Oruro faz nova greve para impedir que aeroporto receba o nome de Evo Morales

La Paz, 27 fev (EFE).- A cidade boliviana de Oruro iniciou nesta quarta-feira, com uma adesão majoritária, uma nova greve, desta vez de 48 horas, para rejeitar que seu novo aeroporto leve o nome do presidente Evo Morales, ao invés de ser batizado em honra do herói da aviação nacional Juan Mendoza.

A presidente do Comitê Cívico de Oruro, Sonia Saavedra, e o secretário-executivo da Central Operária Departamental (COD) desta cidade, Vladimir Rodríguez, informaram à Agência Efe que a greve tem 90% de acompanhamento e inclui o bloqueio de ruas.

As escolas, bancos, universidades, mercados populares, os sindicatos de mineradores e de transportadoras cumprem o primeiro dia da greve, enquanto as instituições governamentais, nas mãos do partido governante, foram obrigadas pelos piquetes de manifestantes a fechar suas portas, disse Sonia.

Este protesto rejeita a recente decisão da Assembleia Departamental de Oruro de pôr o nome do presidente Morales ao terminal aéreo internacional, relegando o de Mendoza, que era a denominação estipulada inicialmente. Oruro já realizou uma greve de 24 horas na semana passada pelo mesmo motivo.

O terminal, situado a 3,7 mil metros sobre o nível do mar, foi inaugurado este mês e é o quarto internacional do país junto aos de Santa Cruz, El Alto (que serve La Paz) e Cochabamba.

O aeroporto levava o nome de Juan Mendoza, o primeiro piloto boliviano, que se graduou em escolas da Argentina e em 1921 sobrevoou em um biplano as regiões de Oruro e Potosí.

Mendoza também é recordado por sua decisiva contribuição na Guerra do Chaco que confrontou Bolívia e Paraguai entre 1932 e 1935 e por ter sido o pioneiro na criação de escolas de aviação no país.

A dirigente cívica Saavedra declarou que "não se pode apagar toda essa história" nem o orgulho que sentem os cidadãos de Oruro por sua ilustre figura.

Rodríguez, por sua vez, ressaltou que Morales, que nasceu em uma comunidade rural do departamento de Oruro, já tem seu lugar na história do país, mas que este é um movimento cívico, cidadão e sindical e que representa um "profundo sentimento" do povo da cidade.

O deputado nacional governista Marcelo Elío, natural de Oruro, qualificou a greve como uma luta por "mesquinharias" e defendeu que Morales "é uma figura internacional, mundialmente conhecida", cujo nome inclusive pode servir para a promoção do turismo em sua terra natal, informou a imprensa estatal.

A cidade de Oruro é a mesma onde estão presos os 12 torcedores corintianos indiciados pela Justiça boliviana pelo suposto envolvimento no disparo do sinalizador que matou o jovem Kevin Espada, de 14 anos, durante o jogo entre Corinthians e San José, disputado na quarta-feira passada pela Taça Libertadores. EFE

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