Mercado fechado

Os 5 PIORES jogos que a Naughty Dog já fez

Rafael Arbulu

Vista hoje como um titã do mercado mundial de jogos, a Naughty Dog é uma marca reconhecidamente bem-sucedida e, em meio a nomes como Rockstar, Square Enix e diversas outras empresas do setor, normalmente é enxergada pelo público como uma companhia que, até quando erra, acerta.

Evidentemente, nem sempre foi assim: a Naughty Dog que conhecemos hoje não é livre de uns percalços no mínimo questionáveis em seu longo caminho desde sua fundação em 1984. Por isso, hoje, o Canaltech reuniu os cinco jogos que você provavelmente nem sabia que a Naughty Dog é quem assina a produção.

Lembrando que, para fins de objetividade da nossa lista, não vamos considerar os títulos criados pela JAM Software, que era o nome da empresa antes de ela virar a Naughty Dog como conhecemos. E também que, embora estes sejam os cinco títulos mais malsucedidos ou impopulares, não significa que eles sejam o que há de pior na indústria de jogos.

5. Way of the Warrior

Claramente um título que tentou tirar proveito do hype de um certo “Combate Mortal” que havia sido lançado dois anos antes, Way of the Warrior é de longe a produção menos inspirada da Naughty Dog. Sendo o terceiro jogo criado pela empresa, esse é um título que claramente copia a estética visual do sucesso da antiga Midway, até o plano de fundo estático e personagens vindos de captura de pessoas, parecendo adesivos humanizados.

O jogo, porém, era deveras sem inspiração, com gameplay questionável e diálogos ainda mais “vergonha alheia”, com rompantes de vencedores de lutas dizendo “No sequel for You” (“Sem continuação para você”, na tradução literal) e um visual que certamente ficava devendo em todos os aspectos, mesmo em 1994.

4. Jak X: Combat Racing

Rápido: qual o melhor jogo de corrida feito pela Naughty Dog? Você provavelmente respondeu Crash Team Racing. E você estaria certo: comparar o status de quase divindade de CTR com Jak X: Combat Racing é uma ação incrivelmente injusta — é tipo você entrar num ringue para lutar com uma menina e a “menina” é a Amanda Nunes do UFC. A coisa não vai ser legal para você, manja?

E assim como você trocando socos, Jak X pode até não ser “ruim” no literal sentido da palavra, mas era composto de tantas falhas que é difícil ressaltar as mais evidentes. O gameplay era estranho e pouco responsivo e os vários modos de jogo tinham uma curva de dificuldade absolutamente desigual, ora fáceis demais a ponto de serem tediosos, ora abusivamente complicados a ponto de fazer Dark Souls parecer uma sessão de terapia. Era um jogo interessante se você quisesse desopilar uma rivalidade com seus amigos, mas só isso.

3. Uncharted 3: Drake’s Deception

Ai, Naughty Dog... o que você tinha na cabeça quando deixou isso passar para a produção em massa? A terceira aventura de Nathan Drake investigando tumbas, ruínas e mitologias é, de longe, a pior de toda a franquia. Uncharted em si nunca foi exatamente uma primazia expansiva e prezou sempre pela progressão linear, mas Drake’s Deception consegue não apenas piorar o que ficou maravilhoso no predecessor Among Thieves, como também não trazer nada que lhe conferisse uma identidade própria.

O problema mais evidente aqui fica no atraso entre a inserção de um comando no controle e sua execução na tela. Segundos (sim, no plural) inteiros, dependendo da ordem pedida, se passavam até que você a visse no jogo, o que levava a mortes completamente bizarras. Fora isso, a narrativa tinha zero profundidade e “reviravoltas” bem óbvias, algo que faz Drake’s Deception destoar dos outros jogos da franquia. Finalmente, toda a mecânica de gameplay era básica a ponto de ser pior que o primeiro jogo da saga. Deixou a desejar em todos os aspectos.

2. Rings of Power

Mesmo diante das limitações técnicas dos consoles dos anos 1990, a Naughty Dog sempre buscou se estabelecer como uma empresa que desafiava preceitos comuns. Um exemplo disso é Rings of Power, um jogo que, naquela época, já flertava com noções comuns de hoje, como “RPG de mundo aberto” e “dificuldade inteligente”.

Rings of Power é o tipo de jogo que, fosse refeito por completo hoje, ocuparia posição de destaque, já que, em sua versão original, suas limitações não eram culpa dos desenvolvedores, mas sim das plataformas. Ele trazia um mundo expansivo e aberto que só foi possível ao revelar-se para o jogador aos poucos — coisa que você faz hoje em Diablo ou qualquer Dungeons & Dragons. Sua dificuldade exemplar vinha da capacidade do jogo em se adaptar às suas estratégias, sendo um dos primeiros títulos da história a apresentar mudanças e nunca permitir que você chegasse a um esquema de combate “para tudo”, exigindo estudo, abordagens específicas e muitas, muitas derrotas.

1. Last of Us: Left Behind

Sob o risco de ser apedrejado aqui, não há como evitar mencionar Left Behind, a expansão de The Last of Us centrada na história de Ellie antes de sua aventura principal com Joel por um Estados Unidos arrasado por um fungo que assolou a humanidade. Se muito porque seu único “defeito” é ser curto demais e não poder competir de igual para igual com a maioria dos títulos da Naughty Dog.

Absolutamente tudo nessa expansão funciona de forma coesa: é uma excelente viagem ao passado traumático de uma das personagens mais queridas dos jogos, com um show de atuação da atriz Ashley Johnson na dublagem, trazendo uma densidade emocional que faz do enredo de Left Behind um primor. Existe um volume de empatia trazido pela expansão que casa bem com o jogo principal, exemplificando os motivos pelos quais Ellie tem um senso de moralidade tão avançado para alguém tão jovem, ao mesmo tempo em que dá pano de fundo para seus problemas de confiar nas pessoas.

Left Behind é, em sua essência, a forma perfeita de como fazer uma expansão — e certamente algo pelo qual a Naughty Dog tem muito do que se orgulhar —, mas, infelizmente, é “só” uma expansão. Nesse quesito, há de se compreender como a remasterização de The Last of Us teve tanto sucesso, ao permitir que expansão e jogo principal fossem executados cronologicamente, ampliando a experiência de ambos de forma que você tem um jogo ainda mais completo.

Mesmo quando tá ruim, tá bom

O problema de se listar os jogos da Naughty Dog é o mesmo pelo qual esbarramos em nossas listas da Rockstar. O denominador comum do que é bom ou ruim para ambas as empresas é tão alto que, para nomear o que há de “pior” nelas, necessitamos de muito cuidado e consideração. Boa parte do que exemplificamos aqui consiste de material excelente, e mesmo os que não o são, acabam sendo bem-sucedidos. Quer prova disso? Uncharted 3, ruim como ele é, tem pontuação de 92 no Metacritic. Ou seja, há um revisionismo convidativo a ser feito quando paramos para pensar em listas assim.

Por isso, passamos a bola para você: qual, na sua opinião, é o jogo da Naughty Dog que merece estar na lista dos “piores” da empresa? Conte-nos a sua sugestão e o motivo dela nos comentários abaixo!

Fonte: Canaltech