso que mostra como a tecnologia 3D foi decisiva. Uma mulher foi diagnosticada com câncer terminal nos rins e contava com um novo órgão que receberia do próprio pai por meio de transplante. Entretanto, durante exame de rotina, o pai da paciente descobriu um cisto potencialmente cancerígeno no rim destinado à doação. Os médicos tiveram a oportunidade de analisar uma réplica exata do rim impresso tridimensionalmente.

O futuro da medicina

Se continuarmos tendo sucesso nessas experiências, veremos, em breve, a impressora 3D invadindo hospitais e consultórios médicos no mundo inteiro. Atualmente, ainda de acordo com a reportagem da Racounter, a maior demanda é para implantes ortopédicos e restaurações dentárias, o que deve continuar pelos próximos anos.

Outro ponto que deve ser celebrado é a economia em um procedimento com o uso de impressora 3D. A revista Forbes revela que, até o fim de 2021, a tecnologia tridimensional deve valer pelo menos US$ 1,3 bilhões. Além disso, ressalta que um transplante normal de rim, por exemplo, custa em média US$ 330 mil, de acordo com a Fundação Nacional para Transplantes norte-americana. Entretanto, existem startups, como a BioBots, que comercializam “impressoras 3D biológicas” por apenas US$ 10 mil. Tudo isso mostra que logo poderemos ver os valores de vários procedimentos terem uma queda, o que é algo muito positivo.

Apesar do assunto já estar em discussão há algum tempo, podemos dizer que tudo isso é relativamente novo e curioso, mas que estará cada vez mais frequente em nosso dia a dia, com novidades que ainda vão nos surpreender. Estamos a um passo da medicina do futuro. Você está preparado?

*Alessandra Montini é diretora do LabData, da FIA

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