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Orçamento elevado da próxima missão marciana ameaça futuro do rover Curiosity

Daniele Cavalcante

O futuro de duas missões muito bem sucedidas da NASA está ameaçado pela extrapolação de orçamentos da nova missão de reconhecimento, coleta de materiais e orbitação em Marte (a Mars 2020), que deverá ser lançada ainda este ano. Oficiais da NASA e cientistas estão discutindo os planos orçamentários da agência para o ano fiscal de 2021, que podem extinguir a Mars Odyssey e reduzir drasticamente as operações do rover Curiosity.

No cerne desse problema orçamentário da NASA estão os próximos planos da agência para exploração de Marte, que consistem no lançamento do rover Perseverance, que faz parte da da missão Mars 2020, programado para o dia 17 de julho, e na realização de mais duas missões em 2026 em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA). O lançamento de julho continua agendado mesmo com a crise do novo coronavírus, pois está categorizado como “de altíssima prioridade”.

Mas as coisas estão complicadas para a equipe da Mars 2020. A missão já enfrentou problemas técnicos com o rover, o que impacta bastante na questão orçamentária, e o plano para o ano fiscal de 2021 (que começa no próximo dia 1º de outubro) prevê um custo de US$ 2,04 bilhões. Isso representa 21,14% a mais que o estimado em 2017 e, infelizmente, o custo extra com o rover comprometeu o andamento de outros elementos do programa de exploração marciana.

Uma discussão levantada pelo comitê da agência espacial é encerrar o suporte que a NASA oferece para a missão Mars Express, da ESA, com a justificativa de que a missão não trouxe bons resultados. Mas há outros problemas, como a ameça de sobrar pouco dinheiro para missões que já estão em andamento devido à priorização da Mars 2020.

Rover Curiosity, um dos que podem sofrer com a redução orçamentária (Imagem: NASA)

Mesmo que o valor necessário para o andamento desta missão seja liberado, a operação Mars Odyssey pode ser extinta, e o orçamento do rover Curiosity sofreria um corte de US$ 11,1 milhões, além de ficar sem financiamento a partir de 2021. A proposta que o presidente Donald Trump enviou recentemente é “favorável ao programa de Marte, mas o financiamento disponível para a longevidade da missão prolongada é limitado”, declarou Jim Watzin, diretor do programa de exploração de Marte da NASA.

Lançada em 2001, a Mars Odyssey auxiliou a missão de dois rovers na superfície do planeta - o Spirit e o Opportunity -, realizando a retransmissão das comunicações com a Terra. A sonda também mostrou fortes evidências da presença de água em Marte e realizou estudos importantes sobre as estações marcianas. “Tivemos que tomar algumas decisões muito difíceis para balancear o orçamento nas limitações que tínhamos, e este é o resultado”, concluiu Watzin, sobre o possível fim da Odyssey.

As reduções também atingem propostas de novas missões de exploração de Marte. Por exemplo, há um investimento sugerido para o novo - e pouco discutido - programa Mars Ice Mapper, que tem como objetivo mapear depósitos subterrâneos de gelo de até 10 metros de profundidade no Planeta Vermelho. A missão também prevê levar instrumentos para melhorar a rede de comunicação em Marte. A apresentação de possibilidade de investimento para o Mars Ice Mapper pegou muitos cientistas de surpresa, por não se encaixar no planos para a década.

Lori Glaze, diretora da divisão de ciência planetária da NASA, afirmou que, por ora, nenhum programa corre perigo real, dizendo que as propostas ainda não foram aprovadas. Sobre as missões Mars Odyssey e Curiosity, afirmou que “elas se saíram muito bem, e certamente desejamos mantê-las ativas até quando for possível”.




Fonte: Canaltech

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