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Orbán congela preços de alimentos a três meses de eleição na Hungria

·4 min de leitura

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, anunciou nesta quarta-feira (12) que vai impor um teto no preço de seis alimentos considerados básicos, em uma tentativa de conter a inflação. A decisão vem a menos de três meses das eleições que podem encerrar o mandato de quase 12 anos do premiê.

Segundo o líder conservador, a medida vale para a farinha de trigo, o açúcar, o leite, o óleo de girassol, a perna de porco e o peito de frango. A partir de fevereiro, todos os mercados do país devem voltar a vender esses produtos com o preço que estava vigente em 15 de outubro.

"Os preços estão subindo em toda a Europa devido a um aumento nos preços da energia", justificou Orbán, em vídeo publicado no Facebook após uma reunião do governo. No comunicado o premiê ressaltou que a medida pretende "proteger as famílias" húngaras.

A inflação na Hungria tem subido acima da média do continente. Em novembro, o aumento nos preços em 12 meses foi de 7,4%, a maior alta em 14 anos e acima das expectativas de analistas. No mesmo mês, a inflação na zona do euro foi de 4,9%, segundo a Eurostat, agência de estatísticas do bloco --a Hungria pertence à União Europeia, mas não adota o euro como moeda oficial.

Economistas consultados pela agência de notícias Reuters estimam que em dezembro a inflação húngara fique próxima de 7,2%; a média na zona do euro deve ser de 5%.

Em novembro, Orbán já havia estipulado um teto de 480 florins (R$ 8,60) no preço dos combustíveis por três meses. A medida ainda pode ser estendida, após uma revisão marcada para fevereiro. O primeiro-ministro também impôs um teto aos juros de hipotecas, alegando proteção aos mutuários, após o Banco Central húngaro aumentar as taxas de juros em uma proporção maior do que a esperada.

A preocupação do político com a economia do dia a dia se dá em meio à preparação para as eleições nacionais, marcadas para o próximo dia 3 de abril. A expectativa é que esse seja o pleito mais acirrado desde que o direitista assumiu o poder, em 2010.

Em outubro, seis partidos de oposição anunciaram o lançamento de um candidato único, como forma de tentar angariar votos de várias alas políticas. Após uma votação em dois turnos, o escolhido foi o conservador Péter Márki-Zay, 49, prefeito da cidade de Hódmezövásárhely, a 170 km de Budapeste, e considerada um reduto do partido de Orbán, o Fidesz.

Em 2018, no pleito municipal, ele também liderou uma frente de partidos para derrotar a sigla do governo central. Nesta terça, após o anúncio do premiê, Márki-Zay disse que estipular um teto de preços é admitir que a economia está em um "estado trágico".

"Um governo atroz que começa a combater os preços nas últimas 12 semanas de seu governo de 12 anos, com uma maioria [parlamentar] de dois terços deve sair", disse em publicação no Facebook. Ele ainda prometeu, caso vença as eleições, fixar o imposto sobre alimentos básicos em 5%.

A ampla aliança oposicionista é vista como a única forma de derrubar Orbán, já que no poder ele promoveu reformas que alteraram o sistema eleitoral, de forma a conseguir controlar dois terços do Parlamento mesmo tendo recebido 42% dos votos na eleição de 2014.

Devido a essa distorção, fruto da redução do número de distritos eleitorais e da alteração dos perímetros das circunscrições para favorecer o Fidesz (o chamado "gerrymandering"), a frente precisa fazer mais que escolher um único candidato se quiser desalojar Orbán.

Os planos são lançar apenas um nome em cada um dos 106 distritos eleitorais e uma lista comum para as outras 93 cadeiras do Parlamento, além de um programa eleitoral conjunto. Fazem parte da frente a Coalizão Democrática, os Socialistas, os liberais e os conservadores do Jobbik, hoje considerado de centro-direita, mas que já foi ultradireitista.

As pesquisas até aqui não permitem prever o resultado do pleito de abril. De acordo com o site de notícias Politico, o partido de Orbán tem hoje 49% das intenções de voto, contra 45% da frente de oposição.

Em meio à organização dos rivais, o premiê ainda multiplicou, em outubro, o repasse de verbas para contas de redes sociais pró-governo, de acordo com o site independente Telex. Parte do dinheiro foi para o Centro Megafone, apontado como uma espécie de "gabinete do ódio" do círculo do premiê.

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