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'Os 7 de Chicago' é o mais novo flerte da Netflix com o Oscar

Thiago Romariz
·3 minutos de leitura
'Os 7 de Chicago' traz nova oportunidade para Netflix no Oscar (Foto: Divulgação)
'Os 7 de Chicago' traz nova oportunidade para Netflix no Oscar (Foto: Divulgação)

Bater o olho na equipe e história de 'Os 7 de Chicago' é ter certeza de que o filme chega para angariar troféus na temporada de premiações. Dirigido por Aaron Sorkin, roteirista de 'A Rede Social’, o drama sobre o grupo de ativistas injustamente condenados por protestos contra a Guerra do Vietnã. Em resumo, é o retrato de um acontecimento histórico na década de 1960 que ainda reverbera nas discussões políticas até hoje, principalmente com a divisão cada vez mais forte entre progressistas e conservadores nos EUA - e por que não, no mundo.

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Com um tema e um fato tão fortes, é difícil imaginar que um filme não consiga impactar o espectador. Isso ganha contornos frenéticos com o roteiro de Sorkin, que despeja diálogos velozes e cheios indiretas ao cenário político atual, contando com uma ajuda monumental de um elenco afiadíssimo. O destaque entre tantos talentos fica para o sereno e hilário Sacha Baron Coen e para o subestimado Mark Rylance, um dos melhores atores vivos. O antagonismo fica por conta de Frank Langella e Joseph Gordon Levitt, que personificam a injustiça e o controle do sistema sem descambar para o caricato.

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Tamanho talento à frente das câmeras, porém, não deixa 'Os 7 de Chicago’ escapar da superficialidade dramática da história dirigida por Sorkin. Ainda que as falas causem um impacto inicial, com o passar o do tempo fica evidente que o filme respira pelos diálogos de tribunal, mas se afunda quando propõe qualquer reflexão sobre os reais dilemas carregados pelos protagonistas. Meia dúzia de frases de efeito ou mesmo um embate entre progressistas teoricamente aliados não dá a profundidade merecida ao assunto, e no fim do julgamento a óbvia injustiça se torna mais alegoria do que argumento para contestar o sistema de privilégios perpetuado até hoje.

É difícil não assistir ao filme e não se revoltar. A história por si é emblemática e com a pegada de Sorkin ela se torna atual e fácil de assistir, mesmo com os percalços evidentes a cada ato. Casos como esse, de histórias reais potencializadas por uma direção mediana, já foram garantia de presença em prêmios — vide a consagração de 'Spotlight', 'O Discurso do Rei' e tantos outros. Assim, a Netflix inclui mais um concorrente forte na disputa pela atenção de um Oscar que se mostra cada dia mais alinhada com conceitos progressistas e luta por igualdade e oportunidade para minorias em um mercado afogado em privilégios. Por isso, o texto afiado de Sorkin pode soar como música para os votantes da Academia.

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*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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