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Os Anéis de Poder │ O que é Valinor e por que os elfos não podem voltar para lá

A estreia de O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder pegou muita gente de surpresa ao trazer uma Terra-Média bastante familiar e, ao mesmo tempo, muito nova e única. Sem se manter presa ao que os filmes já apresentaram, a nova série do Amazon Prime Video se apoia naquilo que a trilogia original apresentou, mas expande muita coisa para ganhar identidade própria — mas não faz isso sem deixar algumas pontas soltas.

Uma das grandes questões que fica em aberto nos dois primeiros episódios liberados pelo streaming é a relação dos elfos com a Terra-Média. A partir da perspectiva de Galadriel (Morfydd Clark), vemos como a raça deixou as terras douradas de Valinor após a maldade de Morgoth destruir as Árvores Sagradas e que, pouco tempo depois, eles vão até esse novo continente lutar contra as hordas do inimigo, dando início à chamada Segunda Era.

Valinor é literalmente o Éden dos elfos. Reparou na árvore? (Imagem: Divulgação/Amazon Prime Video)
Valinor é literalmente o Éden dos elfos. Reparou na árvore? (Imagem: Divulgação/Amazon Prime Video)

Só que fica claro já nesses capítulos iniciais que os elfos não gostam nada do seu novo lar e que o grande objetivo de todos eles é voltar para Valinor. E aí fica a grande dúvida: se eles querem tanto voltar para casa, por que não fazem isso de uma vez?

Preenchendo as lacunas

Se você ficou com a sensação de que está faltando um pedaço dessa história, é porque realmente está. Na explicação inicial dada por Galadriel, é dado a entender que os elfos deixaram Valinor apenas para perseguir Morgoth, que estava escondido na Terra-Média.

Contudo, se fosse apenas isso, todo mundo poderia ter voltado para casa já no segundo episódio, quando o Alto-Rei Gil-Galad (Benjamin Walker) determina que a guerra acabou e que Sauron não é mais uma ameaça. Ainda assim, é mostrado que somente alguns poucos escolhidos podem voltar para Valinor e que a travessia dos Mares Divisores é uma dádiva.

Série simplificou muitas das tretas da Primeira Era para não dar nó na cabeça do público (Imagem: Divulgação/Amazon Prime Video)
Série simplificou muitas das tretas da Primeira Era para não dar nó na cabeça do público (Imagem: Divulgação/Amazon Prime Video)

Esse é um detalhe que é apresentado em Silmarillion, livro de J. R. R. Tolkien que conta toda a cosmogonia desse mundo e narra os acontecimentos tanto da Primeira quanto da Segunda Era e de onde boa parte da trama de Anéis do Poder é retirada. Na obra, o autor explica que os elfos foram banidos de Valinor e que é por isso que somente alguns se tornam merecedores de voltar para esse paraíso perdido.

Tudo começa justamente por causa da guerra contra Morgoth. O vilão que é essa grande personificação do mal nas obras tolkianas — acima do próprio Sauron — destrói as árvores sagradas Telperion and Laurelin, que iluminavam Valinor. De quebra, ele ainda rouba as Silmarils, jóias que continham a essência e o brilho daquelas plantas majestosas.

É a partir disso que o rei de um dos clãs élficos, Fëanor, decide contrariar os deuses e ir atrás de Morgoth. Mais do que isso, ele rouba os navios de outro clã élfico e mata um de seus irmãos. Assim, como punição, os Valar (os deuses desse universo) proíbem que todos os descendentes do rei assassino e de seus aliados voltem para Valinor.

Gil-Galad faz parte de uma das famílias banidas pelos deuses de Valinor (Imagem: Divulgação/Amazon Prime Video)
Gil-Galad faz parte de uma das famílias banidas pelos deuses de Valinor (Imagem: Divulgação/Amazon Prime Video)

Dessa forma, a terra prometida foi escondida pelos deuses — o que pode ser visto ainda no primeiro episódio. É por isso que, quando Galadriel e os outros elfos estão cruzando o oceano para voltar para casa, as nuvens literalmente se abrem como uma porta para Valinor e é possível até ver um vulto gigantesco os recebendo.

Graça rejeitada

Esse exílio dos elfos na Terra-Média é conhecido como Profecia do Norte e dura até o fim da Primeira Era, quando Morgoth é derrotado. Com a vitória sobre o inimigo, os Valar chamam os elfos de volta para Valinor, mas nem todos respondem à ordem. Alguns deles decidem ficar na Terra-Média, seja por gostarem do poder que eles têm na nova região ou mesmo por orgulho por não concordarem com a punição dada pelos deuses às suas famílias no passado.

Galadriel é uma das elfas que se nega a retornar nesse período. Na série, é mostrado que ela rejeita o retorno por ainda acreditar que Sauron está vivo e por sentir que precisa lutar. Só que, nos livros, é dito que ela se sentia bem por saber que era um dos seres mais poderosos da Terra-Média.

Mesmo chamado pelos deuses a voltar para Valinor, alguns elfos decidem ficar na Terra-Média, como Galadriel e Elrond (Imagem: Divulgação/Amazon Prime Video)
Mesmo chamado pelos deuses a voltar para Valinor, alguns elfos decidem ficar na Terra-Média, como Galadriel e Elrond (Imagem: Divulgação/Amazon Prime Video)

Assim, ao rejeitarem a graça dos deuses, os elfos que permanecem no novo mundo passam a viver essa relação conflituosa entre passado e futuro. Ao mesmo tempo em que cresciam em poder e influência entre homens e anões, sentiam falta das maravilhas de sua terra natal. Mais do que isso, mesmo imortais, eles passaram a sentir os efeitos do tempo fora de Valinor — o que só aumentava a necessidade desse povo querer voltar para sua terra prometida.

Relação religiosa

Para além de todos os elementos fantásticos, a obra de Tolkien traz uma pesada carga religiosa em praticamente todos os aspectos do universo. E não é difícil perceber essa relação dos elfos e Valinor com o Paraíso cristão.

O autor era conhecido por sua religiosidade e muitos dos elementos que ele coloca nas histórias, principalmente nessa rica cosmogonia que apresenta, faz um paralelo com histórias bíblicas. Assim, Valinor nada mais é do que o Éden que os elfos rejeitaram ao desobedecer as ordens dos deuses.

Tolkien sempre deixou bem claro os paralelos religiosos em sua obra (Imagem: Divulgação/Amazon Prime Video)
Tolkien sempre deixou bem claro os paralelos religiosos em sua obra (Imagem: Divulgação/Amazon Prime Video)

Essa interpretação mais simbólica do que histórica da coisa faz os eventos de Os Anéis de Poder ficarem ainda mais claros. No fim das contas, todos os elfos na Terra-Média querem receber a graça divina de poder entrar no Paraíso, na Terra Prometida que eles mesmos rejeitaram no passado. Só que eles precisam conquistar esse perdão — e isso é uma tarefa para poucos.

Ver Valinor como o Éden ou mesmo o Paraíso também ajuda a explicar alguns acontecimentos de O Senhor dos Anéis. No fim da história, Frodo, Bilbo e Gandalf recebem essa graça divina de ir para Valinor junto com os últimos elfos da Terra-Média. E a simbologia disso é claro: depois de passarem pela grande provação de destruir o Um Anel, enfrentar todas as tentações de Sauron e se sacrificarem em batalha, eles merecem o Céu.

O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder está no catálogo do Prime Video.

Fonte: Canaltech

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