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De origem modesta, líder de grupo jovem liberal defende Estado menor contra pobreza

FÁBIO ZANINI
·5 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Negro, criado num bairro de classe média baixa de Porto Alegre (RS), Nycollas Liberato acostumou-se desde cedo a ver o pai policial militar e a mãe técnica de enfermagem espremendo ao máximo o orçamento familiar para suprir as necessidades básicas da casa. “A gente sempre teve comida na mesa, mas era sempre a moeda contada. Lembro que quando criança às vezes eu ia comprar pão e leite e o cartão não passava”, diz ele. Aos 27 anos, ele hoje é diretor-executivo do SFLB (Students For Liberty Brasil), uma das principais organizações de formação de jovens liberais do país, e parte de uma rede global. Sua trajetória não lembra em nada a de um Faria Limer defensor do Estado mínimo e da primazia do mercado, e é representativa de uma mudança no perfil dos adeptos do liberalismo no país. “Quanto mais der para diminuir o Estado, melhor. Se um dia chegar a que ele desapareça, melhor, mas não vejo isso acontecendo durante minha vida”, afirma ele. A jovem biografia de Nycollas tem outras peculiaridades. Ele manteve inabalada sua crença nas ideias liberais mesmo tendo sofrido a influência do ambiente militar, um universo impregnado pela crença no papel do Estado como indutor do desenvolvimento e garantidor da soberania nacional. Quando adolescente, estudou no Colégio Militar de Porto Alegre e começou a seguir carreira dentro da engrenagem de ensino das Forças Armadas. Do colégio seguiu para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas, e de lá para Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, onde ficou até 2015. Ambas instituições que foram frequentadas pelo presidente Jair Bolsonaro. Mas, ao contrário do capitão que hoje exerce a Presidência, ele nunca teve vocação militar. A opção pela carreira era apenas uma busca por ascensão social, como ocorre todos os anos com milhares de jovens carentes Brasil afora. No caso da Aman, o que o atraiu foi a possibilidade de formar-se como tenente com salário inicial de cerca de R$ 5.000, algo que representaria um enorme alívio para as finanças da família. Mas um problema familiar o obrigou a largar o curso no último ano e retornar ao Sul. Mesmo assim, ele diz que guarda de sua experiência militar algumas lições valiosas que o ajudaram nos anos seguintes. “Foi ima experiência bem marcante. Na academia militar você aprende as regras da disciplina, a lidar com subordinados e com superiores, a ter capacidade de comando e ser efetivo nas decisões”, afirma. Tudo isso o ajuda, diz, na chefia do SFLB, que ele exerce desde dezembro de 2020, num mandato de dois anos. A descoberta como liberal veio ainda no Colégio Militar, que tinha um convênio com o Instituto Ling, centro difusor destas ideias baseado na capital gaúcha. O estudante que gostava de ler os anarquistas, como Pierre Proudhon e Mikhail Bakunin, passou a mergulhar em liberais clássicos como Adam Smith, Milton Friedman e Thomas Sowell. “Sempre me incomodou nos textos anarquistas a parte da revolução, de ter de matar as pessoas”, justifica. No momento, Nycollas estuda administração na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e pretende se especializar na área de gestão e desenvolvimento de lideranças. Entrou beneficiando-se de cotas raciais, um modelo que, apesar disso, ele critica, em linha com postulados liberais. “Cotas foram criadas para resolver um problema de forma temporária e não atacam o problema real. Não adianta alguns negros entrarem na universidade e a maioria não conseguir nem estar em escola pública”, afirma. Uma solução menos ruim, acredita, seria estabelecer um sistema de cotas sociais, que beneficie estudantes carentes independentemente da cor da pele. Ele acredita que o verdadeiro caminho para eliminar a pobreza e promover a ascensão das pessoas passa longe de políticas compensatórias ou redistributivas propagadas pela esquerda. A solução, para Nycollas, é menos burocracia e mais estímulo à liberdade econômica. “Eu via meus pais sofrendo para pagar as contas, depois ainda vinha o Imposto de Renda. Abrir uma empresa no Brasil é difícil, vem aquele monte de tributos de uma vez. Temos uma estrutura estatal que precisa ser reformada e reduzida”, acredita. Ao avaliar o governo Bolsonaro, ele, como a maioria dos liberais, se diz frustrado, sobretudo com os tímidos resultados apresentados até aqui pela agenda do ministro Paulo Guedes (Economia). “O Paulo Guedes não teve a capacidade de colocar em prática as pautas que ele queria, por uma falta de capacidade de liderar em momentos de crise. É uma característica dele e do próprio Bolsonaro”. Também o preocupa assistir aos arroubos autoritários do presidente. Ex aspirante a militar, Nycollas não vê com bons olhos o fato de Bolsonaro povoar seu governo com egressos da caserna. “No momento em que Forças Armadas começam a se envolver com política, começa a dar problema”. À frente do SFLB, Nycollas tem o desafio de comandar em tempos de pandemia uma entidade que reúne mais de 1.000 jovens pelo país. A Covid-19 obrigou a entidade a cancelar seu principal evento anual, a LibertyCon. Enquanto a situação sanitária não se resolve, a entidade promove eventos menores online, sempre com o propósito de passar uma imagem mais inclusiva do liberalismo. “O liberalismo vai auxiliar mais pessoas que nasceram como eu do que os Faria Limers. Não quero me tornar um totem, não acho que eu sou uma representação de algo. O que posso dizer é que o movimento liberal foi o primeiro em que minha raça ou posição socioeconômica nunca atrapalharam”, afirma.